Como vamos de saúde

No primeiro mês da primavera andámos a perguntar como vai a saúde do concelho. A saúde pública tem dificuldades e embora provoque queixas vai dando resposta. Os privados completam as necessidades

Quisemos perceber os equipamentos de que dispomos, quem são os responsáveis pelas unidades de saúde e como realizam o seu trabalho.
Ouvimos queixas e elogios. A situação não é ideal mas também não é das piores. A falta de recursos financeiros está na origem da maioria das queixas dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo dos mais de 1800 habitantes do concelho que não têm médico de família. Os elogios incidem sobre a qualidade dos serviços médicos prestados. Antes que as alergias o ataquem, fique a conhecer onde se pode dirigir e a quem pode recorrer.

As unidades de saúde
O Centro de Saúde do Cartaxo é composto por quatro unidades: a Unidade de Saúde Familiar (USF) Cartaxo Terra Viva, a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) e o Atendimento Complementar (AC), no Cartaxo e a Unidade de Saúde Familiar (USF) D. Sancho I, em Pontével. Existe, também, a extensão de saúde de Vale da Pedra, que funciona como um polo da USF D. Sancho I.
A 1 de fevereiro de 2009 foi criada a USF D. Sancho I. Uns meses depois, a 14 de setembro de 2009, abriu a USF Cartaxo Terra Viva. Ambas estão prontas para receber habitantes do concelho com consultas de medicina geral e familiar.
Para cuidados gerais de enfermagem existe a UCC. Esta unidade tem também uma equipa que faz visitas ao domicílio. E em caso de urgência? Existe o serviço de Atendimento Complementar, que atende doentes com situações de saúde agudas.

Os profissionais
Em números, no Centro de Saúde do Cartaxo trabalham um total de 55 profissionais, divididos entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes técnicos e assistentes operacionais. Destes, quatro são médicos na USF Cartaxo Terra Viva e seis são médicos na USF D. Sancho I. Quanto a enfermeiros, a USF Cartaxo Terra Viva tem oito, a USF D. Sancho I seis, e a UCC Cartaxo sete.
O Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria (ACES), com sede em Santarém, é o responsável pela coordenação das quatro unidades. Diana Leiria, diretora executiva do ACES, explica que “muito recentemente, saíram dois médicos da USF Cartaxo Terra Viva, um por aposentação e outro por ter regressado ao local de origem”. E acrescenta que está a ser difícil substituir os profissionais por falta de “recursos médicos interessados em ficar no concelho”, mas o Jornal de Cá ouviu depoimentos de profissionais ligados ao setor, que preferiram manter o anonimato, mas garantem “que a não contratação dos médicos de família necessários para responder às necessidades do concelho tem origem na falta de recursos económicos”.

