Valter Almeida quer pedido de desculpas da Câmara

Queixa-crime apresentada junto do Ministério Público e da Polícia Judiciária, em janeiro, pelo presidente da Câmara do Cartaxo foi arquivada

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O processo Cartaxo Leaks foi arquivado por falta de provas e funcionário da Câmara indiciado como suspeito do caso diz merecer um pedido de desculpas. Pedro Ribeiro informa que vai recorrer da decisão do tribunal, “com esperança de que os factos sejam todos apurados”.

Este processo foi um tema inicialmente trazido à reunião de câmara desta segunda-feira, 7 de agosto, pelo cidadão José Nicolau, que quis saber qual o ponto de situação. Segundo informou o presidente, Pedro Ribeiro, “o processo foi arquivado por falta de provas, uma vez que contactado o facebook não prestou informações que eram necessárias à recolha da prova e, neste momento, estou a ver com o advogado que me representa, a possibilidade de recorrer desta decisão”.

Depois da resposta dada, apresentou-se o cidadão (e funcionário da Câmara Municipal) Valter Almeida, “ofendido” e sentindo-se merecedor de “um pedido de desculpas” por vir no processo como “o principal suspeito, porque falava mal [do presidente da Câmara] nas redes sociais”, disse. “Estou aqui como cidadão, tenho direito à minha pronuncia, tanto critico positivamente como negativamente o presidente atual, como critiquei outros presidentes desta câmara, somos livres de nos expressarmos, sem ofender ninguém”, afirmou Valter Almeida, que diz ainda que “em oito anos de trabalho nesta casa nunca senti pressão como tenho sentido ultimamente”, referindo-se a comentários e atitudes de outros funcionários. O funcionário visado no processo considera que “o senhor presidente faz muito bem, que continue com o processo para a frente, para encontrar os culpados, mas sem provas não pode dizer que foi um funcionário desta casa”.

Pedro Ribeiro reafirmou que está a ver com os seus advogados o que poderá ser feito para que o processo seja reaberto, dizendo-se “com esperança de que os factos sejam todos apurados”. Relativamente ao exposto por Valter Almeida, nomeadamente ao facto de se sentir “ofendido” porque “o senhor presidente acusou um funcionário desta casa e, em tribunal, o processo foi arquivado por falta de provas, porque nada daquelas coisas foram verdadeiras”, Pedro Ribeiro responde que Valter Almeida “não foi indiciado suspeito pela questão do dizer mal”, adiantando que, “temos registos áudio, como sabe, que não foram considerados na prova”. O presidente concluiu afirmando que, “sem querer entrar muito no processo, porque vamos procurar que ele seja reaberto, nesta altura é o que tenho a dizer sobre este processo”.

Recorde-se que no início do ano, no Cartaxo, alguém terá criado um perfil falso no Facebook, ao qual associou uma página que, por sua vez, estava associada a um blogue com o mesmo nome – Cartaxo Leaks. Os seus autores terão reproduzido nestes meios uma suposta conversa, no Messenger, entre o presidente do Município, Pedro Ribeiro, e o seu chefe de gabinete, Vasco Casimiro, onde Pedro Ribeiro dava conta a Vasco Casimiro que já tinha resolvido o problema com a Cartagua e que a empresa pagaria a cada um 1.500 euros por mês. No dia 9 de janeiro de 2017, o presidente do Município reproduzia o conteúdo da página Cartaxo Leaks no mural do seu Facebook, e aproveitava para comunicar que iria apresentar uma queixa-crime formal junto do Ministério Público e da Polícia Judiciária. Saiba mais aqui

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