Cartaxo d’Ouro

Opinião de Frederico Guedes

Aquando da entrega do Prémio Cartaxo d’Ouro no mês passado à minha casa comercial, que este ano comemora, no próximo mês de dezembro, 115 anos, soltou o sentimento bairrista, que veio “à flor da pele” e de quem nasceu ali no piso superior, desde logo que aquele troféu era nem mais que um símbolo dedicado à perseverança de todo o comércio tradicional do Cartaxo e suas respetivas freguesias.

No início deste ano tive conhecimento do encerramento de uma casa centenária como a minha (Drogaria Leão) que funcionava na baixa pombalina em Lisboa para nascer naquele local mais um hotel. Tristeza minha que no passado enaltecia aquela casa onde predominavam marcas ícones de produtos portugueses, mas também partilhando esse sentimento para os turistas que chegam à nossa capital e que, num futuro muito próximo, não visitam mais que lojas tipo “Zaras ou Springfields”, verdadeiras fotocopias standard das que encontram nos seus países de origem e mais umas de gerência chinesa ou paquistanesa que proliferam nessa zona da cidade.

Sem dúvida que este prémio simboliza a luta do dia a dia deste tipo de comércio local perante concorrências das várias grandes superfícies estrategicamente localizadas na periferia em formato “donuts” com os seus parques de estacionamento privados, dos centros comercias megalómanos que pontificam nas grandes cidades e mesmo na quota de mercado das vendas online.

Mas apesar destes fatores, hoje em dia, como gerente comercial, encaro os próximos dias sempre positivamente, pois tenho em mente a importância do contributo que o nosso comércio tem com uma grande fatia financeira imprescindível para a economia do nosso concelho apostando na grande diferenciação no seu atendimento personalizado e combatendo o “chip” pessimista que percorre nas nossas ruas, já não bastando a passagem todas as semanas à minha porta de um pregador da desgraça e do negativismo com uma bandeira às costas. Há que mudar mentalidades a esse nível, pois as terras são nada mais que o espelho das pessoas que as frequentam e residem e se há melhor exemplo seriam os alemães que ainda nos dias de hoje apenas ainda estariam a difamar o Hitler e não teriam transformado o seu país na potencia económica que é nos dias que correm.

Felizmente que tenho verificado ultimamente a abertura de novas lojas nossas vizinhas realçando a sua variedade, desde um novo restaurante, um supermercado, uma loja de prendas, uma futura pastelaria, um ginásio… dinamizando a oferta do nosso comércio num verdadeiro contraciclo, necessitando apenas que as pessoas venham a responder a este empenho como clientes, contribuindo dessa maneira para o equilíbrio saudável da nossa sociedade local.

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E por aqui finalizo, porque como não sou nem dali nem de acolá insisto em ficar mesmo por CÁ.

*Artigo publicado na edição de outubro do Jornal de Cá.

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