Escravos da aparência

Por Sónia Parente

Na sociedade atual, a sobrevalorização da aparência gera pressões em busca dos padrões de perfeição impostos. Basta olharmos para a publicidade na televisão, folhear revistas, observar outdoors para percebermos que somos invadidos com imagens de modelos de beleza e perfeição que ficam no nosso inconsciente.

O culto ao corpo ideal e a busca eterna da juventude são muito valorizados. É natural que, por vezes ao olharmos para o espelho, sintamos vontade de mudar alguma coisa em nós que pouco tempo depois passa, mas cada vez há mais pessoas que procuram um ideal de beleza e que ficam presas a modelos que são praticamente inalcançáveis. Nem todos podemos ter as medidas perfeitas e o esforço para atender às pressões da perfeição pode levar ao esquecimento da singularidade própria de cada sujeito. Cada pessoa tem as suas próprias características físicas bem como de personalidade. A insatisfação constante com a aparência em busca das medidas perfeitas revela que não existe autoaceitação e, por isso, se tem uma baixa autoestima, como se só tivesse valor se estiver dentro desses padrões.

O culto da aparência de uma forma tão marcante pode levar a vários tipos de transtornos alimentares, que na nossa cultura encontram várias formas de expressão: as constantes dietas mágicas, exercício físico em excesso, medicamentos milagrosos com efeitos secundários terríveis, cirurgias estéticas exageradas, e no extremo a anorexia e a bulimia, doenças que se têm vindo a tornar elas próprias sintomas da nossa sociedade.

Cuidarmos de nós e da nossa aparência é saudável mas é importante sabermos aceitarmo-nos como somos, sem ficarmos presos a modelos de corpos ideais em detrimento de sermos nós mesmos. De nada adianta preocuparmo-nos exageradamente com a aparência pois se não existir uma autoaceitação a insatisfação manter-se-á.


Sónia Parente é psicóloga clínica

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