Vou mudar de casa: com gente da minha idade!

Por Raquel Marques Rodrigues

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Como é que uma queda e uma estadia ao hospital conduzirá de imediato para um lar de idosos? Esta é a realidade. Casais idosos ou solitários já não conseguem garantir os cuidados no seu domicílio. Enfrentam agora um divórcio forçado. Chega a hora da decisão. Mudar de casa marca uma nova etapa na vida para toda a família. Um dia, será capaz de trocar a solidão da sua casa pela companhia de pessoas com a sua idade?

A campainha toca a qualquer hora e dia da semana. Alguém desesperado, aflito e preocupado, procura uma solução viável para acolher o seu familiar. Faz inúmeras visitas a residências seniores e a lista telefónica online é agora o melhor mapa para o percurso pretendido.

Agora, que lar escolher? É imprescindível a visitas a vários lares. Recomendo sempre que visite vários para ver o que mais se adequa as necessidades e expectativas do futuro residente, tendo em atenção, a possibilidade de escolha entre um lar público ou privado. Se possível, levar o idoso para que possa também dar sua opinião. Afinal, será ele que vai mudar de casa.

A oferta é muita e até pode deparar-se com uma residência moderna e luxuosa, totalmente equipada e com excelentes infraestruturas, mas que importa? O mais importante, todos sabemos, o afeto, respeito e dignidade não tem preço. Olhe para os idosos, veja se estão confortáveis e se sentem bem tratados. Se estão ocupados e se existe segurança e higiene nos espaços. Todos sabemos que a diferença reside nas pessoas, a forma como se relacionam com o outro.

Já pensou deixar o seu ninho e passar o resto dos seus dias a viver com gente da mesma idade? A cultura de muitos dos idosos é terminar os seus dias em casa, conservando a sua privacidade e independência a todo o custo. No entanto, constato que na minha experiência profissional, tenho alguns casos de idosos que tomaram consciência e atitude de sair de casa, preferindo abandonar a solidão e criar novos laços. Um novo paradigma social.

Um dia aprendemos que nada é nosso, tudo é emprestado. Mais cedo ou mais tarde a vida vem e nos toma tudo de volta. O que fica são as boas recordações na nossa memória e na bagagem lembranças. Tudo o resto fica para trás. Casa é sinónimo de construção de cimento com tijolos mas lar é muito mais, é o espaço onde está o coração, os afetos e o aconchego. Lar doce lar.

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