Bairrismo por onde andas?

Opinião de Frederico Guedes

Aquando da minha passagem, na vida universitária, pela bela cidade de Braga, tive o prazer de viver numa localidade com a maior população jovem per capita da Europa, desenvolvida e dinâmica onde sentia o bairrismo dos seus habitantes e o envolvimento e participação nos seus clubes e coletividades. Havia sempre um acompanhamento bairrista por parte do poder político autárquico, com a construção de infraestruturas desportivas e um apoio constante e envolvente, cativando à sua envolvência por parte da população local.

Comparando dentro do mesmo contexto na minha terra natal, fui observando ao longo dos anos que a construção dessas instalações incluía um conjunto de erros técnicos graves, e que a falta de bairrismo por grande parte dos cartaxeiros era por demais evidente.

Nas piscinas municipais não se podem realizar provas oficiais de natação, porque a sua extensão não tem as medidas exigidas para tal, por umas largas dezenas de centímetros. Nos campos de ténis, umas bolas mais compridas e fica-se encostado às redes que os limitam e, ainda mais grave, no estádio municipal centenas de milhares de euros gastos numa pista de tartan onde as suas pistas exteriores acabam num muro, inviabilizando a organização de qualquer evento oficial naquela megalómana infraestrutura.

Depois a tristeza mais confrangedora espelha-se no Sport Lisboa e Cartaxo, um clube que representa a sua terra há cerca de 80 anos, carregado de história, por onde já passaram milhares de jovens para praticar a sua modalidade preferida e cujo património é pura e simplesmente inexistente. Na ausência de um benemérito que tivesse oferecido um terreno ao clube, como acontece em qualquer localidade do nosso País, deveria ter sido o poder local a ter já encontrado uma solução há muitos anos.

Verificou-se que todos os presidentes da câmara (nenhum é sócio da coletividade…) adiaram o problema, chegando ao ponto do problema estar quase resolvido, quando houve uma doação de um terreno na zona Industrial e onde anteriores direções investiram em obras, e o clube foi obrigado a desistir, pois na altura assinou-se um acordo para este ser utilitário do estádio municipal por direito próprio, visto que na altura havia duas candidaturas a fundos comunitários com o mesmo objetivo.

Nos tempos presentes, depois de se ter verificado a queda por parte do muro do campo das Pratas e pela inexistência das alterações do PDM que o acordo tripartido com o senhorio transcrevia, este já longo impasse prejudica gravemente o clube na sua enorme logística. Na minha singela opinião, a câmara e os seus representantes têm de uma vez por todas solucionar urgentemente a grave situação criada, disponibilizando um terreno para permuta, desta para o senhorio ou então impor um novo arrendamento alegando utilidade pública de um bem para a nossa sociedade.

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E lá vou trilhando por estes caminhos de críticas construtivas, que não me levam para além nem por aqui, mas por Cá.

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