A terra dos sonhos

Opinião de José Barreto

Nesta crónica vou-me permitir abordar um tema recorrente em toda a imprensa e na opinião pública, desde o início do surto epidémico: a «Festa AVANTE!».

Desde a sua primeira edição, em 1976, em que foi atacada à bomba, até à sua implantação, na Quinta da Atalaia, a Festa sempre sofreu boicotes de todo o género para impedir a sua realização.

A discussão, tornada pública por quem tem interesse neste tipo de debates, utiliza o argumento entre o facto de a Festa ser um festival ou uma iniciativa política. Nada mais pueril: nem os festivais, nem as iniciativas políticas estão proibidas. Face à pandemia, todos têm de cumprir regras que a DGS determinou, sobretudo ao nível do distanciamento físico. O que acontece com os festivais é que os seus promotores não querem perder a rentabilidade e preferiram adiá-los.

Só pode dizer que o AVANTE! é um festival quem tem algum preconceito em relação ao mesmo ou quem nunca lá foi. Qual é o festival onde há debates sobre a produção nacional, sobre o euro, sobre a educação, a saúde, o emprego, sobre a juventude, a terceira idade, sobre política internacional, etc.?

O desporto, teatro, cinema, a arte e as letras estão sempre presentes. A feira do livro e a feira do disco, também.

Mais artigos
1 De 291

Iniciativa política sim, sem dúvida!

A pretexto do surto epidémico invocam-se todos os deuses e diabos, e até a Constituição, para proibir esta iniciativa política que também tem muita e boa música: este ano, devido às contingências, só com artistas lusófonos.

Quem, como eu, todos os anos passa três dias na «TERRA DOS SONHOS» acredita que os mesmos não se tornarão em pesadelo.

É para o coletivo partidário um grande desafio implantar um evento destes nos trinta hectares ao ar livre, da Quinta da Atalaia. Com o empenho e a criatividade que caraterizam a sua organização, não será difícil a realização da Festa, com muito mais segurança que aquela que temos notícia ter ocorrido nos espetáculos do Campo Pequeno, pontuando a presença de altos dignatários da Nação.

A regra fundamental é cumprir as indicações da DGS: o Partido Comunista Português, ao longo dos seus 99 anos de vida, sempre demonstrou enorme responsabilidade e respeito pela saúde da População, o que se continuará a verificar nos dias 4, 5 e 6 de setembro.

Muito colocada pelos detratores da Festa, a questão do financiamento do Partido não passa de mais uma diabrura anti-comunista. Recordo que, enquanto os outros partidos políticos são financiados entre 60 a 80% pelo Orçamento do Estado (os partidos que votaram contra a proposta do PCP para diminuir estas subvenções em 40%), o mesmo representa apenas 11% do orçamento do Partido: este tem como principal fonte de financiamento as contribuições dos seus militantes, amigos do Partido e eleitos da CDU.

Tal como Jerónimo de Sousa afirmou «se não houver Festa, não acaba o mundo», mas haverá!

*Artigo publicado na edição de agosto do Jornal de Cá.

Pode gostar também

Comentários estão fechados.