É da idade

Opinião de Sónia Parente, Psicóloga Clínica e Mestre em Psicologia Educacional

 

É a frase que tenta acalmar os pais de adolescentes. A adolescência é uma fase do crescimento que dá muito que falar. Mas o que se passa realmente na adolescência?

Para o adolescente tudo mudou, o seu corpo, os sentimentos e pensamentos.

Apercebe-se de que já não é uma criança e de que a fase seguinte é a de adulto. Já não pode voltar a ser criança e aproxima-se o ser adulto e quer começar a ser tratado como tal, embora não saiba bem como. Gradualmente quer mais autonomia, quer que o oiçam e que respeitem a sua privacidade. Quer testar os limites e a autoridade. O desconhecido assusta e atrai. É a fase de atração pelo risco e da turbulência de sentimentos.

É a altura das amizades intensas, já que o principal apoio vem delas na medida em que o distanciamento das pessoas da família é inerente a esta fase.

Ao nível físico, as modificações no seu corpo vão acontecendo e as hormonas são cada vez mais evidentes, o que gera inseguranças na sua aparência. Mas a turbulência de sentimentos não advém somente das alterações hormonais. Para além destas, há regiões do cérebro ainda em desenvolvimento (o córtex pré-frontal) e as capacidades inerentes estão ainda em amadurecimento, nomeadamente o controle dos impulsos/emoções o que, juntamente com efeitos hormonais, pode levar a explosões emocionais e a mudanças de humor constantes, bem como a comportamentos irresponsáveis.

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Os conflitos dos adolescentes são especialmente com os pais. É a eles que têm de demonstrar claramente que cresceram. O adolescente faz o seu legítimo papel de adolescente e cabe aos pais ajudá-lo a ter um maior controle dos seus impulsos, fornecendo-lhe limites que vão ajudar a balizar sentimentos.

É ao longo desta fase do desenvolvimento que se aprende a controlar impulsos, ou seja, a controlar emoções – como explosões de agressividade (verbal ou física), a pensar antes de falar, a planear com antecipação… A sua consolidação vai influenciar na sua vida adulta.

Será que a adolescência que não é vivida de forma genuína, não leva a uma adolescência tardia, aí sim fora do contexto normal?

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