António Amado – fotógrafo amador

Memórias do Cartaxo, por Telmo Monteiro

António de Oliveira Amado, 2 de dezembro de 1944
Arquivo: Museu Rural e do Vinho do Cartaxo

A Fotografia é desde há muitas décadas uma das áreas onde o Cartaxo tem uma história mais rica, sendo de destacar o Cartaxo Photo-Club, que a partir de 1934 foi pioneiro a nível nacional como Clube de Fotografia Amadora. Neste “Photo-Club” participavam diversos cartaxeiros que partilhavam a paixão pela fotografia, um deles, talvez o que mais se tenha destacado nessa atividade terá sido António de Oliveira Amado (Cartaxo, 02-12-1894 – 10-08-1963).

Figura popular no Cartaxo, António Amado destacou-se como dinamizador cultural, tendo sido um participante ativo, além da fotografia amadora, no teatro amador, onde integrou o Grupo Dramático Dr. Marcelino Mesquita. Na tauromaquia abrilhantava os espetáculos taurinos com um toque de humor usando um pseudónimo com o qual ficou conhecido para sempre no Cartaxo: o “Geada” ou “Geadita”. Ao longo de toda a vida dedicou-se igualmente ao jornalismo, fundando e/ou colaborando no início do século XX em publicações como o “Milharó” ou “A Regateira” e mais tarde no “Notícias do Cartaxo”.

Terá sido, no entanto, a sua paixão pela fotografia o maior foco da sua vida, arte na qual revelou um enorme talento e na qual se dedicou tanto à reportagem, colaborando também na revista regional “Vida Ribatejana”, como à paisagem ou a cenas do quotidiano, sempre com um olhar invulgar e acutilante que lhe valeram o reconhecimento dos seus contemporâneos e que deixa a ideia de que noutras circunstâncias, tinha qualidade mais que suficiente para obter reconhecimento a nível nacional.

1943, Cartaxo, Praça 15 de Dezembro
Arquivo: Museu Rural e do Vinho do Cartaxo

Infelizmente, como tantas vezes acontece, após a sua morte não terá havido uma preocupação por parte do Município do Cartaxo e da comunidade no geral em reunir devidamente o seu acervo fotográfico e lhe dar o valor e divulgação merecidos, resultando que o mesmo ficasse disperso e à mercê de ser eventualmente destruído, como aconteceu, lamentavelmente, ao espólio de outros fotógrafos da terra. Sobreviveu, no entanto, uma quantidade suficiente de fotografias para podermos dizer com segurança que António Amado merece um lugar de destaque na história do Cartaxo e uma maior atenção ao seu espólio sobrevivente.

1934
Arquivo: Museu Rural e do Vinho do Cartaxo
1938
Arquivo: José Rogério Oliveira
Berlengas, 1936. Arquivo: Museu Rural e do Vinho do Cartaxo

*Foto em destaque, Cartaxo 1953, Praça de Touros. Arquivo: Museu Rural e do Vinho do Cartaxo

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