A Grécia: E agora? A situação em Portugal

Opinião de Ana Benavente

Nunca é demais dizer que também me sinto GREGA.

1. A vitória do Syriza representa o regresso da esperança. Perante a correlação de forças na UE, a tarefa parece quase impossível. O seu êxito poderá ser improvável, mas que o Syriza se atreva a tentar dá-nos mais esperança do que tivemos nas últimas décadas.

2. Fui fundadora da Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida (IAC), criada em 2011 por pessoas de diversas áreas. É evidente que, dum modo ou doutro a dívida pública, criada sobretudo a partir dos bancos foi “socializada” porque passou de dívida privada a dívida pública. E é claro que tem que ser renegociada de modo a ser compatível com a democracia e com os direitos humanos porque todos somos credores.

Alguém tem que ter a coragem de dizer NÃO à austeridade e de falar no interesse do seu povo e não dos especuladores financeiros e dos neoliberais nesta EUROPA ALEMÃ.

3. Olhando para a história, vemos que as dívidas soberanas têm sido a arma para decidir o destino dos povos europeus mais periféricos. E o que é grave é que têm obtido a concordância obediente dos seus governos. Ora nunca o mundo evoluiu positivamente através da obediência passiva, mas sim através da ousadia. Ou não foi assim?

4. Os que chamam às propostas gregas “um conto de crianças” são os que, nestes últimos três anos, para impor a austeridade, manipularam o MEDO e a CULPA, fáceis de usar em países de tradição judaico-cristã. Ora os gregos recuperaram a sua dignidade dizendo NÃO, “queremos negociar como pares, as propostas serão nossas e não um guião imposto pelos tecnocratas da troika”.

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5. Em Portugal, está à vista o Estado desejado pelo Governo PSD/CDS: o Estado mínimo neoliberal. É o Estado da sopa dos pobres, das esmolas, da caridade e da assistência social. A desregulação do mercado de trabalho tem sido brutal (passámos de cerca de um milhão e 900 mil trabalhadores ao abrigo de contractos colectivos de trabalho em 2008 para pouco mais de 240 mil em 2014 revela a extensão da precarização).

A pobreza está de regresso a Portugal, tal como aconteceu na Grécia e atinge quase dois milhões de portugueses. Segundo dados da UNICEF, 27 por cento das crianças estão em situação de pobreza e de carências de toda a ordem (só a Roménia e a Bulgária nos ultrapassam nesta triste realidade).

Na Educação, este é o governo dos quatro D’s: desinvestiu, destruiu a educação de adultos, desvalorizou os professores e desorganizou o ano lectivo.
Nos últimos tempos, face a tantas desgraças, a ÚNICA ALEGRIA VEIO DA GRÉCIA, QUE ROMPEU O CERCO, PORQUE A DÍVIDA NÃO SE PODE TRANSFORMAR EM SERVIDÃO PERPÉTUA.

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