As discussões

Opinião de Vera Alves, Psicoterapeuta e Terapeuta de Casal

Não existe um manual para a discussão perfeita. Quando uma discussão acontece é porque uma parte (ou ambas) não está satisfeita, sente-se magoada/o ou zangada/o. 

É comum a zanga ou a mágoa surgir por má perceção da situação ou da atitude do outro. Só quando se consegue escutar é que, na maior parte das vezes, fica claro que houve uma má interpretação do outro ou nossa que deu origem à discussão.

É muito fácil começar por contrapor: “a culpa é tua”, “mas tu também fizeste…”, ou “tu fizeste primeiro…”. É o caminho ideal para a agressão mútua, tornando-se a comunicação num tiroteio cruzado, em que cada um culpa o outro pelas coisas que deveria ter feito ou dito. A meio do tiroteio deixam de se ouvir e passam a estar mais centrados em magoar. Altura em que as balas passam a granadas. Não há espaço para o entendimento do outro. Só zanga e raiva.

Quando, ao contrário, se começa por explicar a forma como foi compreendida determinada atitude do outro e como a mesma nos magoou, evita-se chegar à troca das granadas, pois iniciar assim dá espaço para que o outro explique porque o fez ou disse.

Expressões como: “Eu percebi que…”, “Quando disseste aquilo senti-me magoado”, “Não percebi porque…”, “Explica-me porquê…”, dá lugar a que cada um fale sem atropelar o outro.

Conseguir ouvir, sem disparos de parte a parte, os motivos e as justificações, é o passo fundamental para entender o que motivou a discussão. Podem assim conversar e evitar que volte a ocorrer.

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A zanga pode ser boa, pois só nos zangamos com quem é importante! A zanga também é um sinal de investimento na relação, quando se é capaz de a utilizar de maneira positiva para melhorar a relação e não para atacar gratuitamente o outro.

Saber escutar pacientemente o que o outro tem para nos dizer é a melhor forma de discutir. E quando se escuta, normalmente surgem surpresas agradáveis. Escutem.

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