Os utentes
Em 2014, os médicos realizaram mais de 39 mil consultas na USF Cartaxo Terra Viva e mais de 40 mil na USF D. Sancho I. Segundo Diana Leiria, “o concelho do Cartaxo tem cerca de 25.800 utentes inscritos” divididos pela USF D. Sancho I (11.000) e pela USF Cartaxo Terra Viva (12.900). Também em 2014, no Atendimento Complementar foram efetuadas mais de seis mil consultas e cerca de 33 mil intervenções de enfermagem na UCC.
No dia em que o Jornal de Cá foi às instalações do Centro de Saúde, falou com Leopoldina Meia Onça. “Vim tentar marcar uma consulta para a minha filha Matilde, que está muito doente. Mas não consegui, porque o médico de família já tinha as consultas do dia cheias”, conta. Segundo a utente, devia existir um maior investimento nas condições da unidade. Em relação ao atendimento, Leopoldina afirma que “diferencia muito de quem nos atende e mesmo da disposição. Em termos de médicos e de enfermeiras não tenho nada a apontar”. A mãe de Matilde defende que as grávidas, os idosos com dificuldades e as crianças deviam ter prioridade.
Também Maria Antonieta Nogueira nos contou que, por causa de uma gripe teve de recorrer ao serviço de Atendimento Complementar. “Tive de vir duas horas antes para conseguir apanhar consulta. Só consultavam oito pessoas, das 20h às 22h, e eu fui a sexta.” A paciente chegou à unidade às 18h e esperou duas horas para que começassem as consultas de urgência. “Não se tira senha, chegamos e perguntamos quantas pessoas é que lá estão”, explica. “Têm de ser os próprios pacientes a saber de quem estão atrás. Houve pessoas que chegaram depois de mim e, como já estavam oito doentes, tiveram de ir para o Hospital Distrital de Santarém.” Maria Antonieta assegura que foi muito bem consultada pelo médico, porém pensa que seria mais fácil se existissem senhas para que os utentes pudessem ir a casa e regressar à hora da consulta. Ao invés de permanecerem na sala de espera sem qualquer comprovativo da sua vez, para além da palavra.
Questionado sobre a resposta aos pedidos dos utentes, o ACES deu o exemplo da taxa de utilização das unidades a 31 de dezembro de 2014. Esta foi de 78,9 por cento na USF D. Sancho I e de 66,3 por cento USF Cartaxo Terra Viva, não atingindo o limite das unidades.
As taxas moderadoras
Nenhuma das unidades de saúde tem autonomia financeira, dependendo do Orçamento da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Este orçamento é distribuído pelas quatro unidades e pelas várias despesas destas.
Ainda assim, os pacientes pagam as taxas moderadoras impostas pelo Governo Português e pelo Sistema Nacional de Saúde. Por uma consulta de medicina geral ou familiar, os utentes pagam cinco euros e por uma consulta de enfermagem quatro euros. As consultas ao domicílio estão taxadas em dez euros e o serviço de urgência custa vinte euros.
Estas taxas moderadoras são para a população em geral. Porém, existem pacientes isentos do pagamento por razões económicas ou condições de saúde, como é o caso dos doentes crónicos.

