Cartaxeiros vão votar, mas ainda não sabem em quem

A abstenção nas eleições europeias vem em crescendo, sendo a última marca de mais de 65 por cento, também no concelho do Cartaxo. A 26 de maio, os eleitores são novamente chamados às urnas, mas o desinteresse e o desconhecimento sobre a UE ainda é preocupante

Por mais que oiçamos por parte de alguns políticos que a democracia não está em risco, também os vemos preocupados com a fraca adesão dos cidadãos às urnas em dia de eleições. Agora que se aproximam as eleições europeias, qualquer ocasião que se preste à intervenção política, como foi o caso das cerimónias do 25 de Abril, todos lembraram a importância do voto, nomeadamente nestas eleições que se avizinham. As eleições europeias são “tão ou mais importantes” que as nacionais, ouvimos dizer naquele dia em
Pontével, chamando os cidadãos a prestarem o seu direito e dever cívico de votar, já que a crescente abstenção às eleições europeias, a partir do ano de 1994, tem sido superior a 60 por cento.

No concelho do Cartaxo, houve mais de 65 por cento de abstenção nas últimas eleições europeias, em 2014. Passados quatro anos e a poucos dias de novas eleições, quisemos saber se as pessoas, por cá, vão votar.

A grande maioria das pessoas questionadas pelo Jornal de Cá, nestes últimos dias, sobre as eleições europeias diz que, no próximo dia 26 de maio, vai votar, ainda que boa parte destes mesmos inquiridos ainda não saiba em quem votar. Falámos com mais de 30 pessoas, desde eleitos no concelho a cidadãos anónimos, homens e mulheres, de idade superior a 30 anos, a quem perguntámos se iam votar nestas eleições e se já sabiam em quem.

Foi algo surpreendente encontrar tantas pessoas que votam (menos dez diz não votar), dado os elevados números da abstenção nestas eleições (acima dos 60 por cento, desde 1994) e não deixa de surpreender também que não saibam em quem votar. Não que a informação sobre todos os candidatos (mais de 15) seja amplamente divulgada, à exceção dos maiores partidos, mas a primeira impressão é que as pessoas ainda não se disponibilizaram, verdadeiramente, para perceber quem são estes candidatos e qual o seu manifesto. Só dez pessoas já escolheram o candidato em quem votar e, destas houve uma que reconheceu que ia votar no seu partido, sem conhecer os restantes candidatos, e outra que diz escolher a pessoa e não o partido.

Mais mulheres do que homens, mostraram estar menos a par da nossa integração na União Europeia (UE), nomeadamente quando lhes pedimos que indiquem duas mudanças na vida dos portugueses (e não só) com a entrada na UE. A mudança do escudo para a moeda única e a livre circulação de bens e serviços entre os países membros foram as mais lembradas, duas pessoas falaram nas medidas da PAC (política agrícola comum), mas quase cerca de metade dos nossos inquiridos não conseguiram responder à pergunta. Mesmo os mais velhos, já precisam de ser recordados das longas filas na fronteira com Espanha, onde era preciso mostrar o passaporte, e já poucos se lembram do escudo.

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A entrada de Portugal na UE já foi há mais de 30 anos e já tanta coisa mudou, que já nos adaptámos, ainda que muitas vezes inconscientemente. Basta olhar para trás e ir até ao ano de 1985 para perceber as diferenças, nomeadamente no que diz respeito às oportunidades criadas e ao desenvolvimento social e económico, com a abertura da Europa a Portugal e vice-versa.

As questões mais atuais, como o Brexit, os movimentos radicais e populistas europeus e a crescente taxa de abstenção nas europeias, ainda que preocupantes, não são para a maioria dos nossos inquiridos (mais de 20 pessoas) motivo para considerar que a UE está por um fio, porque acreditam que ainda se vai chegar a um consenso e que se há de dar a volta à situação. Há mesmo quem considere que a saída do Reino Unido da UE possa torná-la mais coesa e mais forte, conscientes, porém, dos prejuízos que possam daí advir para todos, incluindo Portugal.

