Se faz é porque faz, se não faz…

Por Vânia Calado

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E lá fizeram. A custo. Saiu-lhes do corpo o trabalho para deixar aquilo tudo de pé de dar um orgulho às pessoas. É isso que se pretende. Dar uma alegria às pessoas que andam tão tristes. Mas não é fácil.

O calor é muito e o trabalho não pára. É preciso deixar tudo pronto. É preciso que não falte nada. Mas o tempo corre contra quem põe as mãos na massa e as coisas nem sempre andam tão rápido como se pretende. Coisas da vida. Faz-se o melhor que se pode e não se pode pedir mais, não é?

– Achas que aquilo tem algum jeito?

Há sempre conversas. E sempre com o seu quê de desagradável. Nada está bem. Nada é tal e qual como devia ser. Porque se esqueceram de A ou de B. Porque decidiram fazer aquela tal coisa que ninguém percebeu. Há sempre uma razão. Qualquer coisa que não ficou bem ou que simplesmente não ficou como alguém, fora de todo aquele trabalho, queria que ficasse.

– Mas olha que aquilo dá trabalho. Já fizeste?

– Mas tu achas? Deus me livre de tal coisa.

Não fizeram. Nunca fazem. Mas sabem falar porque, já diziam os antigos, falar é fácil e trabalhar faz calos. Assim como assim, é preferível falar. E nisso são os melhores. Falam a olhar de cima, no descanso de quem não mexeu uma palha. São sempre os que estão mais descansados que mais coisas têm a dizer. O cansaço ocupa o corpo e a cabeça, o santo descanso deixa a língua mais solta.

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Mas depois há o outro lado. Quando ninguém se chega à frente para fazer. Porque estão fartos de ouvir o que disseram dos outros, porque acham que é preferível ficar quieto do que andar no meio do fogo cruzado. E não se faz. As ruas ficam vazias, as coisas não acontecem. Mas as conversas continuam a crescer pelos cantos.

– É impressionante como deixam morrer tudo.

Esta gente nova que só pensa nela e já não sente amor pela terra.

É o que eles pensam e vão comentando uns com os outros. Há sempre qualquer coisa para dizer, mas nem sempre é bom. A maior partes das vezes não é.

É o diz que disse. O dizer só porque apetece falar.

E vive-se assim, no meio de conversas deitadas ao ar com críticas que nem se sabe bem de onde aparecem. Se faz é porque faz. Se não faz é porque não faz. Não é assim tão difícil.

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