O projeto piloto agora implementado na ETAR de Valada, com tecnologias naturais, tem duas zonas húmidas, uma delas é convencional e a outra é eletroestimulada, um sistema de lamas ativadas, com areias e plantas que vão ser uma espécie de filtro natural, o que é uma inovação.
Esta tecnologia para já só está implementada na ETAR de Valada, mas “se funcionar, se resultar, a ideia é depois expandir para outros sítios e generalizar este género de utilização e de uso e de tratamento”, revela Artur Vidal, Country Manager da Aqualia.
A água residual depois de tratada nestas zonas húmidas passa por uma unidade de ultrafiltração e no final esta água não serve para consumo humano, mas pode ser reutilizada, por exemplo, em zonas de rega ou em lavagem de ruas.
“Estamos a falar com os bombeiros, com o município também, que está aqui presente e agradeço ao vice-presidente, Pedro Reis. Estamos a falar com várias entidades para ver como é que podemos reutilizar esta água para outras coisas”, realça Artur Vidal.
A ideia é reutilizar a água, que é disponibilizada gratuitamente, “é só mesmo por uma questão ecológica e ambiental do aproveitamento da água. Isto agora é um projeto piloto que se tiver sucesso depois é patenteado e vai ser utilizado em grande escala. O que é que isto tem de bom? É que deixamos de ter equipamentos como aquilo que vemos, mais eletromecânicos e mais artificiais, e aqui passam a ser plantas e coisas naturais que vão tratar a água”, explica o engenheiro.
A implementação da estação piloto de tratamento e regeneração de águas residuais, insere-se no âmbito do projeto GestEAUr (Gestión Sostenible y DigiTalizada del Agua en Entornos Rurales del Espacio SUDOE), cofinanciado com fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), que promove soluções inovadoras e sustentáveis para a gestão da água em contextos rurais, no espaço SUDOE (sudoeste da Europa, Portugal, Espanha e sul de França) com forte aposta na digitalização e eficiência dos recursos, com soluções adaptadas às mudanças climáticas.
As zonas rurais do SUDOE enfrentam múltiplos desafios relacionados com todo o ciclo da água, desde a escassez de recursos hídricos, agravada pelas alterações climáticas, as necessidades hídricas atuais do setor agrícola na qualidade da água e a falta de eficiência e rentabilidade na gestão do recurso água, essencialmente devido a infraestruturas obsoletas e recursos humanos limitados.