Olha a bolinha: fresca e fofinha

Por Raquel Marques Rodrigues

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Quem consegue resistir a uma bola de Berlim num dia quente de Verão? Porque é tão apreciada no fim de um mergulho? Porque é o bolo mais popular do nosso País? As afamadas bolas de Berlim têm a sua origem em Portugal desde 1935. Enraizadas na cultura, pela sua tradição e qualidade, são o ex-libris da gastronomia portuguesa. Rendida a bola de Berlim de alfarroba, partilho a minha visão sobre a bola mais famosa de todas as praias.

O relógio marca 9 horas da manhã. Chego à praia do Vau, Portimão. Descarrego o meu kit de praia – chapéu, toalha, chinelo – e delicio-me com o céu azul, as ondas, o sol. A areia aquece e o dia promete.

Caminho sobre a areia molhada, embrulhada no cheiro do mar as gaivotas acompanham-me. Encontro pedras que o mar devolveu, não me desvio, piso-as com toda a firmeza, um dia servirão para construir um castelo.

No horizonte, oiço uma buzina e avisto uma sereia vestida de branco. Cada vez mais perto, aproximo-me dela. São as bolinhas da Laidinha.

De sol a sol, palmilha quilómetros no extenso areal, transportando cestos recheados de bolas de Berlim, com ou sem creme, de chocolate, de alfarroba, línguas da sogra, bolacha americana, arrufadas, fazendo as delícias da pequenada, dos turistas e de todos os gulosos. Repentinamente, fez-me recordar o que leva o capuchinho vermelho na sua cesta para o lanche da sua avozinha. Certamente, um cesto mais leve do que a Laidinha suporta diariamente. Não resisti e pedi para experimentar a carregar os seus cestos. Faço mais que uma vez e realmente são cargas pesadas. Não é de estranhar que é preciso robustez física, mas os pescadores de alto mar dizem que as sereias são vigorosas como rochas e bonitas como pérolas.

Confesso que durante o ano não costume consumir qualquer bola de Berlim, mas pergunto-me porque é que estas bolas sabem bem melhor na praia do que em qualquer outro lugar?! Esqueço-me da dieta, das suas calorias e deixo-me envolver com o seu sabor e textura. Não me importa as mãos gordurosas e os lábios pintados de açúcar, é um momento de verdadeira gulodice e de tranquilidade.

Para a Laidinha, vendedora ambulante, verão e sol é sinónimo de aumento no seu volume de negócios, vende 100, 200 unidades diárias e quando as temperaturas aumentam chegam a 300 bolas de Berlim.

Recentemente, as novas tecnologias revolucionam este mercado, com a nova aplicação no telemóvel “Bolinhas” o impulso de provar uma bolinha está a um clique. No entanto, não quero apagar da minha memória as várias cantiga das bolas de Berlim: olh’á bolinha… para o menino e para menina. Afinal, tira-se férias para o descanso da rotina e não é que não se dá folga ao corpo?!

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