A “joia da coroa” do Cartaxo

Foi desta forma que o comandante David Lobato se dirigiu aos seus homens e mulheres, no 83º aniversário dos Bombeiros Municipais do Cartaxo, no último dia de novembro, mês em que o Jornal de Cá acompanhou as rotinas do quartel, confirmando e subscrevendo este elogio

No quartel dos Bombeiros Municipais “não há um dia igual”, alerta-nos David Lobato, comandante desta corporação há mais de seis anos, tendo assumido antes disso, em 2005, as funções de adjunto de comando nesta mesma corporação. Passar um dia com os bombeiros era já, desde há muito, uma ideia do Jornal de Cá, pela abertura e disponibilidade que sempre mantiveram com o jornal, demonstrando transparência nas suas ações, colaborando sempre com o intuito de melhor informar a sua população. E é, acima de tudo, por isso, mas também pelo carinho e orgulho que a população nutre pelos seus bombeiros, que lhes dedicamos estas páginas, numa altura em que se celebra, com pompa e circunstância, mais um aniversário desta corporação que, de entre as cerca de 30 corporações distritais, é das mais bem equipadas e das que mais serviços presta em socorro da comunidade.

Com uma frota de cerca de 15 viaturas, entre ambulâncias, veículos de combate a incêndios e de catástrofes, carros de comando, bem como meios de salvamento aquático, o quartel está equipado de meios técnicos, mas “efetivamente, para as nossas exigências e para a exigências do Município, em termos de serviço, temos de pôr mais gente. Neste momento estamos com um quadro de pessoal de 37 pessoas, mas já a contar com os elementos de comando e é manifestamente insuficiente”, lamenta David Lobato, congratulando-se, contudo, com a nova lei que permite a reclassificação na carreira dos bombeiros municipais a bombeiros sapadores, “que é de inteira justiça”.

Já voltaremos a este assunto, tão caro aos nossos bombeiros, ainda que a lei não traga justiça a todos os homens e mulheres desta corporação, visto que entre eles ainda há voluntários que ali prestam o seu serviço, com o mesmo rigor e dedicação, “de borla”, numa missão que os próprios designam como “a proteção de pessoas e bens, designadamente, o socorro a feridos, doentes ou a náufragos e a extinção de incêndios”.

Um dia no quartel dos bombeiros
Os dias no quartel dos Bombeiros Municipais do Cartaxo começam cedo, ainda que não haja interrupções no serviço, pois nesta casa há sempre gente a postos, a qualquer hora do dia e da noite, para qualquer intervenção de socorro ou emergência médica pré-hospitalar. Contudo, sendo esta uma casa em que se exige muita organização e coordenação, no seu dia a dia, alguns minutos antes das 8 horas da manhã, é feita a formatura das 8h, onde é feito o resumo do dia que ali começa, onde marcam presença os elementos desse turno e se distribuem tarefas.

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Escolhemos um dia com céu pouco nublado e poucas probabilidades de chuva, mas com temperaturas mais baixas e lá fomos, depois de devidamente combinado com o comandante, abrir o dia no quartel e acompanhar os bombeiros nos seus afazeres. Poucos minutos antes de chegarmos, saíam dois carros (ambulância e veículo de desencarceramento) para um acidente na Estrada Nacional 3 – despiste de um pesado antes da curva e contracurva que antecede o cruzamento da Cruz do Campo obrigou ao condicionamento do trânsito, tendo o condutor do veículo sido transportando pelos bombeiros para o Hospital Distrital de Santarém, enquanto ferido ligeiro.

Menos quatro elementos na formatura desta manhã de meados de novembro que, com todo o rigor e protocolo exigido, sem esquecer o brilho das botas, foi dirigida pelo adjunto de comando Vítor Rodrigues que havia de nos receber, encaminhar e acompanhar, nas primeiras horas da manhã.

