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O sorriso na Terceira Idade

Por Raquel Marques Rodrigues

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Existem vários tipos de sorrisos: sorriso amarelo, sorriso de orelha a orelha, sorriso maroto, sorriso simpático… Quem não os conhece?! Já pensou qual é o seu? E porque sorrir é um assunto sério e ainda não paga imposto, e fazer sorrir é uma ação nem sempre fácil de cumprir, partilho a minha opinião sobre a sua importância.

Dá-nos as boas vindas ao mundo – ora a chorar ora a sorrir. Sempre ouvi dizer que sorrir faz bem à saúde: exercita os músculos faciais, liberta o stress, aumenta auto-estima e até elimina alguns quilos de gordura. Os seus benefícios físicos, emocionais e sociais transformam-se em armas e ferramentas poderosas que auxiliam cada indivíduo a encarar a vida com outros olhos, ou melhor, com outro sorriso.

Na residência sénior, espaço onde exerço a minha atividade profissional, um sorriso é a chave mestra para aproximar as pessoas e desbloquear emoções, transmitindo-lhes confiança e segurança, nomeadamente para aqueles idosos que já não se recordam de quem são mas do que foram no passado. Um sorriso apazigua e tranquiliza-os, revelando atenção e carinho.

Na animação com idosos, as dinâmicas de grupo que realizo neste contexto são sempre produtivas. Inicialmente todos se riem, mesmo sem saber o porquê, mas tudo tem um propósito. O objetivo é de carácter expressivo e começa com exercícios de simulação do som de vogais, passando para o de animais e depois é deixar fluir. As memórias e experiências quotidianas ajudam nesta faixa etária a levar os seus dias com mais atitude e felicidade.

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Gosto de rir com eles, olhar fixamente nos seus olhos e estar em sintonia. Dá-me gozo partilhar daquelas gargalhadas que parecem incontroláveis e que me fazem chorar até cair. Sorrisos sinceros e experientes de uma vida que são indispensáveis no meu dia a dia de trabalho.

Para sempre vou guardar no meu baú as gargalhadas destes meus avós: galhofas contagiantes e genuínas que entoam a sala de convívio e ecoam nas alas. Rir é o melhor remédio, não cura os males mas alivia, por isso temos de conservá-lo.

O sorriso inato é o espelho da nossa alma, e sem dúvida a nossa assinatura pessoal. Um conselho, mesmo sem dentes não se prive de sorrir, o sorriso não dói a garganta o que mágoa e o que não se expressa.

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