Ateneu celebra 139 anos com muita energia

Atletas no Campeonato do Mundo, instalações renovadas, mais de 600 alunos inscritos nas diversas atividades e uma nova equipa diretiva bem motivada ajudam o Ateneu Artístico Cartaxense a celebrar com pompa e circunstância o seu 139º aniversário neste mês de dezembro, com mais uma Gala do Desporto

No mês em que celebra mais um aniversário, o Ateneu Artístico Cartaxense (AAC) volta a comemorar a data com a Gala de Desporto, uma noite que conta com o habitual jantar de sócios e um espetáculo que envolve alunos e professores, que serão distinguido, nesta noite, pelas suas prestações ao longo deste ano.

Maria João Oliveira, presidente da direção da centenária coletividade, que este ano completa 139 anos, anuncia para esta Gala do Desporto um troféu carreira para “distinguir os treinadores”. Para Maria João Oliveira, esta gala tem por objetivo “reconhecer os atletas e treinadores que se vão destacando nas várias modalidades”, considerando ainda que “é uma forma de motivação para os atletas”, para além de ser um momento festivo e marcante para todos os sócios e comunidade.

Nova equipa, novo fôlego
À frente da direção do Ateneu Artístico Cartaxense há sete anos, Maria João Oliveira tem consigo, há cerca de meio-ano, uma nova equipa de trabalho. Estão na atual direção do Ateneu cinco mulheres e três homens, ainda que se possa contar com outro elemento masculino no ativo, levado “a reboque” pela mulher, Raquel Ramos.

Raquel, tal como os restantes elementos da direção, tem a filha na ginástica do Ateneu. A sua ligação à casa é antiga – “comecei a vir para o Ateneu com quatro anos, aos 17 saí e afastei-me durante uns anos, até a minha filha, aos quatro anos, ter entrado na ginástica e, tal como eu, com a professora Edite”. A entrada na direção da coletividade perspetivou-se no ano passado, quando foi proposto aos pais dos alunos de tumbling fazerem uma tasquinha na Feira dos Santos para angariar dinheiro para a pista de tumbling. “A nossa saga começou aí: foram quatro dias dentro da cozinha a fazer bifanas e hambúrgueres e, a partir daí, a João não me largou mais para eu ou o meu marido fazermos parte desta equipa”. Raquel entrou para a direção, mas diz que tanto a filha como o marido acabam por “andar a reboque”, mas “porque é essa a vontade, não é por obrigação”, garante Raquel Ramos, que aceitou este desfio pelo “valor sentimental por esta casa”. Até agora, diz, “tem sido muito gratificante trabalhar com esta equipa”, em que “todos se empenham”.

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Na verdade, esta nova direção parte, na sua maioria, dos conhecimentos da presidente da direção, Maria João Oliveira. Todos os atuais membros da equipa diretiva têm filhos no AAC e todos eles mostram estar bem cientes do trabalho que há pela frente para dar continuidade às atividades da coletividade. O vice-presidente, Luís Catarino, brinca dizendo que veio “enganado”, depois de já ter sido aliciado anteriormente para entrar na direção do AAC. Acabou por ceder, mas lembra os sacrifícios pessoais e familiares que o cargo obriga. Não sendo fácil, reconhece que a “experiência tem sido ótima”. “Tem de se dar muito da vida pessoal e às vezes a família reclama, porque as atividades têm sido mais que muitas e isso exige bastante tempo”, desabafa Luís, ao mesmo tempo que reconhece que os resultados obtidos demonstram esse esforço.

Paula Tojeira, que veio parar ao Cartaxo, em 2005, devido ao trabalho, acabou por ser convidada para a direção já esta estava praticamente formada. A sua ligação ao Ateneu aconteceu, lá está, com a entrada dos filhos nas atividades da instituição e considera a sua entrada na direção do Ateneu também como uma forma de “participação cívica”, afinal, esta é um instituição centenária, muito enraizada na comunidade cartaxeira, e que há décadas vem dando frutos, nomeadamente a nível da competição nacional, mas que só assim poderá continuar com trabalho e o empenho de todos. Até agora, Paula diz que “está a valer a pena. Está a ser um desafio novo, muito gratificante”.

Por sua vez, Pedro Monteiro, que já fez parte de várias coletividades, sempre em Vila Chã de Ourique, diz estar a gostar a equipa – “é fabulosa!”. “Ainda há poucos meses aqui entrámos e já estamos fartos de fazer eventos, fazer obras… e o projeto ainda não acabou, ainda temos muito mais para fazer”, afirma, em tom orgulhoso e com alento. “As obras no bar estão praticamente concluídas. Os canos estavam todos podres, renovámos a cozinha, a sala de estar…” Obras que também se estenderam às casas de banho, a nível das canalizações.

