Carreiras Internacionais: problema ou oportunidade?

Opinião de Jorge Honório

Num mundo globalizado, como é hoje o nosso, surgiu um novo modelo de emprego: a mobilidade internacional. «A mobilidade é uma das bandeiras da União Europeia, que tem desenvolvido e fomentado várias estratégias de protecção e de reforço deste movimento entre Estados-membros relativamente aos profissionais altamente qualificados. Entre elas está a Carta Azul.» (Ramos, C. Matias, in Ingenium)
Novidade? Nem por isso! Desde sempre que as embaixadas americanas captam os melhores alunos, portugueses e de outros países, para estudarem nas suas universidades e por lá ficarem a trabalhar; até temos um caso de sucesso no Cartaxo, um nosso conterrâneo que ficou a trabalhar na NASA.

J. Bancaleiro dá como exemplo que «Os engenheiros civis são uma classe que apresenta, com crise ou sem crise, uma mobilidade enorme. Tal como os arquitectos. Porque as regras do mercado mudaram. A diferença hoje é que as obras deixaram de ser em Felgueiras, ou na Figueira da Foz e passaram a ser na Polónia, em Angola,…, ou na Colômbia. Isto é, no fundo, a evolução do mercado, a globalização a funcionar».

As opiniões sobre os efeitos desta situação de mobilidade não são unânimes: há quem a considere um problema, quem a desvalorize e quem a considere benéfica pois acarreta uma oportunidade empresarial e profissional.

Coloca-se-nos então a seguinte questão: temos capacidade para os conseguir captar novamente? Claro que sim! Mas atenção que o perfil destes novos emigrantes mudou: trabalham hoje em Londres mas podem mudar-se para Lisboa se as condições os atraírem; ou para Barcelona ou para Berlim. A Pátria (???), as distâncias e o idioma deixaram de ser um óbice ao emprego!

Nesta envolvente, as empresas multinacionais há muito tempo que recrutam com base em dois contratos tipo: um contrato convencional e um contrato emocional (investimento nas pessoas, a ligação afectiva dos quadros à empresa, a network – rede de contactos profissionais, etc.). É nesta óptica que temos de nos focar porque a sobrevivência de uma parte significativa das PME’s portuguesas passa pela sua internacionalização.

Pode gostar também

Comentários estão fechados.