“Conseguimos fazer o caminho para as contas certas”

Pedro Ribeiro, 48 anos, natural do Cartaxo, é o atual presidente da Câmara Municipal do Cartaxo e recandidato ao mesmo cargo, pelo Partido Socialista, nas próximas eleições autárquicas.

Que projeto defende para o futuro do concelho?
Nós defendemos um concelho com capacidade para atrair mais investimento, mais emprego e mais riqueza. Um concelho mais forte, mais atrativo, mais competitivo, mais coeso, mais seguro e mais solidário com aqueles que mais precisam. Queremos um concelho com qualidade de vida, com intensa atividade cultural e desportiva, um concelho ambientalmente sustentável, um concelho humanista com respeito pelos valores da tolerância, um concelho com mais oportunidades para todos, aqui, realizarem os seus sonhos e construírem o futuro das suas famílias. Queremos um concelho que continue a representar para as gerações atuais e vindouras uma terra com tradições, de gente honesta, de gente de trabalho, onde existe sempre espaço para a inovação, para a criatividade e para a modernidade.

E com que políticas pretende implementar esse projeto?
As políticas públicas de âmbito municipal que queremos implementar neste próximo mandato têm que ir ao encontro dos desafios antigos que ainda não foram resolvidos, como sejam os graves problemas qua ainda temos nas áreas da conservação de estradas, da limpeza urbana, da manutenção dos jardins e, em simultâneo, procurar abraçar novos desafios nas áreas da competitividade e do emprego, da proteção social, da saúde pública, da educação e juventude, da demografia, da transição energética, do ambiente, da sustentabilidade e do planeamento urbano que precisam de novas soluções.

Vivemos hoje a maior crise global, a maior crise económica e social da nossa geração. É muito importante compreender esta realidade e saber interpretar que papel deve assumir a Câmara Municipal para relançar a vida das pessoas, a vida da nossa economia e a vida das nossas instituições e coletividades no pós-pandemia.

O nosso foco tem estado em encontrar novos instrumentos de apoio para as famílias, para as empresas e para as instituições mais afetadas. Assim, para acudir aos setores mais afetados pela pandemia, temos estado a trabalhar na implementação do Plano de Recuperação Económica e Social do Concelho do Cartaxo (PRESCC). Ouvindo todas as forças políticas, auscultando as associações empresariais e comerciais, recolhendo os contributos dos nossos dirigentes associativos e do Conselho Local de Ação Social, a Câmara Municipal está a finalizar a definição de critérios para orientar a atribuição de apoios no âmbito do PRESCC.

Paralelamente a isto, sublinho que a pandemia reforçou, em cada um de nós, a convicção da importância do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e dos seus dedicados profissionais. Precisamos de mais profissionais de saúde e precisamos urgentemente de melhores equipamentos de saúde. Por isso, reivindicamos junto do Ministério da Saúde de um novo Centro de Saúde para o Cartaxo e de obras de requalificação quer na Unidade de Saúde de Pontével quer na Extensão de Saúde de Vale da Pedra. Neste mandato a Câmara Municipal substituiu-se ao Ministério da Saúde e requalificou a Extensão de Saúde de Valada para que esta pudesse continuar aberta.

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Ao nível do emprego e da competitividade as políticas municipais que defendemos assentam na capacidade que temos de ter para atrair mais investimento, nomeadamente, investimento que assegure a criação de postos de trabalho e a criação de mais riqueza para a nossa terra.

Hoje, com as contas em ordem, temos condições para, de forma gradual, recuperarmos a liberdade para criarmos um regime de incentivos fiscais que nos permita dinamizar as áreas empresariais e as áreas comerciais, um regime de incentivos que torne o Cartaxo mais atrativo para os investidores.

Ao nível da nossa competitividade territorial temos trabalhado na valorização do Tejo, do vinho, na valorização da nossa agricultura, dos nossos produtos regionais e da nossa gastronomia. Entendemos que estas áreas são fundamentais para impulsionar o modelo de desenvolvimento que queremos para o nosso concelho. Um modelo que potencie a riqueza dos nossos campos agrícolas e que, ao mesmo tempo, potencie o nosso setor agroalimentar e os novos canais de distribuição e comercialização dos produtos que produzimos na nossa terra.

Uma terceira área onde queremos continuar a investir é a área do turismo, particularmente, em posicionar o Cartaxo como um destino enoturístico de excelência. Temos hoje mais operadores turísticos a trabalhar no e com o nosso território. Temos hoje mais programas e produtos turísticos, muitos deles a juntar o segmento do vinho e das experiências gastronómicas, o segmento do cavalo, a área das rotas do turismo religioso, da nossa rica etnografia onde os nossos fandangos do Ribatejo fazem furor, ou ainda, do segmento dos desportos de natureza e de recreio no Tejo. Vamos continuar a desenvolver este trabalho de parceria e afirmar o Cartaxo como o Ribatejo às portas de Lisboa, com capacidade para atrair mais turistas.