O dia a dia no quartel dos bombeiros nunca é igual, ainda que haja tarefas diárias de rotina e outras programadas para o dia, há sempre a incógnita do que poderá acontecer fora dali em termos de serviços de socorro e emergência. Em poucos minutos, tudo pode mudar e alterar alguns planos, pois a equipa é pequena e caso haja várias situações de saída de emergência – fazem uma média de oito, por dia – poucos ou nenhuns restam no quartel. Não foi o caso, no dia em que lá estivemos. Terá sido um dia calmo, dizemos nós, mas com muitos afazeres.

Neste dia estava programada uma formação de extintores a uma empresa do concelho. São serviços prestados pelos bombeiros a empresas no âmbito das suas competências, tal como o curso de primeiros socorros e até simulacros em empresas de modo a ‘treinar’ todos os funcionários a saber agir em caso de emergência – e até os bombeiros que melhor ficam a conhecer o espaço, em caso de possível intervenção futura num qualquer acidente.

Depois de uma aprendizagem a nível teórico, sobre extintores: tipo de extintor, tendo em conta o tipo de incêndio (quantidade e tipo de material combustível), seu manuseamento, entre outras informações, assistimos à parte prática da formação. Os alunos tiveram oportunidade de experimentar apagar um fogo com extintores de pó químico e extintores de CO2, num espaço exterior do quartel, perto da torre de treino (que permite o treino de escalada, mas acima de tudo existe enquanto equipamento de treino a incêndios urbanos. Mas já lá vamos, porque não podemos deixar de contar a galhofa que foi ver três bombeiros a tentar fazer fogo. Depois de um dos equipamentos, a gás, usado para estas formações, ter falhado quando se esperava que de lá saíssem labaredas, foi necessário recorrer a paletes de madeira e combustível para conseguir criar fogo, o que também não se revelou fácil. Mas lá se conseguiu fazer fogo e, posteriormente, ensinar a apagar o fogo, em segurança.

Pecar por excesso, para nada falhar
Enquanto ia preparando a sala para receber o grupo da formação, tivemos oportunidade de ir conversando com o adjunto de comando Vítor Rodrigues que, em tom informal, nos foi falando destas atividades de formação prestadas pelos bombeiros à sociedade civil, mas também da necessidade dos próprios bombeiros receberem formação nas mais diversas áreas de intervenção das suas missões. Conta-nos, por exemplo, que diariamente há um momento de formação interna, normalmente adequada à estação do ano e ao estado do tempo, em que é treinado determinado exercício, de modo a que os bombeiros estejam sempre bem preparados para o executar. Afinal, não é todos os dias que se veem obrigados a escalar um edifício e, antes disso, a preparar cordas para o fazer, por exemplo, ou a criar estruturas em edifícios que ameacem colapsar numa determinada situação de socorro… Para além destas, também participam em ações de formação adequada para o exercício da missão de socorro e ainda à frequência de cursos, colóquios, seminários e outras ações destinadas ao aperfeiçoamento técnico.

“Pecamos sempre por excesso”, afirma Vítor Rodrigues, referindo-se às intervenções dos bombeiros em casos de socorro e emergência, em que nada pode falhar, logo, têm de estar sempre preparados para atuar em todos os serviços. E todos os segundos contam, quando são chamados a atuar: todo o equipamento está preparado para sair de emergência sem perder tempo; as fardas para incêndios estão preparadas, com as calças já enfiadas nas botas, de modo a vestir tudo o mais rapidamente possível assim que seja dado o sinal de emergência.

E para que tudo esteja a postos para uma saída de emergência é preciso que todos os dias, e assim que voltam de um serviço, façam a necessária limpeza e manutenção do espaço e equipamentos. Como pudemos assistir, todos os veículos são inspecionados e testados, diariamente, pois nunca se sabe quando têm de sair, e quando saem têm de estar em pleno funcionamento e munidos de todos os equipamentos e materiais necessários às intervenções a que se destinam. E como nada é deixado ao acaso, até o espaço da garagem do quartel, que abarca vários veículos de diferentes tamanhos e propósitos, está devidamente dividido e delineado no chão para que todos caibam, ordenadamente, de forma a que os veículos de emergência estejam posicionados prontos a sair de imediato.

