“Cada um de nós faz a diferença e cada um de nós deve dar o exemplo”

Aos 41 anos, é o rosto feminino do executivo em funções na Câmara do Cartaxo e garante que trabalha para deixar o município melhor equipado, mais eficiente e com menos custos

Sónia Serra é vereadora com os pelouros da gestão urbanística, resíduos e limpeza urbana, gestão e manutenção de espaços verdes, águas e saneamento, desenvolvimento económico e empreendedorismo.
Licenciada em Engenharia do Território e pós-graduada em Planeamento Regional e Urbano, possui uma vasta experiência nas áreas do ambiente e do ordenamento do território, a que se junta uma paixão pela vida associativa ligada ao ambiente. Faz parte da Eco Cartaxo, integrou a Assembleia Constituinte e o Conselho Fiscal do Núcleo de Estudos dos Alunos de Território, foi delegada do curso de Engenharia do Território; na vida profissional, esteve ligada a projetos importantes na câmara de Santarém.
Mãe de três filhos, garante ter abraçado o desafio que lhe foi lançado pelo PS para integrar a lista à Câmara Municipal com sentido cívico e vontade de dar o seu contributo ao concelho, onde garante não sentir preconceito pela sua condição feminina.
É fácil, ser-se mulher na política no concelho do Cartaxo? Há preconceito?
Felizmente houve exemplos antes de mim que tornam a minha vida mais fácil, do que seria há uns anos. Não sou a primeira! Preconceito? Não!
O que a motivou a entrar na política ativa?
Penso que qualquer pessoa interessada e atenta ao meio onde vive sente vontade em contribuir para que a sua terra melhore. Por isso, o convite que me foi endereçado foi irrecusável. É um desafio e, em simultâneo, um sentido de dever cívico, dar o meu contributo para o meu concelho.

Como é conciliar a vida familiar com a atividade autárquica?
Conciliar nem sempre é fácil, só com a ajuda e o apoio da família e a compreensão da equipa, naturalmente.
A atividade autárquica é mais exigente, no entanto qualquer mulher, aliás qualquer pessoa, que desempenhe uma atividade profissional precisa de a conciliar com a sua vida familiar.

Quando aceitou o desafio fazia ideia da situação que iria encontrar?
Tinha uma ideia e fui avisada, mas estamos preparados e estamos muito empenhados em resolver os problemas. Também temos de pensar no que o município tem de bom, nos solos férteis para a agricultura, as sociedades agrícolas que produzem o vinho, a indústria que se desenvolveu para ajudar a agricultura. Existem problemas, sim, que devem ser resolvidos, mas também existem empresas de sucesso no nosso município, que devem ser incentivadas e motivadas a continuar.

A vida associativa e a vida profissional foram os melhores “tubos de ensaio” para abraçar os pelouros que lhe foram atribuídos?
Sem dúvida, penso que a minha formação e experiência profissional são relevantes para o que sou e faço no município do Cartaxo. Trabalhei com os municípios da Lezíria do Tejo, nos quais o Cartaxo se inclui. A minha experiência anterior ajuda-me bastante, embora trabalhar num município seja diferente, a estrutura é maior e as funções encontram-se mais distribuídas.

Quais são os maiores problemas, com que o concelho se debate, a nível ambiental? 
O principal problema do concelho do Cartaxo é a poluição das linhas de água, depois temos a questão dos resíduos da construção (vulgo entulhos) e ainda a questão dos verdes, o que não deveria ser problema, visto poderem ser valorizados facilmente.
Temos um problema com vários anos, a remodelação da ETAR de Pontével e a construção da ETAR de Vale da Pedra, e sobre o qual já estivemos reunidos com o Ministério do Ambiente, com a Agência Portuguesa do Ambiente e com o Programa Operacional Valorização do Território, de forma a encontrar a sua solução.
Também temos de equacionar um modelo para a recolha dos plásticos agrícolas que invadem e contaminam o nosso campo, mas cuja competência direta não é do município.

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A recolha de resíduos sólidos urbanos está a funcionar como deveria?
A recolha está a funcionar da melhor forma possível, dadas as condições ainda existentes. O nosso parque de veículos de recolha de resíduos é muito antigo, o que origina muitas avarias com prejuízo para a recolha. Estamos a trabalhar para as condições melhorarem em todas as vertentes, inclusivamente na aquisição de um novo carro de recolha de resíduos, facto que não acontece há mais de doze anos. A nível de pessoal, a equipa da limpeza urbana do Cartaxo já foi reforçada através de protocolo com o Centro de Emprego e, com a ajuda da Junta da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta, já se veem resultados positivos na cidade.
E eu gostaria de aproveitar esta ocasião para pedir a colaboração de todos, para que utilizem sacos fechados para os seus resíduos, e esclarecer que os contentores são para resíduos urbanos e não para outro tipo de resíduos como entulhos, verdes e monos.

O que é que está a ser feito para melhorar o estado em que se encontram alguns dos espaços verdes da cidade?
Aqui também com a colaboração da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta, e através do protocolo com o Centro de Emprego, temos dado pequenos passos na melhoria dos espaços. Iremos fazer a remodelação de alguns espaços, para que a sua manutenção seja reduzida. O município não tem prestações de serviços externas nesta área, o que, dado a dimensão dos espaços verdes e o número de colaboradores, se torna muito difícil estarem sempre todos muito bem cuidados, mas penso que se tem vindo a sentir uma melhoria global.

Qual o ambiente que gostaria de ter no concelho do Cartaxo?
Um ambiente mais positivo, e não estou só a referir-me ao sentido literal da palavra, onde nos identificássemos e orgulhássemos de cada esquina e de cada espaço por onde passamos.

O que é que vai fazer questão de deixar feito, ou melhor, qual vai ser a sua marca? 
A nível do ambiente, espero deixar os serviços melhor equipados e, por isso, a funcionar de forma mais eficiente e com menos custos. Também espero poder deixar uma solução para os resíduos que contaminam os nossos caminhos.
A nível urbanístico, espero que as alterações ao PDM e que a revisão do mesmo venham resolver muitos problemas. Espero, ainda, que sejam eliminadas algumas barreiras arquitetónicas e que sejam implementadas ciclovias a ligar as escolas a bairros residenciais.
A nível do Turismo, destacaria Valada e o seu potencial para turismo da natureza, com a aldeia da Palhota como motor de valorização do património natural, ambiental e cultural.
A nível do empreendedorismo, espero que os empresários encontrem na Câmara Municipal do Cartaxo um parceiro que os ajude a encontrar soluções para a sua atividade.

Março é o mês de todas as efemérides ligadas ao ambiente: é o Dia da Árvore e da Floresta, o Dia da Água, o Dia da Meteorologia, o início da Primavera… O que é que gostaria que estas efemérides trouxessem ao concelho?
Os dias festivos são muito importantes para refletirmos e devem servir para nos lembrarmos (e que nos esquecemos) o que deve ser importante todos os dias. E através da educação ambiental dar relevância ao papel das escolas e das famílias nesta temática. Cada um de nós conta, cada um de nós faz a diferença e cada um de nós deve dar o exemplo.

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