Team Super 5: Uma história de persistência nas 24 Horas TT de Fronteira

O Team Super 5 estreou-se, em 2006, em Fronteira, nas 24 Horas TT, concretizando o sonho de um grupo de jovens que fundou o Terra Clube Vila Chã de Ourique e partiu à aventura. Depois de participar em sete edições desta competição de todo-o-terreno, o Team Super 5 finaliza os preparativos para a edição de 2019, “com todo o cuidado”, e lá vão estar a acelerar, nos próximos dias 30 de novembro e 1 de dezembro.

24 Horas TT e categoria Promoção B
As 24 Horas TT de Fronteira encerram, anualmente, o calendário do todo-o-terreno de competição em Portugal. A primeira edição desta prova de resistência organizada pelo Automóvel Club de Portugal teve lugar em 1998 e, ano após ano, tem confirmado o seu estatuto como a principal prova de resistência todo-o-terreno em solo europeu. Não é por isso de estranhar que a lista de inscritos seja cada vez mais internacional, com forte presença dos pilotos franceses, habituados que estão às competições de resistência que compõe o campeonato do seu país.

Desde o início que o lote de viaturas que marcam presença em Fronteira é bastante variado. Há de tudo um pouco, desde os melhores protótipos, carros do campeonato português de todo-o-terreno, jipes que outrora foram os melhores e cuja idade já não perdoa, carros atuais do Dakar, mas também os carros da categoria Promoção B, os quais um grupo de aventureiros teima em levar a Fronteira todos os anos. Os Promoção B são, basicamente, carros de estrada (não TT) aos quais apenas se podem fazer alguns reforços a nível de suspensão, mantendo praticamente intacto o aspeto original da carroçaria, motor e caixa de velocidades. Ao nível da segurança quase todos os equipamentos normais numa viatura de competição são obrigatórios.

Se a disputa pelos primeiros lugares é acompanhada com emoção pelo público, a corrida dos “loucos” da Promoção B não merece menos atenção. Os lugares da classificação passam para segundo plano e o que interessa mesmo é saber quantas voltas o Renault Super 5 já consegui dar, a ultrapassagem que a Peugeot 504 fez a um jipe com o triplo dos cavalos e aquela ‘atravessadela’ digna de WRC que o Datsun SSS fez. É uma autêntica prova dentro da prova e, no final, os que conseguem chegar ao fim são agraciados pelo público tal como se tratassem dos vencedores da corrida.

O Team Super 5
Foi em 2006 que o Team Super 5 se estreou em Fronteira. A ideia partiu de um grupo de jovens que acompanhava a prova desde o início e que tinha o sonho de um dia poder participar. Esses jovens fundaram uma associação, o Terra Clube Vila Chã de Ourique (ainda hoje continua ligada à organização de eventos de todo-o-terreno), para mais facilmente poderem pedir apoio aos patrocinadores, e partiram à aventura.

A escolha do carro foi fácil. Aliás, muito fácil. Como o orçamento era reduzido, um amigo ofereceu-lhes um velho Renault Super 5. O motor 1200 não os iria levar longe e, por isso, instalaram um 1700 do Renault 21. Com praticamente nenhum conhecimento em competição e um carro 99% de origem, alinharam nas 24 Horas TT 2006, por sinal, uma das mais duras de sempre. O mau tempo quase obrigou ao cancelamento da prova porque as condições de pista estavam duríssimas até para os 4×4. Mas apesar de ter dado pouco mais de 20 voltas ao circuito, o Renault Super 5 chegou ao fim. A partir daí o carro foi sendo sucessivamente melhorado, ano após ano, permitindo agora atingir perto de 80 voltas, sem problemas de maior. Tendo em conta que os vencedores das primeiras edições raramente ultrapassavam as 100 voltas, nada mau! Depois de 2006, seguiram-se participações em 2007, 2008, 2010, 2012, 2015, e 2017 com vários pódios e vitórias na categoria Promoção B. Este ano a equipa alinha, de novo, naquela que será a oitava participação.

Edição 2019 – Preparação e objetivos
A participação do Team Super 5 está a ser preparada com todo o cuidado. O principal componente a ter em atenção são as suspensões, sem dúvida o que mais sofre nos 15 km do terródromo alentejano. A parte elétrica é revista, e ao nível do motor é feita uma revisão normal como se de um carro do dia a dia se tratasse, porque, como diz Francisco Martins, piloto desde 2006, “o motor é o que menos sofre porque o que interessa durante a prova é rolar, por forma a não dar cabo da mecânica”.

Já o irmão, João Martins, que é ao mesmo tempo piloto e responsável por toda a preparação do carro, “a mecânica de origem é, de longe, a melhor, uma vez que é estudada para vários anos de utilização dos carros. Claro que a suspensão e a carroçaria têm de ser reforçadas, mas no geral a fiabilidade é o mais importante numa prova de resistência porque quase sempre ganha quem tem menos problemas”. Mas se em outras edições a vitória na categoria Promoção B era o objetivo, depois de alcançada essa meta a equipa quer apenas terminar, até porque a estreia de dois pilotos na prova aconselha alguma calma.

João Morgado e Bruno Morais acompanham as 24 Horas TT há alguns anos e chegou agora o momento de vestir o fato. O orçamento continua a ser difícil de gerir, com os custos de participação cada vez mais elevados, mas graças aos apoios que cada um dos pilotos conseguiu de empresas privadas, e de algumas entidades públicas, o Renault Super 5 irá estar à partida da 22ª Edição das 24 Horas TT de Fronteira.

Mas então o que faz com que ano após ano o Team Super 5 insista em levar até Fronteira um carro que não é, de longe, o melhor para este tipo de prova e que passa grande parte das 24 horas a deixar passar os carros mais rápidos? A resposta dos pilotos é unânime: o convívio, o desafio e o carinho que o público continua a ter pela equipa e pelo carro, por isso contam com o apoio de todos os que se deslocarem a Fronteira nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro.

Este ano, dentro do carro, vai estar uma câmara a transmitir em direto, na página de facebook da equipa, as emoções da corrida numa parceria com a PTwide.

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