As clínicas particulares
Para além dos serviços públicos, a cidade conta com várias clínicas particulares. As razões que levam os doentes a recorrer a estes espaços são várias, desde as gripes às consultas da especialidade.
A Carmédica é uma destas clínicas, que tem sempre um médico presente para consultar os pacientes. Maria João Nunes explica que a maioria da população que recorre aos serviços é idosa. “Temos muitos doentes com diabetes e hipertensão.” As consultas são dadas tanto a utentes particulares como a filiados. “É a nossa grande diferença. Uma pessoa vem cá, faz-se filiada, paga 16 euros por mês e todo o agregado familiar tem direito às consultas gratuitas, sem limite”, explica a gerente da clínica.
Com 22 anos de existência, a Carmédica também oferece consultas da especialidade. “Temos oftalmologia, pediatria, ginecologia, dermatologia, cardiologia, terapia da fala, nutrição, entre outras. Com desconto para os nossos filiados.” Maria João não duvida do bom serviço que a clínica presta e revela que está em curso um acordo com a clínica dentária, que existe no espaço ao lado.
Na clínica Ferrodengomar também existem várias especialidades. “Temos fisioterapia, serviços de enfermagem e consultas médicas”, explica Susana Onyido. O espaço abrange toda a população, tendo desde consultas de pediatria, a psiquiatria até fisiatria. “Também fazemos exames e temos acidentes de trabalho a que fazemos assistência.”
A clínica geral é a mais requisitada para as doenças sazonais, como as gripes. Susana esclarece que alguns pacientes, provavelmente, vão ao Centro de Saúde primeiro e, através do médico de família, procuram ali uma consulta de especialidade. “Já cá estamos há 20 anos, o que nos faz ter alguma experiência. Mas tentamos sempre ir aperfeiçoando e tendo maior oferta. Claro que existem situações que as pessoas precisam de ir procurar para Lisboa.”
Mais recente é a Clinica Compasso da Vida, que tem consultas médicas e terapêuticas. Desde serviço de psicologia e centro de preparação para o parto e maternidade, centro de enfermagem e de medicina física até à reabilitação, conta Ana Batalha. “Os problemas do foro ginecológico e vigilância, as perturbações da linguagem, a vigilância e acompanhamento à infância e desenvolvimento infantil” são as razões que mais levam os pacientes a recorrer a este espaço. Em relação ao serviço de saúde no Cartaxo, a médica pensa que “muitas vezes a resposta às situações não é tão célere como seria desejável, pelo que começa a haver um maior recurso à clinica privada quer pela qualidade do serviço quer pelo horário”.
Especialista em medicina física e da reabilitação, a Ceficarte é uma clínica que conta com dez anos de experiência. À fisiatria, fisioterapia, neurocirurgia e ortopedia, este espaço junta a clínica geral. Para além de especialidades complementares, como é o caso da terapia da fala, da podologia e da acupuntura, entre outras.
“Todos sabemos que as limitações, neste momento, apresentadas pela situação económica do país tornam a missão dos profissionais de saúde a trabalhar no Cartaxo, ainda mais difícil. Mas o que sentimos é que os profissionais do serviço público em geral, mostram um grande empenho e interesse em contornar essas adversidades”, conta Maria do Rosário Roda, terapeuta da clínica.
Em Vila Chã de Ourique, existe a Clínica Médica Diálogo Inspirado Unipessoal, Lda. “O motivo que traz os utentes até nós é a competência, profissionalismo e confiança que sentem pelos profissionais da Clínica, acrescendo a isso, a dificuldade na atribuição de médico de família e a marcação de consultas no Centro de Saúde da sua área de residência”, explica André Gomes responsável pela clinica.
Para além da medicina geral e familiar, o espaço tem consultas de pediatria, dermatologia, ortopedia, fisioterapia, análises clínicas, entre outras. “O facto de dispormos de um Centro de Saúde com escassez de recursos e encerramento dos postos médicos na maioria das freguesias pertencentes ao Cartaxo, faz com que cada vez mais os utentes tendam a procurar a nossa Clínica de modo a verem resolvidos os seus problemas de saúde”, afirma André Gomes.

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As farmácias
No concelho existem sete farmácias. Três encontram-se no Cartaxo e as restantes em Pontével, Ereira, Vale da Pedra e Vila Chã de Ourique. Apesar de, no início do ano, a Farmácia Correia dos Santos ter fechado, os utentes podem contar com os serviços 365 dias por ano.
“As pessoas, maioritariamente, vêm adquirir a medicação habitual para situações crónicas e situações agudas”, explica Hugo Celso, diretor da Farmácia Central do Cartaxo. Independentemente da situação, os farmacêuticos fazem o acompanhamento dos utentes e estão disponíveis para os aconselharem.
Apesar de cada farmácia ser independente, todas pertencem a uma estrutura associativa que tem representação local. O trabalho do representante é fazer passar as informações que são distribuídas a nível nacional, para os donos locais.
Hugo Celso, atual representante, explica que as farmácias têm uma série de serviços complementares, para além da dispensa de medicamentos. Revisão da terapêutica, consulta farmacêutica, controle da diabetes ou das lipidémias, serviços de nutrição e consultas de dermocosmética são algumas das hipóteses disponíveis para os clientes. “As farmácias têm, cada vez mais, de se preparar para um âmbito de prestação de serviço à população, porque as tendências são cada vez mais diversas”, afirma Hugo Celso, que revela ainda estarem a ser implementados novos projetos nas farmácias. A receita eletrónica, a administração de vacinas e a troca de seringas são três iniciativas que pretendem aumentar a segurança dos doentes, controlar os gastos e evitar os desperdícios, para que haja “mais dinheiro para investir no setor da saúde”. E conclui garantindo que “as farmácias sempre foram e vão continuar a ser um serviço de proximidade para a população e para a disponibilização de uma série de serviços”.

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