Condições nas escolas: estamos a exigir demasiado?

Opinião de Matilde Cunha

Muita tinta tem corrido acerca da falta de condições nas escolas. As queixas vão da falta de água quente para os banhos depois da educação física até ao chão do ginásio que está a arrancar-se. É um facto que o Ministério da Educação já anunciou obras para vários imóveis, mas quanto tempo teremos de esperar para as vermos a decorrer?

Facto: as temperaturas dentro de uma sala de aula no inverno conseguem ser mais baixas do que as temperaturas registadas ao sol, no pátio. Tocando no ponto mais crucial do inverno, o frio, sabemos que o ambiente em que estudamos ou trabalhamos se revela muito importante para o desempenho nas tarefas, uma vez que o conforto do ambiente escolhido interfere com o humor, a concentração e até mesmo com a saúde de quem o frequenta. O ar condicionado instalado nas salas de aulas traz benefícios a professores e alunos, que se encontram atualmente afetados com a situação: facilita a concentração, garante mais saúde, reduz o número de faltas dadas pelos alunos (não só no inverno, mas também quando as temperaturas são altas, especialmente no verão), melhora o desempenho escolar e torna o momento de estudo mais prazeroso. A climatização tornou-se um aspeto importantíssimo nas escolas, dado que os alunos passam hoje mais horas numa sala de aula do que em casa, levando todos os dias com uma enorme carga letiva.

Queixamo-nos hoje, enquanto alunos, do frio, de material pouco adequado à faixa etária dos alunos (como é caso das escolas secundárias, onde há mesas e cadeiras de tamanho exatamente igual às das escolas primárias), de corredores alagados devido à chuva, da falta de funcionários, do preço exorbitante dos manuais escolares, da matéria repetida e pouco apelativa, entre tantos outros problemas. Acima de tudo, queixamo-nos da falta de intervenção do Governo e do Ministério da Educação e da falta de verba para investir no Ensino, que deveria ser encarado como um dos temas fulcrais do presente e do futuro.

Há 30 anos as escolas eram, de longe, melhores que as de hoje. Há 60, nem podemos comparar. A verdade é que, apesar das melhorias e das condições que hoje nos apresentam, continuamos muito longe do que seria desejável. O Ministério da Educação reconhece-o, e é exatamente por isso que deseja arrancar com obras em algumas centenas de escolas do país. O problema é que isso, só por si, não chega. Ainda há muito que precisa de mudar e de ser corrigido, e a desculpa de que os nossos pais, avós, tios sobreviveram a outros tempos de educação não se enquadra, numa altura em que a formação e a educação são aspetos fundamentais para enfrentar os desafios profissionais do século XXI.

Em suma, “a escola é a nossa segunda casa”, como tantas vezes ouvimos dizer. Numa casa, na nossa casa, precisamos de nos sentir confortáveis e respeitados na nossa individualidade, de maneira a criarmos uma relação de pertença. Precisamos de ser vistos como pessoas, não como números.

Ler
1 De 411

Como garantir isto sem ter em conta os aspetos que referi anteriormente?

Isuvol
Pode gostar também