Associativismo, o Pulmão do Cartaxo

 

Por Gonçalo Gaspar

Gonçalo GasparO Cartaxo, ao longo dos últimos dez anos, tem vindo a viver uma apatia cultural constrangedora. A terra outrora dinâmica, com capacidade de oferecer qualidade de vida aos que nela habitam e momentos únicos de gastronomia, cultura e festividades aos que a visitavam, já não existe!

A falta de estratégia pública na área cultural, desportiva e recreativa é alarmante!

Se isto não bastasse, a relação do Município com as Associações e Coletividades tem vindo a deteriorar-se. A Câmara deixou de ter disponibilidade para as ouvir e incapacidade para reconhecimento público da atividade e conquistas do movimento associativo.

Se, no passado, a comunicação entre o Município e as Coletividades e Associações era estabelecida através da atribuição de um cheque sem critérios nem porquês, hoje a comunicação não existe e isso é sentido por todos, em geral.

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O Conselho Municipal do Associativismo tinha como propósito a criação de um espaço de diálogo entre a Câmara Municipal e o tecido associativo do concelho, espaço onde as associações colocavam questões e propostas ao executivo municipal, fazendo daquele um verdadeiro órgão consultivo. Este órgão não tem reunido e a sua ausência faz-se sentir na inoperância da Câmara para com as Associações e Coletividades.

Somos um concelho onde a política desportiva, cultural e recreativa é definida, executada e custeada pelas Associações e Coletividades, sem apoio da Câmara.

Na área desportiva, fruto da dedicação dos profissionais e associados das Coletividades e Clubes da terra, temos conquistado, em nome do concelho, um conjunto de títulos e prémios que passam completamente ao lado do reconhecimento público do Município. Se, no passado, o reconhecimento era feito através de atribuições financeiras, no presente esse reconhecimento deve ser feito, no mínimo, por proclamações e congratulações públicas, mas sem fins políticos. É o mínimo exigível!

Todos nós sabemos e temos consciência dos constrangimentos financeiros por que passa a Câmara Municipal, mas isso não invalida a ausência do reconhecimento e apoio públicos.

As Associações e Coletividades são constituídas por pessoas singulares, voluntárias com muito amor à causa associativa, vivem dos seus associados e atletas. Têm sido, sem sombra de dúvida, o pulmão cultural e desportivo que tem vindo a dar oxigénio a este Cartaxo moribundo, cujo poder público não reconhece o sucesso e as suas gentes.

As comemorações dos 200 anos do concelho estão a passar completamente ao lado das forças vivas da nossa terra, está a revelar-se uma oportunidade perdida de voltar a erguer o Cartaxo, envolvendo as nossas gentes e a nossa identidade.

A falta de estratégia política sobre a cultura popular e desportiva é factor redutor do associativismo e desrespeito pelas suas gentes.


 

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