Encerramento de escolas: realidades, mitos e hipocrisia

ponto de vista | Jorge Honório

Uma das questões mais controversas que tem vindo a atravessar a sociedade portuguesa prende-se com o encerramento de escolas do 1º ciclo do ensino básico (antigas escolas primárias) e a sua repercussão na vida local. Porque afeta diretamente as famílias, transformou-se num assunto discutido com muita emotividade e pouca racionalidade, em que as opiniões e atitudes assentam, na generalidade dos casos, em falsas premissas e grande dose de hipocrisia.
Premissas: “A escola vai fechar porque a povoação definhou” ou “A escola vai fechar porque a povoação se desenvolveu”. Qual destas premissas é verdadeira? A primeira, claro está! Não se verifica o encerramento de escolas em povoações dinâmicas e em crescimento. Então, porque é que a povoação definhou? Por causa da escola? Não, porque a escola existia! Então? Definhou porque os dirigentes locais não souberam criar condições de atratividade para que empresas aí se estabelecessem, se mantivessem e criassem postos de trabalho, pelo que as pessoas se foram embora, sem emprego.
Em entrevista concedida à Agência ECCLESIA, D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, sublinha que é preciso encontrar soluções para as causas que estão por detrás do fecho destas escolas. Entre elas estão problemas como “a baixa da natalidade” e o “abandono das terras”, sobretudo no interior do país, devido à inexistência de “ideias criadoras de emprego”. “Não há escolas porque não há crianças, …”
Condições de ensino. Será aceitável, nos tempos modernos, uma escola funcionar com os alunos das diversas classes a terem aulas em simultâneo, tipo “tudo ao molho e fé em Deus”? Com a inadequação das instalações e equipamentos? Com limitadas oportunidades de socialização dos alunos? O tempo do pé descalço, da pedra, da marmita, já acabou!
Quanto a hipocrisia. O plano de reorganização da rede escolar começou em 2005 (Sócrates) e visava encerrar todas as escolas do 1º ciclo com menos de 10 alunos, tendo a primeira fase culminado com o fecho de mais de 2500 escolas. A segunda fase começou em 2010 (Sócrates) e levou ao encerramento de 700 escolas com menos de 21 alunos. Está tudo dito!

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