As refeições escolares no Cartaxo

Opinião de Pedro Mendonça

No início de abril, a Assembleia Municipal autorizou que o custo a suportar pelo Município com as refeições escolares fosse o mais baixo de sempre. Até aqui pagava 2,26 euros  mais IVA por criança e por refeição, fornecida por IPSS do Cartaxo e por Juntas de Freguesia, para o ano passa a pagar 1,69 euros  mais IVA e com fornecimento externo ao concelho.
Gerir um concelho é também estabelecer prioridades e considero que esta foi uma má opção, numa gestão com preocupações sociais este desinvestimento no apoio às crianças só faria sentido após já se ter cortado em praticamente tudo antes de aqui chegar.
Temo que a qualidade da alimentação baixe na proporção que baixa o seu custo e que o dinheiro que sai da Câmara para este efeito deixe de circular no Cartaxo, afetando comerciantes, trabalhadores e instituições locais.
Em outubro de 2014 aquando da assinatura dos acordos para fornecimento de refeições escolares o presidente do município afirmou que “a Câmara Municipal sabe que contratar as refeições escolares a uma empresa baixaria muito este preço, mas o trabalho das IPSS e da Junta de Freguesia, vai muito para além do serviço acordado, quer pela proximidade às famílias e conhecimento de situações que escapam a quem não tem a vossa vocação de serviço público”, afirmando que “a Câmara não pode deixar de cumprir o seu papel social e de apoio à sustentabilidade das nossas instituições”.
Esta continua a ser a minha opinião, mas os governantes mudaram argumentando com a falência e as obrigações legais de poupança que imperam sobre terras falidas. No entanto a realidade é que ainda há onde cortar antes de o fazer na alimentação das crianças.
Não concordo que uma terra onde os cidadãos pagam a taxa máxima de IMI e IRS as refeições das crianças levem um corte como este. Esta foi uma decisão com votos a favor do PS, a abstenção do PSD e do movimento varandista, que assim a permitiram, e o voto contra da CDU.
Ficamos com a palavra de que caso baixe a qualidade o presidente agirá.
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