Era uma vez um homem grande e mau…

Texto e fotos, Paulo de Oliveira

É difícil de explicar de uma forma racional o que levou o homem a nutrir um ódio tão grande a este animal. O lobo nunca nos enfrentou diretamente, são raríssimos os casos de ataques do lobo ao homem e em quase todos se tratou de animais doentes, infectados de raiva, (que provoca uma espécie de loucura) e por isso não sabiam o que estavam a fazer. A civilização moderna afastou demasiado o homem da natureza e este deixou de compreender os outros animais. É fácil ter medo do desconhecido e isso foi certamente o pior inimigo do lobo. Os povos que se têm mantido em contacto mais direto com a natureza como os Índios e os Esquimós (Inuit) continuam a respeitar e a admirar o lobo.

O uivo do lobo que desde a noite dos tempos ainda parece causar arrepios a muitas pessoas não é mais do que uma forma destes animais comunicarem a sua posição uns aos outros,e anunciar o início ou o fim de uma caçada.

A fidelidade do lobo à sua fêmea é lendária. Esta escolha faz-se segundo afinidades bem particulares e é um compromisso para a vida inteira. Quando nascem as crias, geralmente 4 a 7 lobitos, toda a alcateia reforça a sua participação em torno do casal dominante, neste que é sem dúvida o maior acontecimento do grupo. Se a fêmea-mãe acidentalmente morrer o seu lugar é imediatamente ocupado por outra loba que se encarrega de amamentar as crias.

Ao fim de cerca de um mês os lobinhos começam a sair da toca e a explorar o exterior com toda a curiosidade característica desta espécie. Vivem então num clima da mais completa liberdade dentro da alcateia que aceita com total permissividade todas as traquinices dos júniores turbulentos. Parecem todos compreender que se está ali a jogar o futuro de todos eles. Quantas crianças humanas não gostariam de encontrar a mesma atitude no seio da sua família!

As presas naturais do lobo são os grandes herbívoros como o veado e o corço mas como essas presas já são praticamente inexistentes na natureza tem que procurar alimento nos rebanhos de gado doméstico aproveitando do descuido dos pastores. Em casos extremos animais solitários podem subsistir comendo coelhos, ratos ou até alimentando-se nas lixeiras.

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Muitos dos ataques dos lobos a rebanhos de cabras e ovelhas podiam ser evitados com um mínimo de cuidado ou com cães treinados para o efeito. Como o lobo é um animal protegido no nosso País o estado paga indemenizações pelos estragos causados por estes animais, embora por vezes certas burocracias provoquem grandes atrasos na atribuição daquelas verbas o que não contribui em nada para ajudar os proprietários do gado a tolerar aqueles predadores. Muitas vezes os lobos são injustamente acusados de estragos provocados por cães assilvestrados. Trata-se de cães que são abandonados pelos seus donos (frequentemente por caçadores), ou que fogem de casa por serem maltratados, e que se reúnem em matilhas regressando, pouco a pouco, ao estado selvagem.

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