Folha Agrícola

“A azeitona e a fortuna, às vezes muitas, às vezes nenhuma”

By Jornal de Cá

December 21, 2021

Por Hugo Vieira*

Chegámos a novembro e iniciou recentemente a campanha da azeitona na nossa região e, felizmente, como diz o ditado, depois de um ano menos produtivo a nível nacional, esta campanha aparenta trazer boa produção à semelhança de outros produtos agrícolas.

Apesar da cada vez maior produção em olival intensivo e super-intensivo (de variedades especificamente adaptadas a esse tipo de produção), continuamos a ver muitas famílias a aproveitar as nossas tradicionais azeitonas “Galega” e “Cobrançosa” (entre outras com menor expressão) para produzir azeites “tradicionais” de grande qualidade, mas que muitas vezes escapam ao comum consumidor.

Os lagares modernos também já simplificam mais o processo de extração, preservando melhor os aromas do azeite, ao mesmo tempo que conseguem uma melhor acidez e ausência de defeitos (desde que a matéria-prima seja boa). Também com os novos processos de extração, é possível trazer o azeite de forma mais expedita e iniciar o seu consumo mais cedo.

Se tem algumas oliveiras e quer começar a experimentar a fazer algum azeite, saiba como o fazer. Pode entregar no lagar à troca direta do azeite do lagar (entrega “x” kg de azeitona e o lagar entrega-lhe os litros correspondentes à produção média do mesmo menos a sua margem). Este processo é normalmente ideal para pequenas quantidades entregues de cada vez. Pode também mandar fazer o azeite das suas próprias oliveiras, mas aqui requere-se uma quantidade mínima (que pode ser diferente de lagar para lagar, mas costuma rondar os 400 kg). Ao mandar fazer o seu próprio azeite pode pagar por quilograma de azeitona entregue, ou mandar fazer “à maquia”, em que o lagar retira uma proporção do seu azeite que serve de remuneração ao lagar. Tenha em atenção que não deve ter a azeitona “em espera” muitos dias pois corre o risco de apodrecer antes de chegar ao lagar.

Seja qual for a forma, ou mesmo que decida comprar a um produtor local, é sempre importante saber a acidez do azeite, percebendo assim a sua classificação para poder comparar com o que encontra no supermercado já embalado.

Assim, o azeite pode-se classificar em 5 tipos:

Aproveite a boa campanha que se prevê e faça o seu próprio azeite ou compre a um produtor local. Vai ver que sentirá a diferença no sabor e no valor.

* Hugo Vieira é consultor agroalimentar. Artigo publicado na edição de novembro do Jornal de Cá.