Durante estas operações de rotina, enquanto uns limpavam o imenso chão da garagem, vimos outros bombeiros testar os diferentes apetrechos, como mangueiras ou a imponente grua de um dos veículos de socorro, capaz de içar 14 toneladas; espreitámos para dentro de algumas das muitas caixas devidamente identificadas e empilhadas num outro veículo de socorro e assistência a grandes catástrofes, onde dispõem de todo o tipo de material destinado ao socorro e apoio às operações de salvamento, desde blocos empilháveis, a cordas, entre tantos outros instrumentos, que, à vista, a nós pouco nos dizem, mas que podem tornar-se em poderosas ferramentas de apoio a várias situações de catástrofe enfrentadas pelos bombeiros.

Todo o material (consumíveis) é gerido de forma prática e rigorosa, com acesso reservado à sala de stocks onde se registam todas as saídas, e com o material disponível para o abastecimento, por exemplo, das ambulâncias, que assim que chegam ao quartel depois de um serviço de emergência são logo limpas e abastecidas de todo o material utilizado no serviço, para que não fique em falta na emergência seguinte, que pode ser de imediato.

Robustez física e psicológica
Quase a deixar-nos, por instantes, na companhia do comandante dos Bombeiros do Cartaxo, Vítor Rodrigues foca-se nos seres humanos que ali comanda e lembra a “imprescindível” robustez física (e também psicológica), pois “isto é duro”, admite o adjunto do comando.

Realmente, vistas bem as coisas, estes homens e mulheres têm de estar bem preparados para os vários embates do dia a dia da sua profissão. Se, por um lado, é necessária uma boa compleição física para determinados serviços mais “duros”, por outro, é necessária uma grande humanidade, coragem e capacidade de discernimento para atuar em situações limite, em que, muitas vezes, a vida e a morte competem entre si.

Mas os nossos bombeiros demonstram estar bem preparados. E não será por falta de equipamentos de treino. Na volta que dá connosco ao quartel, David Lobato mostra-nos alguns espaços que promovem toda esta preparação: um ginásio, ao lado da oficina, onde podem praticar algum exercício para manterem a forma física, ainda que a falta de disponibilidade de tempo para o fazer não permita a regularidade desejada pelo comandante. Já a prática de ténis de mesa vai sendo mais frequente, num ou noutro momento mais descontraído.

Outro espaço muito útil e bem equipado – ainda que estorricado – é a torre do quartel, onde de seis em seis meses, efetuam treinos/ testes de incêndios urbanos. Esta torre serve de modelo de um prédio, cujo interior tem divisões que simulam cozinhas, salas, quartos, hall de entrada, num ambiente escuro e sinistro, onde é largado fogo para testar o resgate de vítimas e a extinção dos incêndios, tal como se se tratasse de uma emergência real, numa ou mais habitações. É uma forma de treinarem estas situações de socorro, que não acontecem diariamente, melhorarem tempos e modos de atuação em casos reais. Passando do fogo para a água, de referir que ali ao lado se encontra um tanque de água, por vezes aproveitado para treinos de socorro aquático, também outras vezes realizado no Rio Tejo.

Mas nesta ronda às traseiras do quartel encontramos, também, parte da história dos nossos bombeiros: duas peças de museu que, infelizmente, não cabem no Museu dos Bombeiros Municipais do Cartaxo, situado no primeiro piso do edifício sede e que reúne, orgulhosamente, peças e imagens dos seus mais de 80 anos de história. Um jipe, mais resguardado na oficina, e um carro escada ao relento, ambos do século passado, que já não têm uso no quartel, mas que ainda servem para contar um pouco da sua história, quando ainda era comum fazer soar a sirene para chamar pessoal. Atualmente, “já não temos o hábito de ligar a sirene, comunicamos mais por mensagem, por telemóvel. A sirene funciona, mas só na passagem de ano, à meia-noite”, conta o comandante.

