O voo dos insetos

Paulo de Oliveira, Texto e fotos

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Quer se goste deles ou não, os insetos são, de facto, os animais mais bem sucedidos deste planeta. Existem há cerca de 400 milhões de anos e durante esse período colonizaram as regiões mais inóspitas do globo; quer sejam naturais ou criadas pelo homem.

Abelha, a voar

Conhecem-se cerca de um milhão de espécies de insetos e muitas outras ainda se encontram, certamente, por descobrir. Isto representa muito mais do que todas as outras espécies de animais juntas.

Embora o sucesso dos insetos possa ser atribuído a vários fatores um dos mais importantes consiste, certamente, na capacidade qua a maioria das espécies dispõe de poder voar. O voo constitui, como já se viu, muito mais do que um eficiente meio de locomoção. Permite-lhes também escapar com mais facilidade aos inimigos, e ajuda o encontro de ambos os sexos assim como a busca de alimentos. Os insetos podem por isso dispersar-se melhor e colonizar com mais eficácia novos habitats.

O seu pequeno tamanho, voo errático e rápida batida de asas tornam-nos quase invisíveis para um observador pouco atento.

O olho humano pode ser descrito como uma câmara que filma a uma cadência de cerca de dez imagens por segundo, transmitindo ao cérebro a informação contida em cada um dos fotogramas. A retina, que faz aqui a função de película fotográfica (ou sensor digital), precisa de um certo tempo para receber e transmitir cada impressão e ficar disponível para a seguinte. Esta cadência de precepção visual era suficiente para os homens primitivos, caçadores, para os quais a natureza concebeu os olhos. Reparavam que alguns objetos mais rápidos, como as asas dos insetos a voar, só podiam ser vistos como uma mancha trémula, mas isso era de somenos importância. Os seus olhos conseguiam seguir perfeitamente os movimentos das presas e dos inimigos. Era tudo o que eles queriam e necessitavam.

Mas o homem civilizado, movido por um espírito de insaciável curiosidade, queria ver mais do que os seus olhos lhe permitiam. Isso só se tornou possível recentemente com o desenvolvimento da fotografia de alta velocidade. As fotografias aqui apresentadas, foram efetuadas a uma velocidade de 1/50.000 de segundo, mediante a utilização de vários flashes eletrónicos e de um obturador ótico-elétrico de disparo muito rápidos. Podemos então observar a forma como estas criaturas minúsculas usam as suas asas para praticar verdadeiros feitos acrobáticos que de outra maneira nos passariam completamente despercebidos.