Mais caladas, mas também empenhadas nesta equipa, Susana Miranda e Titânia Cardoso dizem estar a gostar do desafio. Para Susana esta não é uma experiência nova, apesar de não esperar voltar à direção do Ateneu, foi repescada por Maria João. Já Titânia há algum tempo que se havia oferecido para dar o seu contributo, tendo este ano chegado o momento de entrar na direção da coletividade, tendo a seu cargo a tesouraria. Pedro Florindo é o terceiro elemento masculino da atual direção do Ateneu Artístico Cartaxense.

O caminho faz-se caminhando
Maria João Oliveira e a sua equipa têm a seu cargo a importante tarefa de manter em pé um instituição com quase 140 anos de vida e de glórias. Para além das excelentes condições que têm de garantir para que todas as modalidades sejam praticadas nas melhores condições de segurança e eficiência, que no caso das modalidades de ginástica implica o custo de milhares de euros em equipamentos, têm de manter um edifício com quase 50 anos e cujas infraestruturas vão dando sinais de desgaste.
Como tal, há sempre muito trabalho para que se consiga fazer face às despesas decorrentes das atividades e da antiguidade de toda a estrutura. Este ano, o Ateneu Artístico Cartaxense candidatou-se ao PRID 2019 – programa de recuperação de infraestruturas desportivas – “e fomos contemplados para a reparação do telhado do pavilhão, que há dez anos foi colocado de novo, mas neste momento chove lá dentro e não conseguimos colocar ali equipamentos novos para não os estragarmos”, informa a presidente da direção. Além da cobertura, vão ser substituída a iluminação para leds, dentro do pavilhão. Duas situações que se encontram ao abrigo deste programa que cobre 50 por cento do valor atribuído ao Ateneu para as obras, tendo a instituição de pagar cerca de 11 mil euros. “Mas vamos continuar a trabalhar, porque precisamos da pista de tumbling”, diz Maria João Oliveira, que adianta que “este ano vamos candidatar-nos ao programa da Missão Continente, que tem a ver com a luta contra a obesidade infantil e pareceu-nos que as nossas atividades se encaixam neste programa. Vamos tentar! Neste caso, para renovação de equipamento. Para além disso, vamos continuar a trabalhar e a criar eventos para conseguir angariar mais verba para as necessidades da instituição”.

De ano para ano, os eventos promovidos pelo Ateneu – caminhada das cores, dia da mulher, entre outros – vêm superando todas expectativas, com cada vez mais gente a aderir. Depois há outras oportunidades de angariar fundos e de estar mais perto da comunidade, como as tasquinhas na Feira dos Santos e na Festa do Vinho, como aconteceu nesta última edição do certame – “seis dias efetivos, fora os dias preparativos. Que eu me recorde, foi a primeira vez que a freguesia do Cartaxo foi distinguida, pelas restantes tasquinhas, como a melhor tasquinha da Festa do Vinho. Começámos logo em grande! E depois foi a caminhada das cores que foi um sucesso, com mais de 500 pessoas”.

Outro grande evento, que provocou grande euforia e a rápida corrida à compra das pulseiras de entrada (que esgotaram no espaço de uma semana), foi a festa dos anos 90 na discoteca Lipp’s. Foi um grande sucesso, com cerca de 700 pessoas a aderir à festa e muitos a pedir que se voltasse a repetir. Com este evento pretendia-se angariar fundos para ajudar nas deslocações dos atletas ao Japão, para o Campeonato do Mundo de Ginástica e o objetivo “foi alcançado e excedido”, dando ainda para “ajudar nas obras e noutros projetos que pensamos desenvolver”, diz Maria João Oliveira. Ainda este ano, em dezembro, vai ser apresentado um espetáculo pela Companhia de Dança Contemporânea Seller Danza – residente no Ateneu Artístico Cartaxense – com a companhia de dança residente, sendo ainda o ano em que se assinalam os 15 anos de ballet no Ateneu. Para o novo ano, para além dos eventos habituais, a direção espera voltar a trazer o teatro de revista ao Cartaxo, com um espetáculo de Amália, e promover uma noite de fados.

Atividades extra, e nas quais se envolve boa parte da comunidade Ateneu, têm sido uma aposta forte das últimas direções para conseguir receita. “Ter as classes de competição obriga a um esforço muito grande, sendo a ginástica o motor das modalidades do Ateneu e onde se inscrevem mais alunos”, explica Maria João Oliveira, refutando que não se invista nas outras atividades ali desenvolvidas, mas a ginástica exige equipamentos mais caros e de rápido desgaste, afirma a presidente da instituição, lembrando que “se não conseguirmos manter a qualidade dos equipamentos não vamos conseguir obter os melhores resultados com os atletas, ainda que eles tenham uma dedicação extrema”. O sucesso vem daqui. “Eu atrevo-me a dizer que é a qualidade do trabalho e do serviço que traz a confiança dos pais e que nos ajuda a ganhar prémios e a ter atletas, nas mais variadas modalidades, em pódios regionais e nacionais e a levar atletas aos campeonatos do mundo. Tudo isto acaba por ser o reconhecimento da qualidade dos treinadores, da dedicação dos miúdos e dos pais”, conclui Maria João Oliveira.

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