Eficiência e rapidez no socorro
Já na central, por onde passa toda a informação, enquanto nos familiarizávamos com o reduzido espaço ocupado por um operacional que nos mostrou o trabalho a desenvolver naquele posto, tivemos oportunidade de assistir à chegada de uma chamada de emergência e posterior chamada interna, com um toque de campainha e informação ao microfone sobre o tipo de emergência, neste caso doença súbita – dos casos de emergência mais comuns. Em segundos, os elementos destacados para aquele serviço entraram na central, para recolher mais informação sobre o serviço, nomeadamente o local, assim como os aparelhos de comunicação, para se manterem em contacto com a central. Foi tudo tão rápido e, ao mesmo tempo, tranquilo, que até ouvirmos (e vermos) a ambulância arrancar, não tivemos capacidade de registar os tempos…

É ali que, como descrevemos atrás, se recebem as chamadas do CODU (Centros de Orientação de Doentes Urgentes)/ INEM, depois de os utentes em situação de emergência ligarem o 112, e também é ali que vai sendo feito todo o acompanhamento e registo das ocorrências em curso, bem como os registos de saídas e meios disponíveis no quartel. Para além da atenção ao telefone e ao telemóvel, quem está de serviço na central tem à sua frente três ecrãs com estas informações atualizadas e também com as páginas do google maps e dos CTT abertas, para conseguir perceber de forma mais rápida e precisa o local exato das ocorrências, evitando falhas no percurso para chegar o mais rápido possível.

E é também para estar mais próximos da comunidade que, nos últimos meses, os Bombeiros Municipais do Cartaxo passaram a comunicar as suas atividades nas redes sociais, com o resumo semanal de ocorrências, assim como informações úteis à população que passam por questões de segurança e prevenção. É também nestes moldes que veem a sua missão, enquanto agentes da proteção civil. É através da informação e da formação que ajudam a manter a sociedade civil mais bem preparada para prevenir acidentes e até para agir em conformidade em situações de emergência.

E é neste sentido que David Lobato realça a importância dos bombeiros voluntários. “Eu não queria acabar com o voluntário, porque numa situação que um dia poderá ocorrer todas as pessoas não vão ser suficientes. É necessária a formação, na questão da cidadania, da pessoa ter formação naquela área. Numa situação de catástrofe, um grande sismo, por exemplo, as primeiras pessoas que vão ajudar são as pessoas, porque os serviços de socorro e emergência, primeiro que se consigam organizar, não chegam no imediato ao local e não vão ser suficientes. Numa primeira fase, ninguém vai estar lá para ajudar ninguém, vão ser as próprias pessoas, no local, a ajudar”. Contudo, o comandante lamenta que o Estado não comparticipe os seus voluntários, por estarem integrados numa corporação de bombeiros municipais, comparticipando apenas os voluntários das corporações de bombeiros voluntários. “Estamos a ser extremamente prejudicados”, reclama

Dos 37 elementos da corporação de bombeiros do Cartaxo, há nove mulheres, quatro das quais voluntárias. A estas quatro juntam-se mais oito homens que ali dão tudo, sem nada receber. Esta e outras questões estão ainda por resolver, apesar de as recentes alterações na legislação imprimirem alguma justiça nas carreiras e respetivas remunerações de muitos dos nossos bombeiros, que passam de municipais a sapadores.