Enquanto candidato à liderança da autarquia o que é que o distingue dos demais candidatos?
Para responder a esta questão recorro à sapiência humanista de José Tolentino Mendonça. O teólogo, que muito admiro, escreveu há pouco tempo que “há coisas que sabemos que nos distinguem e distinguirão como humanos”. Contudo, acrescentou, que “para apreendermos o que trazemos em nós há que encontrar outros pontos de vista, outros ângulos e perspetivas”.

O significado destas palavras é que mais importante do aquilo que nos distingue é termos como ponto de partida que não existem terras sem problemas e que as suas soluções têm que partir de um amplo movimento de participação, com respeito pelos diferentes pontos de vista. O mais importante é a consciência de que os problemas da nossa comunidade não se resolvem sem um amplo movimento participativo dessa mesma comunidade. Uma verdadeira liderança afirma-se, acima de tudo, pela capacidade de mobilizar, de acrescentar, de somar, de envolver e apelar à participação e ao contributo de todos.

No quadro atual em que vivemos, neste tempo de emergência, a característica mais importante para quem liderar a Câmara Municipal é, com toda a certeza, a capacidade de cuidar das pessoas e de dar continuidade ao trabalho de mobilização de todos os agentes de proteção civil, das nossas juntas de freguesia, da área da saúde, da área da educação e da área da proteção social para vencermos esta pandemia.

Este é um tempo que exige um enorme sentido de responsabilidade de todos os candidatos. Precisamos de todos para vencer o maior desafio da nossa geração. Combater e vencer a pandemia convoca-nos para uma visão que vá para além das quezílias ou das diferenças partidárias. As lideranças têm, por isso, que ter capacidade de diálogo e de abertura para a construção de soluções para apoiar quem mais precisa.

Tem sido esse o nosso caminho. Mobilizar todas e todos para fazer bem. Estar à altura deste tempo é compreender que para lá de tudo o que nos possa separar enquanto cidadãos livres, existe um compromisso com a democracia e com a liberdade que nos une. Podemos ter ideias diferentes, conceções distintas para o concelho e para resolver as suas urgências, mas temos de nos unir quanto ao essencial. E o essencial agora é vencer a crise pandémica, cuidar de quem mais precisa e trabalhar todos os dias para que as gerações atuais e vindouras tenham futuro na nossa terra, na terra onde nasceram ou que escolheram para realizar os seus projetos de vida.

Como avalia os dois mandatos em que foi líder do executivo camarário – que balanço faz dos últimos anos da gestão desta autarquia?
Este tem sido um mandato exigente e, ao mesmo tempo, bastante desafiante. Quando nos candidatámos em 2017 e apresentámos os objetivos a concretizar até este ano de 2021, não contávamos, ninguém contava, que íamos ser confrontados com uma pandemia. Uma pandemia que travou um mundo inteiro, que travou a vida das pessoas, da nossa economia e das nossas instituições.

Estamos há 14 meses consecutivos focados no maior combate da nossa geração. Tudo indica que no final deste mandato, no próximo mês de outubro, teremos passado 40% do tempo em pandemia. Este contexto travou muito do que estava planeado e obrigou-nos a reajustar as prioridades para estes últimos dois anos. As prioridades para esta segunda fase passaram a ser, naturalmente, as intervenções nas áreas da saúde pública, proteção civil e proteção social. Por isso, o balanço deste mandato obedece a uma avaliação em dois tempos distintos. Existe um tempo antes e um tempo depois da pandemia.

Os primeiros dois anos deste mandato foram marcados por investimentos históricos para o nosso concelho. Mais do que obras de grande visibilidade, impossíveis no quadro em que vivemos, nós demos prioridade às intervenções nas nossas escolas e jardins de infância. Nesta área foram mais de três milhões de euros de investimento, com destaque para o novo Centro Escolar de Pontével, para a implementação pela primeira vez de duas salas de jardim de infância público no Cartaxo, para a remoção das coberturas de fibrocimento ainda existentes no nosso parque escolar, para a renovação do mobiliário escolar e, entre muitas outras intervenções, para a implementação do programa de combate ao insucesso escolar. Neste mandato transferimos para as Juntas de Freguesia mais de 541 mil euros para manterem e requalificarem as suas escolas e jardins de infância. Para além de tudo isto, foi também neste mandato que conseguimos protocolar com o Ministério da Educação a verba de 1 milhão e 590 mil euros para a tão urgente e necessária requalificação da nossa Escola Secundária do Cartaxo.

