Back to the future IV – The Climate Emergency

Opinião de Ricardo Magalhães

Quem por algumas vezes é telespectador do Canal Hollywood sabe necessariamente duas coisas. A primeira é que está sempre a passar a mesma coisa. A segunda é que não há nenhum sucesso cinematográfico dos anos 80 e 90 que não esteja para lá incluído. Entre eles estão, sem dúvida, as aventuras vividas por “Doc” Emmett Brown e Marty McFly a bordo da sua máquina do tempo, um DeLorean “todo quitado”, como se diz na gíria.

A trilogia Back to the Future colocou os nossos pais na pele dos nossos avós em 1955, fê-los sonhar com toda a tecnologia do ano de 2015 e a viver a vida de um cowboy de 1885. Para além do tiro ao lado que foi a previsão de 2015 (ou não tivesse eu assistido ao filme nesse mesmo ano), tenho a dizer que não precisei da ajuda de um cientista despenteado para, nas últimas semanas, sentir-me num futuro que há bem pouco tempo parecia quase tão distante como o ano de 2015 para os nossos pais.

Não tenho memória de um verão tão frio em Portugal. No entanto, não seria inteligente desprezar que somos a exceção à terrível onda de calor que tem assolado a Europa e a Gronelândia, neste verão. Foram batidos recordes de temperatura em várias cidades na Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Inglaterra. Seria também irresponsável ignorar que há um ano fomos nós que chegámos a temperaturas de 47ºC, como eu nunca tinha visto. Vi a Greenpeace criticar a comunicação social por nestas alturas passar sempre imagens de pessoas e crianças a divertirem-se e refrescarem-se em fontes nas cidades, em vez de alertar para a verdadeira dimensão e gravidade do problema. De facto, dá sempre ideia que a greve dos combustíveis, dos professores ou enfermeiros é bem mais grave.

A verdade é que desde que me lembro, teria porventura 10 anos e andava na Escola José Tagarro, o antigo “Ciclo” que agora é uma escola primária, e já me alertavam para as alterações climáticas que vinham aí. Para o aquecimento global e a escassez de água no mundo. O drama, guerras e conflitos que iriam gerar. E, passada quase uma década, ao ver a Gronelândia coberta de água e não de gelo, ao ver a Europa transformada numa sauna gigante e a seca dramática que afeta o nosso país e o mundo, não consegui evitar sentir que saí de uma cápsula do tempo e que tudo isso não está mais aí à porta; é já uma realidade.

Transpiro com o futuro que nos espera. Não sei como vamos sobreviver a ele. Mas se não aparecer um milagre tecnológico, como a fusão nuclear, que nos forneça energia quase ilimitada, ou um grupo iluminado de políticos jovens em posições de poder que consiga ver mais além que o horizonte das próximas eleições e das guerrilhas internacionais, creio que a escassez de água e a inospitalidade que vai minar a terra nos irá conduzir à guerra que nunca quisemos viver.

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Isto, de repente, ficou extremamente deprimente, mas é a realidade que vivemos. Uma coisa é certa, a solução não passa por baixar os braços e chorar o nosso fado. Como em todas as histórias há sempre mais um ponto final, mais uma temporada por viver. Veremos se é nesta que tudo muda.

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