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Ser voluntário: compromisso do coração

Por Raquel Marques Rodrigues

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Porque pequenos gestos são grandes atitudes? Porque abdicamos do nosso tempo sem estar a espera de compensação monetária? Nos tempos de crise a importância do voluntariado na sociedade é crucial. Para celebrar este dia internacional do voluntariado, a 5 de dezembro, partilho as várias ações que mudam a minha vida. Ser voluntário é saber fazer uma escolha e ser solidário. É ter um banco de horas sem juros, é deste modo que assumo a minha missão em colaborar com o outro.

Certamente já algum dia sentiu necessidade de ser útil e prestável ao serviço ao outro, pois bem, eu também. Recordo-me que com quinze anos, uma adolescente curiosa e muito observadora, quando tinha um furo, isto é, um professor faltava à aula, eu trocava uma conversa de namorados fingidos e a corrida ao bar para comprar pastilhas elásticas por uma visita a uma casa particular de idosos no Cartaxo. Foi o meu primeiro retrato da realidade da terceira idade institucionalizada.

Um sentimento me movia. Algo me inquietava e fervilhava a vontade, o desejo e o prazer de trabalhar com o coração: dar sem receber. Vontade de fazer alguém feliz com um sorriso ou uma carícia. Foi nesse momento que tive a certeza do rumo profissional que queria seguir. Comecei a ceder o que mais tinha em mim: disponibilidade e dedicação. Estive em várias instituições que permitiu-me agregar valor ao meu currículo e acima de tudo desenvolver as minhas habilidades. Aprendi que com gestos tão simples podia mudar a vida do outro. A partir daí, embora com herança do meu pai que tanto me orgulha, bombeiro voluntário, nunca mais desperdicei meu tempo.
A rotina nos cega por estamos absorvidos em cumprir prazos e objetivos sem nos respeitarmos, em ter mais e mais, em atingir metas que não fazem parte da nossa vida. Por isso, atitudes de carinho, respeito e atenção marcam a diferença neste percurso.

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Já é um clássico, com o aumento da população envelhecida novos desafios são colocados ao voluntariado. A sua missão neste campo é urgente e necessária. A memória do passado ajuda a distrair o tempo dos idosos mas a sua solidão é o inimigo da velhice. O seu combate é uma tarefa a ser desenvolvida por si, por cada um de nós, ocupando o tempo dos mais velhos.

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Hoje o voluntariado organizado continua a ser uma excelente ferramenta para o desenvolvimento local. É importante que haja uma formação e que se conheça os seus deveres e direitos. Todos sabemos que o voluntariado exerce-se na força dos afectos que estimula as relações humanas.

Ser voluntário é saber viver uma experiência intensa e gratificante para milhares de pessoas que acreditam que o exercício pleno da cidadania é o pilar para uma sociedade mais coesa.

Aconselho, só por hoje, plante uma semente de solidariedade.

Doa conhecimento, doa sangue, doa tempo.

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