Bullying levou dezenas à Junta do Cartaxo

 

O salão nobre da Junta de Freguesia da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta encheu, na tarde de sábado, para ouvir falar de “Bullying e Cyberbullying – Reflexões e Ações”, numa iniciativa da Federação Distrital da JS, em articulação com a JS Cartaxo.

Catarina Marcelino, Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, e de Fátima Matos, professora universitária, foram as oradoras convidadas, e a sessão de abertura ficou a cargo de Pedro Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo.

O autarca começou por salientar que “não é fácil reunir tanta gente, sobretudo num sábado à tarde”, lembrando que o bullying implica sempre uma relação de desequilíbrio e que se caracteriza por ser uma ação continuada, uma tendência intencional para se humilhar alguém. Pedro Ribeiro destacou a importância de todos contribuirmos para compreender estes comportamentos, já que este é um fenómeno com tendência para aumentar. É, por isso, preciso “compreender para contribuir e combater a indiferença”.

Fátima Matos recordou que existem diversas formas de bullying: o bullying com comportamentos fisicamente violentos, o bullying com comportamentos verbalmente violentos, o cyberbullying e o bullying com comportamentos sociais e relacionais violentos.

Fátima Matos caracterizou vítimas e agressores. Assim, as vítimas são, em geral, pessoas com história prévia de vitimização, são diferentes da maioria, têm um contexto familiar disfuncional, uma rede social pobre, baixas competências sociais, baixa auto-estima, inseguras e frágeis e vulneráveis emocionalmente, entre outras características. Os agressores manifestam agressividade, irritabilidade e impulsividade, têm baixos níveis de ansiedade, apresentam ausência de culpa, baixo suporte social, menor desenvolvimento cognitivo, fraca supervisão parental, entre outras características.

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O bullying tem grande incidência em contexto escolar e, por isso, importa estabelecer relações positivas entre a escola, família, aluno e comunidade, desenvolver atividades estruturadas e motivadoras de ocupação de tempos livres, supervisionar os espaços escolares e responsabilizar e punir os comportamentos agressivos.

Atualmente a trabalhar num agrupamento de escolas em Lisboa, Fátima Matos realçou que os casos de bullying nestas escolas têm diminuído nos últimos três anos, fruto da oferta extra-curricular aos alunos, com clubes de música, de desporto, culinária, ecologia, etc.

Catarina Marcelino começou por destacar a importância da educação para a cidadania, que “não se faz, de forma estruturada, dentro do sistema de ensino”, identificando-a como a grande desafio para o Governo. “O legado que gostava de deixar desta passagem pela Secretaria de Estado seria um bom projeto de educação para a cidadania, porque eu tenho a convicção que a prevenção é o segredo”, disse.

A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade finalizou a sua intervenção dizendo que “é preciso que os municípios se envolvam nesta questão”.

A iniciativa terminou com um debate sobre este tema, onde os presentes falaram das questões legais a ele associadas, bem como de experiências pessoais a este propósito.

 

 

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