Este mandato fica, de igual modo, marcado pelo maior investimento de sempre na área do saneamento básico. Nos últimos anos, apesar do litígio que a Câmara Municipal mantém com a empresa concessionária, esta investiu mais de 7 milhões e 800 mil euros em três novas Estações de Tratamento de Águas Residuais. A ETAR de Pontével, a ETAR da Lapa, que também irá servir a Ereira, e a ETAR de Valada, que irá servir a população de Porto de Muge, de Vale da Pedra e dos Casais Lagartos. Na área da saúde destaco, no início do mandato, a requalificação da Extensão de Saúde de Valada, permitindo, assim, que esta unidade de saúde pudesse permanecer aberta. Sei que estes investimentos nas escolas, nos jardins de infância, na área do saneamento ou da saúde não têm a visibilidade de obras que todos queremos realizar como as obras de requalificação das nossas estradas. Mas considero que os investimentos na educação são determinantes para assegurarmos um melhor futuro aos nossos jovens e os investimentos na área do saneamento são fundamentais para melhorar a qualidade ambiental, a saúde pública do nosso concelho e dos nossos concidadãos que ainda estão privados destas condições.

Entre as várias intervenções concretizadas antes da pandemia, obras concretizadas nos primeiros dois anos de mandato, destaco as obras de requalificação da Rua São Sebastião, da Rua e Travessa da República, do Largo do Pelourinho, da Travessa do Giné, da Travessa do Afonso, da Rua do Gil, a requalificação do Praceta do Progresso, da Rua José António Pereira, da Rua Combatentes do Ultramar, da Travessa do Fróis e do reordenamento do trânsito e do estacionamento efetuado na Urbanização do Valverde, da implementação de lombas moderadoras de velocidade em Vila Chã de Ourique, da reparação dos apoios do tabuleiro da Ponte Rainha D. Amélia e a realização por parte da IP do concurso pública para a arranjo dos pilares no montante de 1,8 milhões de euros. Destaco, ainda, a requalificação das piscinas municipais, a substituição de mais de 3 500 luminárias por tecnologia LED, as obras de requalificação da cobertura do Mercado Municipal de Vila Chã de Ourique, os processos de adjudicação em curso para o parque infantil da Ereira, para o parque infantil de Vale da Pedra, para a requalificação do Mercado Municipal de Pontével, para a ampliação do cemitério da Lapa e para a pintura do edifício da EB 2,3 de Pontével.

Nestes últimos 14 meses de mandato, como referi há pouco, as nossas prioridades foram reorientadas para dar resposta aos tempos de emergência que sofremos. Foi necessário redefinir prioridades. Em tempo de pandemia a vida, a segurança e a saúde das pessoas será sempre a nossa prioridade.

Penso que neste tempo de pandemia temos estado à altura das nossas responsabilidades. Em articulação com as autoridades de saúde e segurança pública (PSP e GNR), de proteção civil e bombeiros, com o envolvimento de todas as IPSS, do universo educativo e associativo, temos sabidos dar respostas aos desafios que nos têm sido colocados ao longo destes 14 meses. Instalámos zonas de quarentena, montámos serviços de voluntariado em colaboração com várias instituições de solidariedade social, investimentos em computadores e pacotes de internet que possibilitaram o ensino à distância aos alunos que mais precisavam, reforçámos os auxiliares operacionais nas escolas, adquirimos ventiladores e equipamentos de proteção individual, organizámos múltiplas ações de higienização de ruas e de equipamentos públicos através dos nossos bombeiros e de muitos voluntários, acionámos o fundo de emergência social para apoiar quem mais precisava, criámos um programa de apoio alimentar, redes de voluntários para ajudar pessoas infetadas ou em situação de quarentena profilática, realizámos vistorias a lares em conjunto com os serviços locais e distritais da segurança social, ajudámos diversas empresas, instituições e associações desportivas e culturais a elaborar os seus planos de contingência, trabalhámos com as associações industriais e comerciais para avaliar as melhores medidas compensatórias para o setor, auscultámos o setor da restauração do nosso concelho de modo a agilizar a instalação de esplanadas, e, entre muitas outras atividades, realizámos reuniões diárias com os agentes locais de proteção civil para preparar medidas de prevenção e de combate à pandemia.

Neste ponto, cabe aqui uma palavra enorme de gratidão a toda a nossa comunidade pela forma unida, coesa e solidária com que intervieram em tempo de pandemia. Julgo que o lado mais visível desta capacidade de resposta está bem patente na forma como fomos capazes, em parceria com a autoridade de saúde pública, montar o nosso Centro de Vacinação no Pavilhão Municipal de Exposições. Penso ser bastante consensual a excelência do trabalho que ali é realizado.

Neste exigente mandato, conseguimos ao mesmo tempo fazer o caminho para as contas certas, realizar investimentos históricos na área da educação e do saneamento, e, temos a certeza que ultrapassada a pandemia e o travão que nos colocou, travão este também refletido na subida exorbitante dos preços das matérias-primas, dizia eu que vamos retomar a execução do Programa de Recuperação da Rede Viária, reforçar os meios para melhorar as matérias relacionadas com a limpeza urbana e com a conservação dos espaços verdes, e lutar por mais investimento na área da saúde, nomeadamente, pelo investimento num novo Centro de Saúde para o Cartaxo.

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