Ouriquenses prestam homenagem a ex-combatentes

As cerimónias decorreram com toda a pompa e circunstância na Praça Francisco Ribeiro, onde foi erigido o monumento de homenagem

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A Cerimónia de Inauguração do Monumento em Homenagem aos Combatentes do Ultramar de Vila Chã de Ourique levou mais de uma centena de populares à Praça Francisco Ribeiro, onde até esteve presente o ministro Adjunto Eduardo Cabrita

Este ano, em vez de bandeiras de Portugal, os populares e convidados tinham flores que haviam de depositar, no final da cerimónia, junto ao monumento de homenagem aos combatentes do Ultramar ali inaugurado, neste domingo, dia 11 de junho, com toda a pompa e circunstância. Militares do Regimento de Manutenção do Entroncamento encarregaram-se da guarda de honra da cerimónia, que contou com a presença do ministro Adjunto Eduardo Cabrita, do presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Pedro Ribeiro, do presidente da Junta de Freguesia de Vila Chã de Ourique, Vasco Casimiro e da presidente da Assembleia de Freguesia Dília Canais, entre tantos outros vereadores e autarcas do concelho, assim como da Liga dos Combatentes estiveram o Arquiteto José Eduardo Varandas dos Santos e Carlos Pombo, presidente do Núcleo de Santarém, e restantes forças militares do concelho.

Foi com o poema da sua autoria – o Fado de Vila Chã de Ourique – que Vasco Casimiro captou a atenção dos muitos populares e convidados presentes, agradecendo depois a “dedicação e persistência” da Comissão dos Combatentes do Ultramar de Vila Chã de Ourique “no erigir deste monumento”, iniciativa em que “a Junta de Freguesia colaborou desde sempre”, com o intuito de recordar e homenagear estes homens que estiveram na guerra, alguns dos quais mortos em defesa da pátria. O presidente da Junta de Vila Chã de Ourique, para quem “foi uma grande honra ter aqui o ministro em Vila Chã de Ourique e ver aqui tanta gente nesta homenagem”, sublinhou ainda a importância desta homenagem como uma “transmissão das memórias aos mais jovens”, rematando que “Vila Chã é uma terra de boa memória”. Recorde-se que, já no ano passado havia sido inaugurada uma lápide de homenagem aos dois ex-combatentes da terra que morreram na guerra (Hermínio Botelho Monteiro e José Figueiredo Rodrigues), obra este ano ampliada resultando num “monumento de homenagem da freguesia a todos os combatentes do antigo ultramar português, que tiveram a honra de servir a pátria”.

Esta homenagem representa, para nós combatentes, a realização de um sonho que há muito acalentávamos.

José Carvalho

Para José Carvalho, que falou em representação da Comissão dos Combatentes do Ultramar de Vila Chã de Ourique, “esta homenagem representa para nós combatentes a realização de um sonho que há muito acalentávamos”, agradecendo o empenho e colaboração de todos, entre os quais a autarquia, a Junta de Freguesia, a própria Comissão, assim como à Liga dos Combatentes, nomeadamente, a Carlos Pombo, presidente do Núcleo de Santarém, que “muito contribuiu para que esta cerimónia tenha o brilho que merece”.

Por sua vez, Carlos Pombo quis dirigir as suas primeiras palavras à Junta de Freguesia de Vila Chã de Ourique e à Comissão dos Combatentes do Ultramar de Vila Chã de Ourique pelo convite que lhe endereçaram para apoiar e se associar “a este tão nobre momento” de “homenagem da terra aos seus combatentes”, dois dos quais perderam a vida. “Pobre de um País que não lembra aqueles que deram tudo pela sua pátria”, referiu o sargento, frisando que se deve “recordar o passado para construir o futuro”. Foi também “com sentimento de gratidão” que José Eduardo Varandas dos Santos, da Liga dos Combatentes, participou nesta cerimónia, também na condição de combatente, por considerar que “valeu a pena” a presença dos portugueses na guerra, que ficou marcada entre muitas outras coisas “pelo contributo que demos às suas gentes, à economia e à nossa língua”.

A ver pela fortíssima adesão da população, penso que cumprimos com a nossa obrigação e o dever moral para com aqueles que tombaram em combatem e aqueles que ainda vivos podem perpetuar essa memória e os valores patrióticos que transportaram.

Pedro Ribeiro

O presidente da Câmara, Pedro Ribeiro, começou por agradecer a presença do ministro Adjunto, que significou, para além de uma “grata honra”, um “forte estímulo para continuarmos a lembrar e honrar a memória dos nossos combatentes”, numa “justa e sentida homenagem”, cumprindo assim “a nossa obrigação de mantermos viva a memória destes homens”, considerando que “as homenagens nunca são demais perante a grandeza daqueles que deram a vida por todos nós”. “E, a ver pela fortíssima adesão da população, penso que cumprimos com a nossa obrigação e o dever moral para com aqueles que tombaram em combatem e aqueles que ainda vivos podem perpetuar essa memória e os valores patrióticos que transportaram”.

Por sua vez, Eduardo Cabrita, ministro Adjunto, saudou Vila Chã de Ourique que, com esta cerimónia, mostrou que “tem orgulho na sua identidade e na sua memória” e cujas entidades souberam, “localmente, construir um País mais coeso e solidário”, com “consciência da história e respeito pela memória” e assim construir o futuro.

Relativamente à sua presença cá, o ministro justificou que “o governo tem uma dimensão de proximidade, eu próprio tenho estado presente um pouco por todo o País e tenho com o município do Cartaxo um trabalho permanente, que tem contribuído para que sejam ultrapassadas dificuldades e para que o Cartaxo possa utilizar os instrumentos de desenvolvimento, para que possa beneficiar dos fundo europeus deste último orçamento”. Por sua vez, Pedro Ribeiro desvalorizou as críticas à vinda do ministro como forma de aproveitamento político em vésperas de eleições autárquicas, referindo que “ouvi alguns comentários, mas quem pode responder a isso são os ouriquenses que, como eu e a Comissão dos Combatentes do Ultramar de Vila Chã de Ourique, se sentem muito honrados com a presença de um membro do Governo neste dia”.

A cerimónia contou ainda com a entrega de testemunhos de honra e glória aos familiares dos dois combatentes mortos em combate, após uma prece proferida pelo padre da paróquia de Vila Chã de Ourique aos combatentes. Terminadas as cerimónias, decorreram momentos de confraternização entre os presentes, seguindo-se um almoço convívio entre ex-combatentes, familiares e amigos, no Pavilhão de Festas da vila.

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