A diabolização dos mercados financeiros

Opinião de Jorge Honório

O mercado financeiro é um mecanismo que permite a compra e venda de valores mobiliários, de mercadorias e outros bens. Um fundo de investimento é um organismo de investimento coletivo em valores mobiliários, gestor de uma imensa carteira de títulos detida por inúmeros investidores que aplicam em comum o seu dinheiro; o conjunto deste património é gerido por uma equipa de especialistas, a sociedade gestora, que pertence quase sempre a uma instituição financeira.
Dito isto, surge a pergunta inevitável: onde é que o meu caro leitor pensa que está guardado o seu dinheiro? E o dinheiro da Segurança Social, para a qual descontou toda uma vida? Num cofre, fechado a sete chaves, com o seu nome lá inscrito a letras garrafais? Desengane-se! Está entregue a fundos de investimento e aplicado nos mercados financeiros, os tais fundos e mercados que tantos criticam e diabolizam e que “exploram os países e os povos”.

Até lhe digo mais: porventura, e sem que você saiba e tenha autorizado, o seu dinheiro pode estar neste momento a financiar um regime ditatorial ou uma fábrica de armamento militar, de produtos pouco amigos do ambiente ou de exploração infantil. O dinheiro actualmente não tem rosto: são streams, fluxos de dados num sistema computacional!

Contudo, as alternativas ao modelo capitalista não existem e as que existiam faliram, pelo que as novas e melosas nuances ditas de “economia de rosto humano”, mais não são do que maquilhagens para captar votos e/ou reconfortar egos angustiados, porque muito comprometidos com o “hediondo” sistema.
O crédito, no passado como no presente, surge como um elemento fundamental na decisão de investimento e de constituição de capital das empresas, e sem estes investimentos não há inovação, desenvolvimento económico ou criação de empregos. E é fundamentalmente através dos fundos e mercados que as economias modernas se financiam, goste-se ou não.

Podemos e devemos redistribuir melhor a riqueza, minimizar os efeitos perversos do capitalismo atual, sem dúvida, mas a “diabólica” fonte de financiamento continuará a mesma: os mercados financeiros, a usura, a procura incessante dos bons juros por quem investe ou aforra. A natureza humana é assim!

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