Eleições francesas

Opinião de Afonso Morango

Após semanas de especulação, sondagens acesas e discussões, finalmente aconteceu: O Hexágono escolheu o seu próximo Le Président. E, ainda que o resultado não seja propriamente uma surpresa, há muito mais para analisar além da vitória de Macron.

Embora o resultado não tenha sido tão brilhante para o candidato como em 2017, Emmanuel Macron continuará no Élysée Palace por mais cinco anos, tendo conseguido 58% dos votos desta vez no confronto direto com Marine Le Pen, a candidata de extrema direita. Sendo a França parte integrante do eixo franco-alemão, eixo esse cuja batuta guia de forma clara o futuro da União Europeia, é importante compreendermos o que significa a reeleição de Macron.

No seu discurso de vitória, reconheceu explicitamente que muitos dos milhões que votaram nele não o fizeram por apoiarem a sua política, que até tem sido altamente contestada por uma grande parte da população, incluindo os mais jovens, mas sim para manter o perigo da extrema-direita tão longe quanto possível. E, ainda que não tenha atingido os níveis da abstenção portuguesa, uma parte significativa dos franceses decidiu não se deslocar às urnas de voto este ano.

Por outro lado, Macron procura ser sincero e promete mudar de rumo em relação à sua presidência de centro-direita, agora que se libertou dos constrangimentos da preocupação em ser reeleito. As suas escolhas para o governo e os aliados que escolherá antes das eleições legislativas já este verão serão um indicador claro do rumo que quer dar à pátria francesa para os próximos cinco anos.

Além das palavras bonitas, surge, porém, a questão de quem será o líder mais proeminente da União Europeia – Scholz ou Macron. Ainda que o chanceler alemão lidere a mais robusta economia do Velho Continente, a sua jovem coligação tem tido algumas dificuldades a lidar com a situação russa. Por sua vez, Macron, se conseguir aproveitar o impulso dado por esta vitória em Paris e abordar de forma eficaz algumas das suas falhas no passado mandato – incluindo a forma como apresenta e prossegue com a sua ambiciosa agenda europeia – poderá ver cimentada a sua posição enquanto presidente francês.

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No entanto, o atual presidente “eliminou” grande parte dos seus maiores opositores de peso com o objetivo de resumir as eleições deste ano ao seu confronto direto com Le Pen. Daqui a cinco anos, a candidata da extrema direita poderá ter um caminho mais aberto para triunfar na cidade das luzes e isso tem gerado clara preocupação entre os mais jovens que estão agora mais alarmados que nunca em relação ao futuro pós-Macron.

*Artigo publicado na edição de maio do Jornal de Cá.

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