A praga

Por João Frois

Estaremos a viver a maior pandemia mundial após o termo de 2ª guerra mundial. E com tanto avanço tecnológico e científico a verdade é que em poucas semanas já se percebeu que a civilização não estava preparada para tal fenómeno.

Há pouco mais de cem anos, no fim da 1ª grande guerra, surgiu a violenta e mortífera gripe espanhola que terá tirado a vida a mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, estimando-se que possa ter chegado a uns tenebrosos 100 milhões. A guerra tombou 8 milhões de seres.

O impacto destas pandemias é devastador.
Recuando no tempo até ao séc. VI dC surgiu a denominado praga de Justiniano. Uma peste preumónica que dizimou milhões de seres.

Em plena Idade Média, em meados do séc. XIV, surgiu a terrível peste bubónica que ficou na história como peste Negra. Está infeção bacteriana varreu a velha Europa e terá morto cerca de 75 milhões de pessoas, um terço da população e mudou o curso da evolução civilizacional, vindo a criar as bases para o Renascimento, algumas décadas mais tarde. O continente só estabilizou no séc. XVII.

Foi nesta época devastadora que surgiu o termo Quarentena. O porto de Veneza, um dos mais concorridos e importantes nas trocas comerciais na Europa, por achar que a peste vinha pelo mar, exigia que cada barco que se aproximasse ficasse quarenta dias parado até se provar que não tinha peste dentro da sua tripulação. Não se conhecia a origem nas pulgas que os ratos faziam chegar a todos os reinos facilmente.

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Modernamente e graças ao conhecimento adquirido sobre as várias estirpes de vírus e bactérias, a quarentena comum é de 14 dias.

Temos vivido estes últimos dias, muitos de nós, nesta realidade, na sua variante voluntária após aconselhamento mas não faltará muito para que seja imposta a obrigatória face ao crescimento do numero de infetados.

São tempos duros e que nos obrigam antes do mais a não socializar. Passou a ser perigoso o contacto físico e a proximidade. Os riscos de contágio são enormes.

E num mundo moderno onde “estar parado é estar morto” este é um desafio tremendo. Gestos considerados rotineiros são agora pequenos luxos. Um numero elevado de pessoas está em casa e só sai para comprar comida e outros bens essenciais e ir à farmácia. Quem ainda se movimenta não terá outra hipótese, seja por ser profissional de saúde, trabalhar em empresas de fornecimento de energia e água, agentes de autoridade ou a sua função não ser compatível com tele-trabalho.

Os exemplos ao nosso lado são dramáticos. Itália continua a ser o país a braços com a maior crise humanitária alguma vez pensada, com números de infetados e mortos na casa dos milhares. Mesmo em quarentena obrigatória vivem um pesadelo que nem Dante poderia prever no seu Inferno.

Espanha não está melhor e vive igualmente já em estado de emergência nacional, com fronteiras fechadas e obrigação se permanecer em casa. França e Alemanha assistem ao crescimento da pandemia e também se fecham. Os países nórdicos igual. O Reino Unido ainda não acordou para o perigo mas já está sobre brasas. E os EUA, país onde não existe um Serviço nacional de Saúde, estão em descontrolo face ao crescimento rápido do vírus. Sem as bondades de um SNS o futuro adivinha-se negro por terras do tio Sam. E são já mais de 100 os países com focos de infeção que se percebe estar imparável.

Os impactos são avassaladores na economia mundial. Sem consumo todas as empresas estão em risco e o drama é notório no turismo e restauração, primeiros a sentirem a perda abrupta de clientes com o colapso do turismo.
Mas muitos outros irão penar. Sem dúvida que estamos a viver o maior desafio a nível mundial desde a 2ª guerra mundial. Este conflito militar matou milhões, destruiu cidades e empresas, parou atividades culturais e desportivas e levou a mudanças enormes que anos mais tarde permitiram avanços sociais e económicos sem paralelo. Mas agora com esta pandemia do Covid19 podemos assistir a danos de maior grau em muito menos tempo. Cada semana de estagnação é um aperto nas contas de quem depende da livre circulação de pessoas e bens, ou seja, todos nós.

Vivemos agora o dilema odioso, não entre liberdade e segurança, mas entre economia e saúde, com a vida humana na primeira linha.

Todos os atrasos na tomada de decisões dos vários governos tiveram na sua génese a tentativa, pífia, de salvar a economia. Tardaram em fechar-se fronteiras, portos e aeroportos mas será inevitável face aos avanços do vírus.

Há que tentar perceber que mais vale parar por algumas semanas para ser possível estancar a progressão deste desconhecido Corona vírus, do que vários meses de luta sem quartel sem fim à vista e aí sim com danos incalculáveis para a economia mundial e a vida de todos nós.

Todos iremos ter de fazer muitos sacrifícios é certo. E não esmorecer e usar os benefícios da tecnologia para nos mantermos próximos. Temos essa vantagem, saibamos usá-la.

Ninguém sabe o que aí vem. A palavra de ordem é coragem. E de mão dada com uma coriácea resiliência que nos permita sobreviver a tamanha contenda.

Boa sorte e saúde a todos. Bem hajam, pelo futuro da humanidade!

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