“É meu dever de cidadania participar na construção de um novo rumo para o concelho”

Orlando Casqueiro é candidato a presidente da Câmara Municipal do Cartaxo pela CDU

O que o levou a candidatar-se?
Considerar que, perante a presente situação de rutura financeira da nossa autarquia, com as consequências nefastas para a vida dos munícipes, provocada pela deficiente gestão do PS nas últimas décadas, é necessário proporcionar ao povo do Cartaxo uma nova alternativa para romper com a atual inércia e promover o desenvolvimento do concelho.

Por outro lado, reconhecer que na candidatura da CDU existem pessoas com motivação, com competência e com um projeto para o concelho, convictas que, com uma estratégia que enquadre as forças vivas e a população, é possível ultrapassar a atual situação de impasse, de forma a devolver à população o orgulho e o prazer de residir, de viver e trabalhar no Cartaxo.

Foi, por isso, uma decisão baseada num sentimento misto de inconformismo, pela falta de estratégia para o concelho e pela injustiça de que os cartaxeiros estão a ser alvo e, por outro, o meu dever de cidadania em participar na construção de um novo rumo para o nosso concelho.

O que é que distingue a candidatura que encabeça das restantes?
Principalmente, a forma coletiva com que procuramos encontrar as propostas e as soluções para as situações, através da discussão o mais ampla e participada possível, envolvendo nesse debate os trabalhadores da autarquia, as instituições nacionais e locais relacionadas com os temas em debate, além de promovermos sempre a participação das populações e seus representantes nas decisões e na prossecução desses objetivos.

Além de ser comummente reconhecido que os nossos eleitos têm sido fiéis porta-vozes dos problemas da população nos órgãos onde participam e têm tido, ao longo dos sucessivos mandatos, uma atitude coerente, firme e constante na defesa dos seus interesses, apoiando sempre o que considera positivo e, naturalmente, opondo-se de forma construtiva a tudo o que considera negativo para o bem-estar, relembrem-se, entre muitos outros, os seguintes casos: manifestámos uma forte oposição ao encerramento de Centro de Saúde do Cartaxo durante a noite e a falta de médicos; votámos, na Assembleia Municipal, contra o encerramento da estrada nacional no centro da cidade e contra a construção, nos moldes propostos, do parque de estacionamento em frente à sede do Município; opusemo-nos à destruição do jardim na Praça 15 de Dezembro; fomos contra a concessão a privados da distribuição da água e do tratamento das águas residuais; alertámos, constantemente, para o endividamento exponencial da autarquia e fomos contra os seus orçamentos irreais.

Na sua opinião, quais são as principais carências/ dificuldades do concelho? E quais os pontos fortes?
A principal dificuldade com que a nossa autarquia atualmente se debate é o estado de rutura financeira, resultado da gestão calamitosa conduzida pelo PS, o que tem provocado a quase paralisação de realização de obras, fundamentais para o progresso do concelho. Como é de conhecimento geral, a nossa autarquia está no topo nacional das mais endividadas.

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Mas tão grave como o endividamento é o facto de, em paralelo, continuarem por fazer, ou são feitas de forma insuficiente, muitas das infraestruturas ou a prestação de serviços, fundamentais para o bem-estar da população, como por exemplo, falta de tratamento de esgotos, esgotos a céu aberto, limpeza, manutenção e conservação dos espaços de lazer, atraso de décadas na disponibilização de uma zona industrial/ comercial, onde se possam instalar empresas, abandono da zona ribeirinha do Tejo, trabalhadores municipais sem as condições necessárias para desenvolver o seu trabalho, estradas com pisos precários e sem a suficiente sinalização vertical e horizontal, colocando em perigo os seus utilizadores, falta de manutenção das escolas, falta de apoio às entidades que prestam apoio social e que dinamizam a cultura e o desporto, etc.

Como consequência desta situação, a nossa autarquia viu-se recentemente compelida a contratar com o governo um empréstimo de mais de 52 milhões de euros, que terão que ser pagos em trinta anos, acrescidos de mais cerca de 15 milhões em juros, além de que a autarquia é titular de cerca de outro tanto em passivo. O que obriga a que, se o contrato vier a ser cumprido, a autarquia, ultrapassado este período de carência até 2018 (talvez porque este ano é ano de eleições), comece a pagar um serviço de dívida num valor incomportável.