Completamente desinteressados com este tema, sem querer saber da Europa ou das eleições, encontrámos três pessoas com idades superiores aos 75 anos.

Abstenção não resolve nada

As próximas eleições europeias realizam-se em Portugal a 26 de maio e vão eleger 21 eurodeputados portugueses. O voto dá-nos o poder de escolher quem nos vai representar, neste caso, na Europa. É esse o nosso poder enquanto cidadãos. A abstenção nunca resolve nada, só dá mais força aos partidos mais fortes, que se mantêm no poder há décadas. Mais do que um dever, temos o direito de escolher e votar em quem achamos que nos possa melhor representar no Parlamento Europeu ou, até, deixar o voto em branco como forma de protesto.

Convém lembrar que os deputados ao Parlamento Europeu são os representantes eleitos pelos cidadãos da UE e representam os seus interesses e os das respetivas cidades ou regiões na Europa. São colegisladores da UE, mas podem também interpelar e exercer pressão sobre a Comissão e o Conselho europeus.

As suas atividades diárias dividem-se entre o trabalho para os seus eleitores no respetivo país de origem, o trabalho nas comissões, os debates nos seus grupos políticos, bem como os debates e as votações em sessão plenária. Podem também fazer parte de uma delegação para as relações com países terceiros.

No Parlamento Europeu, os deputados têm assento em grupos políticos – agrupam-se não por nacionalidade, mas em função das suas afinidades políticas, existindo atualmente oito grupos políticos, constituídos por, no mínimo, 25 deputados e tendo uma representação de, pelo menos, um quarto dos estados-membros. Cada deputado só pode pertencer a um grupo político. No hemiciclo, os lugares dos deputados são determinados em função da sua orientação política, da esquerda para a direita, após acordo
entre os presidentes dos grupos políticos. Alguns deputados não pertencem a nenhum grupo político e, nesse caso, fazem parte dos Não Inscritos.

Candidatos nacionais às europeias

Deixamos-lhe aqui os candidatos (partido, coligação ou movimento e o respetivo cabeça de lista) às eleições europeias por Portugal, com base nos dados da página Eurocid.pt, na internet. São eles: o partido Aliança, Paulo Sande; Bloco de Esquerda, Marisa Matias; CDS, Nuno Melo; coligação BASTA (Partido Popular Monárquico + Partido Cidadania e Democracia Cristã + Chega + Democracia 21), André Ventura; CDU, João Ferreira; Iniciativa Liberal, Ricardo Arroja; LIVRE, Rui Tavares; Movimento Alternativa Socialista, Vasco Santos; Nós, Cidadãos!, Paulo de Morais; Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, Luís Júdice; Partido Democrático Republicano, António Marinho e Pinto; Partido Nacional Renovador, João Patrocínio; Partido Social Democrata, Paulo Rangel; Partido Socialista, Pedro Marques; Partido Unido dos Reformados e Pensionistas, Fernando Loureiro; PAN, Francisco Guerreiro.

Segundo dados da imprensa nacional, podemos adiantar que entre as 17 listas às eleições europeias afixadas pelo Tribunal Constitucional, 11 apresentam um equilíbrio de género igual ao superior a 50 por cento, com quatro delas a cumprir estritamente a lei da paridade, que impõe uma “representação mínima de 33 por cento de cada um dos sexos”. De referir, contudo, que só há uma mulher como cabeça de lista – Marisa Matias, pelo Bloco de Esquerda. O partido com maior número de mulheres na lista é o CDS (12 candidatas), com a primeira mulher a entrar em terceiro na lista. PSD, CDU, BE, PAN e MAS apresentam-se com 11 candidatas, PS, Aliança, Livre, Iniciativa Liberal e PDR com 10, Nós Cidadãos tem oito e o PCTP/MRPP contempla nove mulheres na sua lista.

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