Caminhos de Fátima e de Santiago sinalizados

A secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, esteve esta sexta-feira, 10 de maio, no concelho do Cartaxo, na freguesia de Valada, para percorrer o caminho entre Valada e Porto de Muge, percurso que integra os Caminhos de Fátima e o Caminho de Santiago.

A ocasião foi aproveitada para a instalação de sinalização a indicar estes dois caminhos, um projeto criado e implementado pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo que, neste caso da dupla sinalização, integra os concelhos de Azambuja, Cartaxo e Santarém.

Mas logo à chegada ao ponto de encontro – o estacionamento junto à fluvina de Valada, a comitiva governamental tinha à sua espera um grupo de elementos da Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima (AACF), que quiseram dar a conhecer à secretária de Estado o seu descontentamento com aquilo a que chamam, em nota de imprensa entregue aos jornalistas no local, o “retalhar o caminho por municípios, sujeitando a sinalização do caminho às prioridades e dotações orçamentais”. E concretiza: “os peregrinos que começarem hoje em Lisboa partem com a sinalização da AACF, nos municípios entre Vila Franca de Xira e o Cartaxo, os peregrinos encontram novas marcações, regressando as marcações da AACF até Fátima. Estas variações de sinalização destroem a confiança dos peregrinos, provocando o regresso à estrada dos peregrinos menos experientes. Não temos dúvidas que é necessário melhorar a sinalização do caminho, mas em formato de campanha publicitária, onde se gasta muito dinheiro em pouco tempo para um resultado de máximo impacto a curto prazo”, critica.

A AACF reclama a criação de uma alternativa segura entre a Vala do Carregado e Vila Nova da Rainha, e questiona porque é que se “está a proceder à remoção do logótipo dos Caminhos de Fátima”, ‘deitando por terra’ uma marca com 21 anos; porquê a sinalização com postes de plástico e “uma marcação feita à pressa, com risco de desaparecer”; porque é que não existe uma entidade responsável por todo o caminho e marcações padronizadas; ou quem vai cuidar dos caminhos quando se acabarem os fundos comunitários, entre outras questões.

Ana Mendes Godinho não fugiu às questões, salientando que “porque as pessoas nunca se entendem é que nunca se conseguiu fazer nada. E o que nós estamos a tentar fazer é trabalhar em conjunto”. Assim, explicou que todas as entidades estão a trabalhar para colocar a sinalização e para garantir a manutenção dos caminhos. Não podemos estar de costas voltadas uns para os outros”.

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“O que nós queremos é que as pessoas caminhem em segurança. Então, vamos dizer às pessoas que façam estes caminhos”, realçou a governante.

Respondidas as questões da AACF, foi tempo de colocar oficialmente um dos postes de sinalização. “Isto é simbólico, mostra este trabalho de estruturação extraordinário que a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo está a fazer, em articulação com os municípios, com o Centro Nacional de Cultura, com a Cultura de Portugal”, disse Ana Mendes Godinho, adiantando que este “é, também, um convite para que as pessoas passem a fazer este caminho como uma forma de ir pelo meio da natureza, são caminhos seguros”. Caminhos que, cada vez mais, “atraem turistas internacionais, que vêm a Portugal fazer estes caminhos. O Caminho Português de Santiago, neste momento, já é o segundo caminho mais importante nas Rotas de Santiago. Estamos a trabalhar com Espanha, porque é um caminho que tem cada vez mais procura e era importante estar bem estruturado, bem sinalizado, e garantir que também temos capacidade de resposta aos peregrinos ao longo de todo o percurso”, acrescentou, contando que, em 2018, foram 90.000 os peregrinos que fizeram o Caminho Português de Santiago, segundo dados oficiais.

Paralelamente, “está a ser construído todo um pacote de conteúdos, de informação, que permitirá a quem faz este caminho ter informação sobre os recursos históricos, culturais, o património, o que visitar, ao longo de todo o caminho”, explicou.

Ana Mendes Godinho lembrou que o turismo religioso “já mobiliza 350 milhões de pessoas no mundo, e percebemos que há cada vez mais motivação nas pessoas para este tipo de percursos. Aqui, o trabalho que fizemos foi conjugar as diferentes motivações e encontrar um percurso que responda às questões de segurança, de informação sobre o próprio percurso, que passará a estar disponível on-line, e informação sobre todos os recursos culturais a visitar ao longo de todo o percurso, o que também permite trazer mais oportunidades para os territórios e para as populações”. Nesse sentido, a secretária de Estado do Turismo deverá voltar em julho, para visitar e conhecer o trabalho dos operadores turísticos do concelho do Cartaxo, adiantou o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, no final da caminhada, em Porto de Muge.

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