É preciso acreditar que é possível

Opinião de Renato Campos

Numa altura em que se questionam as grande assimetrias regionais, nomeadamente a dualidade de desenvolvimento entre os territórios onde, mesmo dentro de cada concelho, há sempre um interior mais rural desprotegido, as atenções focam-se, forçosamente, nos municípios já que estes têm-se afirmado, ao longo dos anos e na falta de uma entidade regional, como agentes privilegiados do desenvolvimento sustentável dos seus territórios.

Neste contexto, é natural que após a progressiva resolução da maioria das carências básicas dos concelhos, a atenção das autarquias municipais se afirme hoje, não para a gestão estática do tradicional ou na promoção de slogans ultrapassados mas, prioritariamente, em ações de desenvolvimento não só de cariz concelhio mas abarcando a dimensão intermunicipal. Ou seja, espera-se agora das autarquias que privilegiem as suas competências de agentes de desenvolvimento regional e local, superando e corrigindo conhecidas assimetrias territoriais mediante a conceção de um desenvolvimento integrado e sustentável que modernize e revitalize o território municipal e regional.

Sabe-se que nem todas as autarquias evoluíram da mesma maneira, nem tiveram as mesmas opções de investimento, havendo situações de um endividamento acentuado que limitam muitas das suas intenções programáticas, nomeadamente, em projectos prometidos mas não concretizáveis. No entanto, apesar destas limitações conjunturais (algumas estruturais!), continua a ser relevante para a região, o facto de os municípios continuarem, em muitas situações, a serem os seus maiores investidores e empregadores, sobretudo em cenários de estagnação económica e de desertificação demográfica. Pena é que as limitações financeiras de alguns condicionem na prática algumas das suas capacidades operacionais.

Mas, não será apenas o nível financeiro que induz a importância da influência das autarquias locais na região. O restabelecer da confiança das populações na vida quotidiana e no seu futuro; dinamizar o que se encontra parado; fazer acreditar nos agentes regionais e locais que nas suas terras o futuro é possível; apostar na imagem e modernização dos territórios; incentivar a inovação tecnológica, nomeadamente procurando investimentos e parcerias credíveis, constituem hoje urgentes prioridades com incidência local e regional que muito contribuirão para tornar os territórios mais homogéneos, menos desertificados e, sobretudo, com futuro mais promissor para as novas gerações.

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