Segundo o comandante, “temos voluntários e temos dois tipos de profissionais: bombeiros e assistentes operacionais que fazem serviço de bombeiro. Vamos colocar vagas (a nível interno) para colocar toda a gente na mesma função – bombeiros sapadores – e vai haver aqui um aumento substancial daquilo que são os ordenados do pessoal. São seis bombeiros municipais que vão passar a sapadores e, em janeiro, está programado o concurso para regularizarmos a situação dos 28 assistentes operacionais, que é de inteira justiça, porque eles, neste momento, ganham o ordenado mínimo, com o trabalho que é e o risco que tem [passam a receber mais cerca de 300 euros]. Para também eles passarem a bombeiros sapadores têm de passar nas provas físicas e escritas”.

Comemorações do 83º aniversário
Em vésperas das comemorações do 83º aniversário, há muito a preparar para a festa e cerimónias solenes do dia. Como tal, havíamos de voltar ao quartel uns dias depois para assistir aos ensaios da formatura para as ditas solenidades, como o hastear da bandeira, a receção aos convidados de honra, a homenagem aos bombeiros já falecidos no memorial a eles erigido e na própria sessão solene, onde seriam atribuídas distinções e condecorações a alguns dos elementos da corporação. Tudo teria de ser perfeito.

Depois de praticamente todos alinhados, e feita a chamada à qual se exige uma resposta pronta e entoada, o comandante recorda algumas exigências do protocolo, como o uso do lenço e das luvas brancas a compor a farda de cerimónia, e atribui tarefas e competências. O ambiente descontraído que nos habituamos a ver no decorrer do dia transforma-se aqui mais formal, sendo bem notório o respeito pelo protocolo e pela hierarquia.

O ensaio da cerimónia dura cerca de 45 minutos, repetindo-se mais do que uma vez todos os momentos cruciais, para que nada falhe. Marcam-se espaços, ensaiam-se passos, toques e vozes de comando, continências, tendo sempre em conta as regras e procedimentos bem definidos, com exigência por parte do comandante e fiscalização e correção de posturas e movimentos por parte do adjunto de comando, que na cerimónia alinhará na formatura à frente dos seus bombeiros.

Cerimónia do 83º Aniversário

E eis que, a cerca de dez minutos do final do ensaio, toca a campainha e ouve-se a chamada para emergência de doença súbita. Dois elementos saem da formatura, não sem antes pedirem licença ao comandante, para seguirem, segundos depois, na ambulância em modo de emergência. Mas, à saída, um deles ainda havia de lembrar que lhe guardassem uma febra, quebrando, por breves momentos, a formalidade do momento e extraindo algumas risadas do grupo. Isto porque enquanto ensaiavam já se ia tratando das brasas para um jantar de confraternização.

Obviamente que esta saída de emergência não estava programada, mas também serviu de ensaio, uma vez que durante a sessão solene do aniversário houve duas saídas de emergência. Mas tudo havia de correr na perfeição, não fosse a chuva que impediu que a cerimónia solene decorresse ao ar livre. Nada que não estivesse já previsto, estando preparado todo o espaço que habitualmente alberga as viaturas e meios técnicos de socorro e salvamento para receber todos os convidados, dos quais destacamos a presença da Secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, do diretor nacional de bombeiros, Pedro Lopes, em representação da Autoridade Nacional de Proteção Civil, do comandante distrital, Mário Silvestre, do vice-presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, José Salvado, representante da Associação de Bombeiros Profissionais, Domingos Morais, assim como do presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, entre outros autarcas e forças de segurança do concelho, sem que faltassem vários representantes de outras corporações de bombeiros, familiares e amigos dos bombeiros do Cartaxo.

