Conversas à volta do vinho

“Ruralidades” é uma rúbrica do Jornal De Cá, em conjunto com Hélder Anacleto, que segue as várias fases da produção do vinho até chegar ao copo.

“Ruralidades” é uma rúbrica do Jornal De Cá, em conjunto com Hélder Anacleto, que segue as várias fases da produção do vinho até chegar ao copo. Neste episódio, o foco está nos vinhos do Tejo, na sua produção, divulgação e grande notoriedade que têm adquirido, uma conversa, à volta do vinho com o enólogo Pedro Gil e com Tiago Santos, engenheiro agrónomo, na Taberna do Museu Rural do Vinho do Cartaxo. Para ouvir clique no link em baixo.

Foram as tabernas que deram fama ao vinho do Cartaxo, era vendido um pouco por todo o país, sobretudo em Lisboa. Hoje, estamos na Taberna da Adega do Museu Rural e do Vinho, no Cartaxo, para uma conversa à volta do vinho, com Tiago Santos, engenheiro agrónomo, e Pedro Gil, enólogo da Adega do Cartaxo.

Para Hélder Anacleto, “o vinho é o produto que mais define a terra e as nossas gentes e, por isso, é que esta rúbrica foi crescendo”. Foi precisamente nas tabernas que tudo começou, produzia-se sobretudo o vinho dito “carrascão”, mas hoje inverteu-se este paradigma, procura-se a qualidade.

Pedro Gil, considera que os prémios são importantes “para criar alguma identidade nos vinhos do Tejo, porque são no fundo, a avaliação dos nossos vinhos. “É sinónimo que estamos num bom caminho e que há um reconhecimento daquilo que vamos fazendo”. O enólogo refere, também, que a comunicação e o marketing são essenciais, “até porque hoje o consumidor está mais atento e consequentemente, mais esclarecido sobre aquilo que vai acontecendo. No mundo do vinho, não é necessário ostentar todas as medalhas que determinado vinho conquista, até porque muitas das vezes não é compatível com a produção, porque o próprio consumidor já soube pelas notícias que aquele vinho alcançou esse reconhecimento”.

Tudo começa na tomada de decisão daquilo que se vai por na futura vinha.
Tiago Santos

Ler
1 De 2

Para Tiago Santos, “tudo começa na tomada de decisão daquilo que se vai por na futura vinha, há muitas escolhas a fazer num mundo em que qualquer uma influência a qualidade da matéria prima que depois chega às adegas”, refere o engenheiro agrónomo.

“Antigamente o produtor não trabalhava com a exigência de qualidade por parte do consumidor, o que hoje já acontece. A partir do momento em que a competição aumentou brutalmente, a qualidade passou a ser um fator essencial. Em comparação, o modelo de produção do vinho, nos dias de hoje, é muito mais complexo, o que tem levado ao sucesso dos vinhos, não só do Cartaxo, mas a nível nacional. A qualidade dos vinhos registou um grande aumento nos últimos anos”, considera Tiago Santos.

Uma das razões para os vinhos do Tejo não terem muita visibilidade em comparação com outras regiões, “prende-se com o facto de não termos uma empresa grande com notoriedade nacional, como tem o Douro e o Alentejo”. Pedro Gil, reconhece, ainda, que regiões de maiores dimensões como essas, “estão com mais dificuldades, porque zonas mais pequenas como o Ribatejo estão a crescer e a ganhar visibilidade, reforçando a ideia de que hoje fazem-se bons vinhos em todas as regiões do nosso país”.

Foi necessário utilizar castas estrangeiras para agora produzirmos as nossas.
Pedro Gil Franco

“Como forma de ‘chamar a atenção’ para as nossas produções, foi necessário utilizar castas estrangeiras para agora produzirmos as nossas. Esta é uma estratégia muito utilizada, sem esquecer que o Ribatejo é uma zona muito rica, onde tudo se dá bem. A Adega Cooperativa do Cartaxo há muito que anda a incentivar a produção de outras castas, porque a nossa região tem muito boas condições para isso”, acrescenta o enólogo.

O clima é um dos fatores chave na diferenciação dos vinhos de cada região, porque “tal como foi necessário optar pelas castas mais divulgadas e espalhadas de forma massiva por todo o mundo, significa que não é pelas castas que há diferenciação entre regiões ou países”, afirma Tiago Santos. Existe uma panóplia de fatores que passam a ser essenciais para os enólogos como o clima, o solo, as práticas culturais, a rega, tudo vai fazer diferença no resultado que nos é apresentado.

Outro fator essencial para o crescimento dos vinhos da nossa região é a boa comunicação que se faz no mercado. “É meio caminho andado para o sucesso”, realça Pedro Gil. Os concursos e eventos também são uma parte importante para este reconhecimento, mas há que enaltecer a quantidade de enólogos que hoje temos no Ribatejo, que não havia há uns anos.

Mesmo na nossa região, eram poucos os restaurantes que tinham na sua carta, vinhos do Tejo e quase nenhuns vendiam vinho ao copo. Esta forma de comercializar o vinho tem cerca de uma década e acaba por ser importante para promover uma maior divulgação, pois dá oportunidade ao consumidor de experimentar uma maior variedade de vinhos.
Acompanhe esta rubrica no Jornal De Cá e, ouça ‘A conversa à volta do vinho’ e fique atento aos próximos episódios. Entretanto, está quase aí a época das vindimas e nós vamos estar lá.

Isuvol
Pode gostar também