D. Nuno Álvares Pereira. O descanso do guerreiro

Por Rogério Coito

Faz a 14 de Agosto 632 anos que teve lugar a batalha de Aljubarrota em que as tropas portuguesas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira venceram as castelhanas guiadas por D. João de Castela numa vitória decisiva para a independência de Portugal. Acontecida no âmbito da crise de 1383/1385, a tomada de decisão de Nuno Álvares Pereira de que apoiava D. João, Mestre de Avis, como legítimo candidato ao trono de Portugal foi tomada na Ereira, como nos conta Fernão Lopes (Crónica de D. João I, vol I, cap. XXXVII, p.74). Edição segundo o códice Nº352 da Torre do Tombo prefaciada por António Sérgio.

Nas ruínas da antiga Quinta do Bicho Feio ainda se pode observar uma fonte de mergulho resguardada por uma parede com nichos a lembrar ornamentos com símbolos religiosos.

Quando morre D. Fernando, apresentam-se três candidatos ao trono e à sucessão. A filha, D. Beatriz, casada com o rei de Castela; a viúva Leonor Teles, pérfida e ambiciosa; e D. João, Mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro I. Nuno Álvares está no Minho com 23 escudeiros quando tem conhecimento das movimentações partidárias em Lisboa e resolve vir para o sul falar com os irmãos. Em Santarém e em Pontével sabe que os irmãos vão apoiar Castela e passa a enfrentar sozinho o seu destino indo dormir a uma aldeia “que chamom a Eireira” onde se abriu à conversa com os escudeiros que estava decidido a apoiar o Mestre de Avis e foi a grande força que ajudou a colocar no trono o rei da “Boa Memória” que deu início à segunda dinastia.

A Quinta do Bicho Feio no velho caminho romano entre Pontével, Ereira e Lapa e na área geográfica da Ereira, parece ter sido o local provável de acolhimento para tal comitiva. Então uma vasta propriedade, ainda referida no século XIX (Gazeta de Lisboa 18/5/1819) composta de “terras de semeadura, olivais, pinhais, charnecas, algumas vinhas com suas casas e lagares de azeite” esteve durante muitos anos, segundo a tradição oral, associada ao nome da família Camelo com ligações ao convento da Flor da Rosa (Crato) e à Ordem do Hospital. O pai de D. Nuno foi prior da Ordem do Hospital, havendo na listagem Frei Álvaro Gonçalves Camelo. D. Nuno Álvares Pereira, como bom cavaleiro medieval, procurou atravessar as terras da Ordem do Hospital e não arriscar passar pelo pinhal de Azambuja, então um valhacouto de ladrões, onde o Tejo quando saía de suas margens fazia lameiros e deixava lagoas nos terrenos.

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