Auto Escape do Cartaxo – 40 anos de rigor e qualidade

Empresa da Semana

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Carlos Alberto Meneses fundou a empresa Auto Escape no Cartaxo, com o sogro, faz este mês de abril 40 anos. Vieram de Lisboa, onde o sogro já tinha outras oficinas no mesmo ramo, depois de surgir uma oportunidade de ficar com uma oficina e desenvolver aqui o seu negócio na área dos escapes automóveis. E por cá ficaram, era Carlos Alberto um jovem, com cerca de 20 anos.

Inicialmente dedicada aos escapes, a oficina passou também a dedicar-se à montagem de engates de reboque, serviço para o qual tirou uma especialização na parte elétrica, tudo o resto é fruto do conhecimento e da experiência adquiridos ao longo dos anos e do gosto que tem pelo seu oficio, tendo como base principal do seu negócio “servir os clientes da melhor maneira e com honestidade”, diz Carlos Alberto, que divide o trabalho da oficina com o filho, Pedro Meneses.

Ambos gostam de carros; de trabalhá-los, mas também de os conduzir em Ralis de Clássicos, onde surgiram bons contactos para trabalhos de fabrico e montagem de escapes em carros antigos, de competição e de coleção. Também a moda do tuning tem trazido alguma clientela ao fabrico de peças à medida, que nos dias de hoje corresponde a cerca de 15 por cento do negócio, um grande contraste com os tempos idos, em que 90 por cento das peças que montavam eram de fabrico próprio. “Hoje em dia quanto mais barato melhor. Há sete ou oito anos que não aumentamos preços, e as margens são cada vez mais pequenas”, reconhece.

Nestes 40 anos, na Auto Escape fazem-se as peças por medida e os clientes vêm de vários pontos do País, mas também de fora. “Fabricamos escapes para carros de competição, carros de coleção e tuning. Como temos a vertente do fabrico fazemos o escape à medida dos clientes”, afirma Carlos Alberto Meneses, sublinhando que tenta aperfeiçoar o trabalho ao máximo, mas aconselhando sempre os clientes da melhor forma de fazer as coisas. “Gosto de me pôr do lado do cliente, da mesma maneira que gostaria que me fizessem a mim!” Por outro lado, há situações muito complicadas, por vezes os clientes pensam fazer as coisas de uma forma simples, esperando uma boa performance, mas Carlos Alberto não vai em conversas. “Se é para fazer o trabalho há que fazê-lo da forma mais correta, sem aldrabices e sem ir contra os requisitos da lei. Há clientes que idealizam uma coisa e até não se importam de atamancar as peças para o conseguir, mas esquecem-se que quando forem à inspeção o carro não passa, mas eles só pensam naquele momento. Apesar de ser a opção dos clientes, se é para saírem mal servidos eu não faço o trabalho”, alegando que “certas alterações de características dos carros podem dar problemas e isso eu evito fazer”.

Fazem o que outros não conseguem
“Muitas pessoas veem o resultado de carros aqui arranjados e vêm cá fazer igual. Acontece muito nos encontros dos Clássicos, pessoas enrascadas para arranjar um escape para um carro antigo e ser-lhes sugerido o meu nome para resolver o problema, mesmo que o carro não tenha nada de escape”, conta Carlos Alberto, orgulhando-se de até conseguir melhorar certos aspetos e favorecer esteticamente o carro. “Da nossa parte de fabrico, entre a chapa e o tubo, sai o escape montado. E conseguimos fazer o fabrico igual ao original. É tudo cravado, tal e qual como uma peça de fábrica”, garante, referindo que “foi um grande investimento em máquinas que fizemos há alguns anos que nos permite fazer as coisas desta maneira, coisa que outros não conseguem”.

“Temos muitos clientes de Lisboa e arredores, que fomos conhecendo ao longo dos anos ou por passagem aqui”, diz Carlos Alberto. “Ainda há pouco tempo tive ai um Hotchkiss que estava guardado num castelo em França e um dos meus clientes, que é o maior colecionador de Hotchkiss na Europa, trouxe-o para Portugal, e publicou imagens do carro ainda antes de começar a repará-lo. Logo um francês quis comprá-lo na condição de o escape ser feito no mesmo sítio onde há anos atrás tinha sido feito o escape de um outro Hotchkiss que andou a correr em França – que era um carro que eu tinha arranjado. Fizemos uma coisa que ninguém fazia, lá ninguém fazia escapes à medida. E fiz esse escape de modo a ficar mais silencioso que o original, mas a ter mais rendimento do que tinha o original. O ego fica em cima”, orgulha-se Carlos Alberto.

“Sempre gostei muito de automóveis e gosto muito daquilo que faço.” É um trabalho que gosta de fazer e que acabou por contagiar o filho, Pedro Meneses, com quem trabalha na Auto Escape, e “há coisas em que ele está a progredir em relação a mim”, revela Carlos Alberto, lembrando que a empresa está “por enquanto, na terceira geração”.

“Trabalhamos com várias marcas fora aquilo que é a nossa marca, tudo matéria prima portuguesa, o que dificulta as coisas porque antigamente havia três fábricas de tubos em Portugal e neste momento há uma, que faz o que quer. Quando havia falta de uma certa medida de tubos no mercado, uma das fábricas avançava com a produção de mais tubos dessa mesma medida, agora se não houver eles jogam com o tempo de entrega ou colocam a condição de fazer a encomenda mediante uma certa quantidade, que às vezes é incomportável. Brincam com o sistema”, lamenta.

Engates de reboque
Outro dos serviços prestados pela Auto Escape é a montagem de engates de reboque. Para tal, Carlos Alberto fez uma formação para poder fazer também as ligações elétricas. Assim, os clientes que pretendem instalar o seu engate de reboque podem sair da Auto Escape com todo o problema resolvido, evitando que os carros, em muitos casos com zero quilómetros, tenham de ir a outra oficina.

Atualmente, explica Carlos Alberto, os engates de reboque não podem ser feitos no nosso País por causa das homologações, “o engate que é montado tem de ter uma homologação para aquele modelo de carro, vem tudo pronto e à medida para encaixar devidamente nos pontos certos e nós fazemos a montagem”. Segundo Carlos Alberto, se for uma peça para carros a partir do ano de 1988, tudo o que seja engates não homologados encontra-se em situação ilegal, logo não passa num centro de inspeções.

O negócio vai correndo, mas “não tem nada a ver com o que era antigamente. Já tive quatro empregados e cheguei a ter mais duas oficinas a funcionar”, conta. “Às vezes dizem que podia começar a fazer outros trabalhos de mecânica automóvel, mas depois ia estar a tirar trabalho a outros”, diz, para além de que assim pode focalizar-se mais na sua área. “Não quero perder o que venho a construir ao longo destes 40 anos. Quando veio a crise cheguei a pôr a hipótese de fechar a oficina, ainda cheguei a pôr dinheiro meu para aguentar, mas acho que devo manter a herança em nosso nome”, conclui.

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