Promoções, distinções, agradecimentos e recados
O início da cerimónia ficava marcado com promoções, condecorações, distinções e agradecimentos, sendo atribuídas novas divisas e galões aos seguintes elementos: sub-chefe de segunda Joaquim Brasileiro, sub-chefe de primeira Luís Ramalho, sub-chefe de primeira Pedro Quitério, sub-chefe de primeira Fernando Reis, sub-chefe principal António Loureiro, sub-chefe principal Sérgio Duque. De seguida, seria distinguido com a medalha de assiduidade grau ouro, dedicação por 25 anos de bons e efetivos serviços à causa dos bombeiros, atribuída pela Liga dos Bombeiros Portugueses, o bombeiro de primeira António João Joia Marques. Já depois da intervenção do presidente da Câmara, seria atribuído um louvor municipal, pelo elevado espírito humanista, a competência profissional e a excelência da entrega ao serviço da causa pública nos auxílio às populações em risco em Moçambique, ao adjunto do comando Vítor Rodrigues e ao chefe principal António Loureiro, que em março deste ano se juntaram à missão portuguesa de auxílio às populações atingidas pelo ciclone Idai.

Depois disto, David Lobato começava por agradecer ao seu corpo de bombeiros “a entrega e dedicação, o brio e o espírito de corpo, para que até hoje tudo tenha sido justo e perfeito”. E os elogios do comandante não ficavam por aqui. “Vocês, bombeiros do Cartaxo, são a joia da coroa. Têm sido os responsáveis pela excelência desta organização”, exclama, congratulando os seus homens e mulheres pelo “excelente” trabalho desenvolvido e dando nota dos números de operações em que estiveram envolvidos ao longo deste último ano: 84 acidentes de viação, 50 incêndios urbanos, 144 incêndios florestais, 2750 emergências pré-hospitalares, 30 conflitos legais, 45 intervenções em riscos naturais, tecnológicos e sociais, uma missão internacional em Moçambique, um exercício internacional, onde participaram em três tipologias de exercício: resgate aquático, estruturas colapsadas, acidentes de viação. Valorizou todo este trabalho, assim como felicitou os seus homens ali agraciados e reclassificados, pedindo que “continuem com disponibilidade e compromisso para que sejam um exemplo entre os seus pares e continuem a ser homens e mulheres com responsabilidade, brio e dedicação e amor à causa”.

Por outro lado, David Lobato agradeceu ao presidente Pedro Ribeiro todo o apoio que vem dando aos seus bombeiros, para que nada lhes falte, assim como “o empenho demonstrado na luta pela nova legislação”, que veio dar hoje a estes homens e mulheres a efetiva e merecida justiça”. Ainda que não considere perfeita esta lei, o comandante congratula a tutela “pela coragem de ter resolvido esta injustiça”, acreditando que a mesma “terá também a capacidade de alterar algumas lacunas, como a idade de aposentação, a questão da articulação entre sapadores e voluntários e ainda o pagamento da disponibilidade permanente, que terá de ser clarificado”, pedindo à secretária de Estado que “consiga concluir e trazer justiça na alteração do financiamento aos corpos de bombeiros detidos por autarquias”. Apenas querem que seja uma lei transversal também a estes corpos de bombeiros.

A finalizar, e deixando de lado a referência que havia preparado para a Liga dos Bombeiros Voluntários, por esta não estar presente, David Lobato deixou um “sincero agradecimento aos comerciantes e empresas do concelho que colaboraram com o nosso almoço de aniversário”, doando os mais diversos produtos alimentares que proporcionaram o habitual convívio em volta da mesa.

Por sua vez, Pedro Ribeiro sublinhou “o reconhecimento público do orgulho que o Município do Cartaxo tem pelo seu corpo de bombeiros, pela sua competência profissional, por nunca deixarem ninguém para trás, pela coragem e pelas provas de bravura sempre que chamados a defender vidas, pelo esforço inexcedível com que encaram esta sua nobre missão, orgulho de todos os cartaxeiros, de todas as freguesias, por esta história de 83 anos”.

Nas palavras do presidente, “temos dado prioridade ao investimento da nossa corporação: a asfixia financeira que temos vivido na última década nunca nos fez regatear esforços para tudo fazermos para continuar a dotar a nossa corporação com novos equipamentos, que aumentem a segurança dos nossos bombeiros e para reforçar a nossa capacidade operacional e de resposta às necessidades da nossa comunidade”, assumindo “a necessidade e a vontade de manter este serviço com elevados níveis de resposta e operacionalidade”.

