“Eu não vou investir um cêntimo nas casas de banho subterrâneas, aquilo é para tapar”

Depois de, por diversas vezes, se ter dirigido à Assembleia Municipal do Cartaxo para chamar a atenção dos eleitos para alguns assuntos, a maioria dos quais, continua sem resolução, Vítor Pinto foi à uma Assembleia Municipal do Cartaxo, que se realizou a 26 de setembro no Centro de Promoção Vitivinícola, na Quinta das Pratas para, em tom irónico, ‘parabenizar’ pelos problemas que continuam a arrastar-se.

Começando por dizer que “me sinto um pouco bacoco no meio disto tudo, porque aquilo que eu digo não deve ser entendido pela outra parte, porque são coisas do dia a dia, são pequenas manutenções que, quanto a mim, têm sido muito descuradas”, o munícipe lembrou o parque infantil em frente ao Centro Cultural do Cartaxo, já por si mencionado em anteriores sessões, “e ao fim destes anos todos, compreendi que, se calhar, o executivo faz bem. As nossas crianças, se calhar, com a tecnologia que há atualmente, não precisam cá de parques para brincar, têm, com certeza, os seus telemóveis, as consolas, estão muito bem em casa. Provavelmente, teremos uns cartaxeiros mais bem nutridos, porque não despendem as suas energias”.

Vítor Pinto foi à uma Assembleia Municipal do Cartaxo chamar a atenção dos eleitos para alguns assuntos

Já no que respeita àquele “aparelho que custou 100 mil euros (no mesmo parque infantil), eu penso que ou retiram aquilo ou põem lá uma lápide ao autarca que mal utilizou o dinheiro de todos nós. Aquilo não pode inviabilizar que o parque funcione”.

“As casas de banho que há tanto tempo aqui reclamo, também acho que os senhores estão a fazer bem, acho que fazem muito bem, as casas de banho fechadas. As pessoas que visitam o Cartaxo têm de trazer na mente que só podem ir às casas de banho no horário de funcionamento do Mercado. E quando ele está fechado, provavelmente, têm de ir atrás dos carros ou junto à Praça. E as senhoras, voltamos ao passado, têm de usar umas saias bastante largas e compridas e quando estiverem aflitas têm de se desenrascar”, ironizou. Já mais a sério, “penso que não seja por aí que a nossa Câmara Municipal não possa olhar para o que lá está, ou fazer de novo umas casas de banho condignas. Se calhar aquelas, se tiverem alguma manutenção, provavelmente chegam”.

Ainda sobre as casas de banho, e dirigindo-se diretamente ao presidente do Município, questionou se “o senhor já viu aquele átrio sul do Mercado? Será que o senhor vai lá implantar umas casas de banho para pombos? É o que lá está, há mais de três ou quatro meses que lá está um estaleiro. Eu vi um funcionário da Câmara tirar meio carrinho de fezes dos pombos e, ultimamente, aquilo que fazem já nem tiram, é com o jato da mangueira, cá para fora. É indigno, senhor presidente”, uma vez que “é um sítio que deve ser asseado e de que devemos ter orgulho, porque é um mercado antigo e bonito”.

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“Eu não vou investir um cêntimo nas casas de banho subterrâneas, aquilo é para tapar”, garantiu Pedro Ribeiro, presidente da autarquia, acrescentando que “já temos projeto para intervir na Praça de Touros. Não vão estar (a funcionar) até à meia-noite; há soluções que dão para isso, mas são muito dispendiosas, que são aquelas da moedinha, não temos recursos para isso, embora consideremos absolutamente necessária. A solução intermédia será uma intervenção nas casa de banho da Praça de Touros, onde não é preciso gastar muito dinheiro, e até têm acesso a pessoas com deficiência”.

Vítor Pinto mencionou, mais uma vez, o Lago dos Patos. Referindo-se ao vice-presidente, “que disse que gastavam 600 euros de água por mês”, Vítor Pinto lamentou que “ou andaram distraídos durante cinco anos e a justificação não pega, ou então, por força das circunstâncias, só agora é que conseguiram estancar aquilo que estava a lesar o erário público. 600 euros por mês vezes cinco anos são 36 mil euros, que davam para ajudar aqueles jovens que precisam de um tapete no Ateneu, se calhar, já tínhamos um lago novo. Não sei porquê tanta relutância em fazer manutenção mais em cima do acontecimento, deixar degradar, degradar… Penso que não é boa política”.

Também o grafíti existente na Praça 15 de Dezembro, “praça cucuía. Isso é indigno, senhor presidente, não pode. Aquele grafíti tem de ser tirado”, mereceu reparo, a que acresce, segundo Vítor Pinto, “além dos vidros partidos, cada vez mais, até o mármore do muro já lá falta cinco placas. Isto não é da sua responsabilidade, nem do executivo, provavelmente, mas é falta de vigilância”.

Salientando que as questões do vandalismo são transversais ao País, Pedro Ribeiro fez notar que “não é possível ter um polícia ou um GNR a cada esquina da nossa terra. E acho que isso até nós nos demitimos da nossa responsabilidade enquanto pais, enquanto educadores, enquanto autarcas, enquanto comunidade, pela nossa intervenção a partir de casa”.

A galeria Pintor José Tagarro foi alvo da crítica de Vítor Pinto. É o “suposto Posto de Turismo, que de Turismo não tem nada, só tem as placas Mande tirar aquelas placas, por favor. Porque se algum turista vai àquela casa e vê aquilo tudo ‘esbardalhado’, tudo partido, fica com uma imagem péssima do nosso concelho”.

Pedro Ribeiro dá “toda a razão em relação à placa do Posto de Turismo, não devia lá estar, sequer”.

Apesar de todas as críticas, Vítor Pinto fez notar que, apesar de ter apelidado Pedro Ribeiro de ‘presidente dos projetos’, “está nas suas mãos provar-me o contrário. Eu confio em si e no executivo” e que o seu objetivo é contribuir para que “o Cartaxo seja uma terra digna, que eu vim para aqui há 13 anos, apostei nesta terra e gosto de viver, mas não gosto daquilo que me envolve”.

Na resposta, Pedro Ribeiro esclareceu que “naquele parque infantil, ninguém compreende 100 mil euros só naquela peça que se danificou. Foram necessários contactos com a CCDR Alentejo (Comissão de Cordenação e Desenvolvimento Regional) para podermos colocar ali outro equipamento, uma vez que aquilo tinha sido financiado. Temos um equipamento, parque infantil, que até já está encomendado, porque agora já o podemos substituir”.

No entanto, o autarca lembrou que “o Cartaxo não se resume ao centro, nem à cidade do Cartaxo. Mas, mesmo na cidade, no primeiro mandato, colocámos praticamente novo o parque infantil da Quinta das Pratas, novo o parque infantil da Quinta das Correias, praticamente novo, o parque infantil do Parque da Música, retirámos o parque infantil do Valverde”, e este mandato, “vamos ter parque infantil na Ereira, vamos ter parque infantil em Vale da Pedra, recentemente, também houve um investimento para parque infantil novo em Valada”.



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