Por outro lado, esse contracto exige que as taxas de IMI, Derrama, IRS e outras tenham que ser pagas no seu valor mais elevado, o que vai exigir um esforço suplementar, aos cidadãos e às empresas provocando, naturalmente, uma importante reserva à instalação de novas empresas e à vinda de novos habitantes para o concelho. Dificultando, ainda, que se invista na qualificação e na melhoria das condições de trabalho dos funcionários municipais, provocando uma clara diminuição de qualidade e eficiência no desempenho das suas funções, cerceando a possibilidade que sejam estes funcionários a realizar muito do trabalho que é atualmente contratualizado com terceiros. Contratos esses que exigem uma despesa anual aproximada ao que a autarquia despende com os seus trabalhadores.

É necessário uma nova alternativa para romper com a atual inércia e promover o desenvolvimento do Concelho.

Quanto às potencialidades, deve ser realçado o espírito empreendedor e participativo da nossa comunidade, veja-se a quantidade e a qualidade das instituições de apoio social, de dinamização cultural/ recreativa e desportiva que, mesmo sem apoios do Município, continuam a desempenhar a sua função.

Num outro nível, temos que destacar o privilégio de termos como vizinho o Tejo, apesar do nosso Município não o tratar condignamente, ao despejar esgotos sem tratamento, mas que, com a sua beleza e a sua riqueza, é um polo fulcral para a dinamização económica e recreativa.

Deve também ser relevado o parque de negócios Valley Park, apesar de disponibilizado com dezenas de anos de atraso, devido à opção errada da gestão PS ao ter concebido o mesmo na dependência de outras entidades, atraso que obrigou a que muitos interessados tivessem ido investir noutros locais (na altura do seu lançamento, o então presidente da Câmara disse que já havia uma dezena de interessados).

É, também, de destacar a riqueza agrícola dos nossos solos, sendo de sublinhar, naturalmente, a fileira do vinho.

Se vencer as eleições, quais as primeiras medidas a tomar, imediatamente após a tomada de posse? O que é mais urgente resolver?
É essencial discutir e exigir ao governo a renegociação da dívida do Município, sem esta o concelho continuará estagnado, pior ainda, o bem-estar da população, que já tem um nível inferior às demais autarquias, regredirá, porque o Município precisa de disponibilizar verbas para completar os apoios nacionais ou internacionais: para recuperar a zona ribeirinha do Tejo, para que cumpra o seu dever na promoção do parque de negócios, para que repare e cuide das estradas da sua responsabilidade, para que a estrada nacional reabra ao trânsito, para que se reordene, de forma adequada, a circulação no centro da cidade e se melhorem as condições das escolas.

Deve, ainda, reunir-se com a comissão de acompanhamento da Cartágua, para se aferir de quem é a responsabilidade da insuficiente canalização dos esgotos e limpeza dos cursos de água/ esgotos, a fim de que estes sejam efetuados com brevidade, pelo menos dentro dos perímetros habitacionais, porque além de transmitir uma imagem terceiro-mundista, é um grave problema, de qualidade, de saúde e de segurança pública.

Apoiar as instituições do concelho, porque a inexistência de apoios é extremamente grave para o presente e o futuro de uma sociedade que se exige harmoniosa, inclusiva, justa e segura.

Quais as propostas estruturantes da sua candidatura que destaca?
As nossas propostas estruturantes são a renegociação da dívida para com o Estado, de forma a poder libertar recursos para as necessárias obras e apoios anteriormente referidas. Renegociar o contrato de concessão com a Cartágua, de forma a que seja diminuído o valor a pagar pelo consumo de água, porque não é admissível que estejam previstos aumentos, nos próximos anos, numa percentagem de cerca de cinco por cento, quando os rendimentos das pessoas e a inflação têm tido um crescimento na ordem de um a dois por cento. Envolver os produtores e comerciantes na dinamização da marca “vinho do Cartaxo”, reforçando as atividades existentes e promovendo um Roteiro do Vinho. Abertura da estrada nacional, permitido uma maior fluidez ao tráfego, em paralelo com a reorganização do trânsito no centro da cidade, e efetuar uma alteração paisagística no espaço envolvente aos Paços do Concelho, para devolver alguma da beleza e dignidade, entretanto perdidas. Relançar a relação do Município com os empresários, comerciantes e as suas associações para, em conjunto, potenciar e dinamizar a economia do concelho.

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