Saudou a iniciativa do governo “que determinou a aplicação aos municipais das categorias e das remunerações dos bombeiros sapadores e a possibilidade de regularizar situações de assistentes operacionais e assistentes técnicos que exercem funções correspondentes ao conteúdo funcional das carreiras de bombeiro municipal e de bombeiro sapador”, considerando “reparada a injustiça que perdurava há demasiados anos”, ainda que “tal reposição de justiça representa para o Município um acréscimo de despesa acima dos 230 mil euros, por ano”. “Representa um grande esforço financeiro face às depauperadas contas municipais que este executivo municipal herdou e às diminutas receitas que arrecada face à enorme despesa que tem no âmbito da regularização da sua dívida. No entanto, é nosso entendimento que este esforço deverá ser compartilhado. Não existindo financiamento aos municípios detentores de corpos de bombeiros cria-se um desequilíbrio entre municípios que os têm e os que não os têm. Em consequência, penalizam-se aqueles que assumem manter um nível de operacionalidade elevado, já que a tutela não transfere qualquer contributo para esta capacidade de resposta acrescida”.

Filipa Maltieiro, representante da Assembleia Municipal do Cartaxo; Mário Silvestre, Comandante Operacional distrital; Patrícia Gaspar, secretária de Estado da Administração Interna; Pedro Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo; Pedro Lopes, diretor nacional dos bombeiros; David Lobato, comandante dos Bombeiros Municipais do Cartaxo; José Salvado, vice-presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém

Dirigindo-se à secretária de Estado, esperançoso de que será ela a pessoa indicada para o fazer, Pedro Ribeiro diz ser “urgente que o atual governo corrija uma situação que quanto mais se arrasta no tempo mais aumenta a discriminação do financiamento entre os corpos de bombeiros municipais e os corpos de bombeiros voluntários”. “Confiamos muito em si e apelamos para que, junto do senhor ministro da Administração Interna, junto do senhor ministro das Finanças, continue a apoiar-nos nesta causa de serviço público”, apelou o autarca, que finalizou com palavras de “gratidão a cada um dos 36 bombeiros profissionais e a cada um dos 12 voluntários que, por falta de legislação, pagam para ser bombeiros voluntários”.

Mostrando-se grata por se encontrar nas comemorações dos 83 anos dos Bombeiros do Cartaxo, a secretária de Estado reconheceu “que não está tudo perfeito”, dizendo-se disposta “a dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito ao longo dos últimos anos neste setor, em conjunto e de forma integrada, envolvendo autoridades centrais, autarquias, corpos de bombeiros e demais entidades que partilham responsabilidades nesta área”.

Patrícia Gaspar lembrou que “já começámos a dar os primeiros passos no sentido de garantir um debate sério com todos os parceiros que são relevantes do setor sobre aquilo que poderá ser o futuro dos bombeiros em Portugal, o futuro do voluntariado e sobre o papel dos bombeiros naquele que é o domínio alargado da proteção e do socorro, tendo sempre presente que a sua intervenção é decisiva para dar resposta aos objetivos do sistema e sobretudo às expectativas da sociedade em geral”, sem deixar de advertir que o trabalho a fazer “é garantidamente longo”, não podendo “garantir resultados imediatos, porque é importante garantir que o que se fará daqui para a frente é com medidas que possam ser estruturantes e sustentáveis naquilo que é o curto, o médio e o longo prazo”

Terminada a sessão solene, foi tempo de festa, à vontade, sem formalidades, num dia do ano especialmente caro aos nossos bombeiros, que num ambiente descontraído e familiar celebraram mais um ano de missão cumprida na proteção das nossas vidas e dos nossos bens, 24 horas por 24 horas, colocando, muitas vezes, em risco as suas próprias vidas. E nós agradecemos.

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