Despedimento coletivo na ex-Impormol deixa 180 pessoas sem trabalho

A notícia que ninguém queria ouvir chegou na tarde de terça-feira, 31 de maio: a Frauenthal Automotive Azambuja, mais conhecida na região por Impormol, informou os 180 trabalhadores do despedimento coletivo, com efeitos a partir desse mesmo dia.

impormol _1Uma notícia que já era esperada, “dado o desinteresse que fomos verificando por parte dos acionistas em manter a atividade industrial e os postos de trabalho”, escreveu Pedro Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo, na sua página de Facebook.

O autarca garante, também, que a Câmara Municipal continuará ao lado trabalhadores e das suas famílias e que “não baixaremos os braços no trabalho de, reconhecendo que é difícil no curto prazo, procurar novos investidores para esta unidade industrial”.

Recorde-se que o Município, conjuntamente com o vizinho Município de Azambuja, tinha já estabelecido uma parceria com o IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) para a criação de um espaço de atendimento dedicado a estes trabalhadores.

A manhã de quarta-feira, 1 de junho, foi preenchida com uma reunião em que o presidente da Câmara do Cartaxo recebeu os trabalhadores da empresa. Nesta reunião, em que estiveram presentes muitos dos 180 trabalhadores, Pedro Ribeiro teve oportunidade de lhes “dar conta das diligências que tínhamos efetuado, em conjunto com a Câmara da Azambuja, junto do IEFP e junto dos Gabinetes dos Ministros do Trabalho e da Economia, a quem estamos a solicitar uma nova audiência, com o objetivo de reforçarmos os nossos esforços na procura de novos investidores para a Frauenthal, com o envolvimento de todos: da comissão de trabalhadores, das autarquias da Azambuja e do Cartaxo e do Governo”, acrescentou Pedro Ribeiro.

Paralelamente, a área de Ação Social da Câmara do Cartaxo iniciou a colaboração com os trabalhadores da empresa e com o Centro de Emprego na organização dos processos individuais, para que estes possam ser atendidos e inscritos o mais rapidamente possível.

Assim, os trabalhadores daquela unidade fabril deverão dirigir-se à área de Ação Social da Câmara Municipal, fazendo-se acompanhar do Cartão de Cidadão ou de Identidade e Cartão de Contribuinte. A área de Ação Social está, em simultâneo, a proceder ao diagnóstico das eventuais necessidades de apoio material ou de apoio psicológico aos trabalhadores e aos seus familiares.

A Câmara do Cartaxo criou um e-mail para onde os trabalhadores podem dirigir os seus pedidos de apoio ou de qualquer esclarecimento (trabalhadoresimpormol@cm-cartaxo.pt). O presidente do Município garante, ainda, que a Câmara Municipal publicará e manterá atualizada toda a informação relevante sobre este assunto no seu site, em www.cm-cartaxo.pt.

Recorde-se que os trabalhadores da empresa tinham estado concentrados na manhã de segunda-feira, 16 de maio, em frente à Câmara do Cartaxo, para continuar a exigir solução para a viabilização da empresa.

Estes trabalhadores receberam, no dia 7 de abril, uma carta, a informá-los da dispensa de apresentação ao serviço, segundo lhes foi explicado, pelo facto de o cliente responsável pelo escoamento de 98 por cento da produção ter cessado o vínculo com a empresa.

As câmaras do Cartaxo e de Azambuja estiveram sempre ao lado dos trabalhadores, promovendo reuniões com os ministérios da Economia e do Trabalho, com o IEFP, com o administrador da empresa e com a Comissão de Trabalhadores e acompanhando-os em ações de protesto em Lisboa.

A ação visou, uma vez mais, chamar a atenção do País para este problema e para o facto de os trabalhadores quererem continuar a trabalhar.

Na altura, Fernando Pina, delegado sindical, garantia que “esta é uma empresa viável, deve continuar a laborar, tenha ela o nome de Frauenthal, tenha outro nome qualquer. Interessa é que a empresa volte a laborar”.

Belmiro Melo, da Comissão de Trabalhadores, lembrava que os trabalhadores estão “mal, porque são pessoas que já lá trabalham há muitos anos. Eu já lá trabalho há 25 e tenho colegas que lá trabalham há 40”.

Esta ação contou com a presença de Isabel Pires, do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, e de Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, numa ação integrada na Semana de Luta da CGTP.


 

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