Estrela Ouriquense fecha portas

O Estrela Futebol Clube Ouriquense vai fechar portas até que surja nova direção.

Este foi o resultado de mais uma Assembleia Geral eletiva, realizada na última sexta-feira, 5 de julho. Apesar de ter reunido mais de duas dezenas de associados – e não associados -, mais uma vez, ninguém quis pegar nos destinos do clube.

“Temos aqui boas condições, temos aqui um clube com largas décadas de história, e é uma pena se as coisas ficarem por aqui”, realçou o presidente da Assembleia Geral, André Beda.

Este apelo do presidente da mesa parece não ter surtido efeito nos associados, que aproveitaram a situação para esclarecer assuntos que não estavam ligados com a ordem de trabalhos, que era apenas a apresentação de listas e eleição dos órgão sociais do clube.

Assim, José Matias, elemento da anterior direção, quis esclarecer que, contrariamente ao que é dito em Vila Chã de Ourique, a anterior direção pagou a dívida de 2.500 euros que tinha à EDP com o apoio atribuído pela Junta de Freguesia, disponibilizando o comprovativo de pagamento. “Eu só não quero é que seja falado em Vila Chã que nós usámos o dinheiro. Nós pedimos à Junta de Freguesia, e está aí o presidente que sabe, e esse dinheiro foi entregue na Caixa de Crédito Agrícola para a EDP”, realçou.

“Como é que nós vamos apresentar uma lista se não temos ideia [das contas]?”, começou por questionar Conceição Beijinho, vincando que nem o Conselho Fiscal ainda se manifestou e que não existiu apresentação pública do relatório de contas de 2018. Além disso, acrescentou, “todos sabemos da situação do clube, pelo que se fala por aí. Há treinadores que não me vão deixar mentir que há nove meses de atraso aos treinadores, a EDP constantemente a ser cortada porque não há dinheiro, incumprimento na água, incumprimento na Vodafone… tudo e mais alguma coisa”.

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E foi aqui que surgiu o problema. Vasco Casimiro, 2º secretário da mesa da Assembleia, acusou Conceição Beijinho de não ser sócia da coletividade, por não ter pago as quotas e, logo, segundo os estatutos do clube, não poder tomar da palavra em Assembleia Geral.

Conceição Beijinho assegura que pagou as quotas em dívida no banco, “se não me deram os talões, eu não tenho a culpa, mas basta ir ao banco que as minhas quotas estão lá pagas, ao contrário daquilo que querem fazer parecer”. No entanto, a direção do clube garante ao Jornal de Cá que não deu entrada qualquer montante relativo a pagamento de quotas até esta segunda-feira, dia 8 de junho, segundo o extrato disponibilizado pela instituição bancária. Ou seja, a fazer fé na direção e no extrato bancário, e segundo dizem os estatutos do clube no seu artigo 5º, “os sócios têm por dever (…) b) Satisfazer pontualmente as suas quotas, pelo valor, prazo e nos termos e condições definidos em Regulamento Interno” e, no artigo 6º. “os sócios têm direito (…) b) Tomar parte nas Assembleias Gerais e votar as respetivas deliberações depois de três meses de associado; c) Eleger os órgãos sociais do clube e ser eleito por eles desde que possua três meses de associado”, Conceição Beijinho não é associada do Estrela Futebol Clube Ouriquense.

Ainda assim, diz que “eu sei que o meu nome anda para aí a ser falado, que eu tenho uma lista. Até há umas semanas nem sequer me tinha passado pela cabeça pegar no clube. Mas derivado a tanta abordagem que me têm feito eu até estava disposta, e digo que tenho um grupo que posso avançar (…) Mas têm de me mostrar qualquer coisa”.

Recorde-se que o Relatório de Contas de 2018 não pode ser aprovado enquanto não estiverem sanados os problemas existentes no Relatório de Contas de 2017, que apresentava 147.000 euros em caixa, que não existiam, e que resultaram de pagamentos efetuados sem documentação de suporte. Apesar de o documento não poder ser tornado público nem votado em Assembleia Geral, a direção está disponível para o mostrar aos associados que assim o pretendam.

Mas Conceição Beijinho, que integrou a atual direção até pedir a demissão, tinha mais dúvidas e, desta feita, para colocar ao contabilista responsável pela contabilidade do clube. “Porque é que não foram entregues as declarações de IVA e, neste momento, eu tenho o meu nome nas Finanças com uma dívida de 2.000 euros de coimas, por falta de declarações da contabilidade?”.

Segundo o Jornal de Cá apurou, estas coimas devem-se ao facto de o clube ter sido registado como uma empresa normal, sujeita ao pagamento de todos os impostos inerentes. Nesta altura, já foi entregue o pedido na Autoridade Tributária de alteração do registo do clube para instituição sem fins lucrativos com efeitos retroativos a janeiro de 2018, ou seja, não sujeita ao pagamentos destes impostos. O Estrela Ouriquense vai apresentar reclamação destas coimas mal elas cheguem ao clube, dado que se referem à não entrega de documentos relativos a 2017/2018.

O presidente da Assembleia Geral garantiu que o contabilista será chamado a esclarecer estas dúvidas, questionando “quantas vezes é que já foram aprovadas Contas neste clube? Que eu saiba, nenhuma. Se quiserem saber sobre Contas, ninguém da direção está aqui para esconder nada, o que se pode fazer é marcar uma reunião particular, porque as pessoas não se vão meter aqui sem terem uma ideia da situação financeira do clube”.

Resumindo, enquanto este impasse continuar e não se apurarem as situações ainda por resolver, o Estrela Ouriquense continua sem direção e vai fechar portas até surgirem interessados.

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