Eutanásia

 

Cidadão Alerta, por Pedro Mendonça

A partir do momento em que se começou a discutir seriamente o Direito à Morte Digna, muito se tem dito no sentido de confundir conceitos e realidades. Continua a existir um grupo que por razões filosóficas ou religiosas não aceita discutir este assunto e que quer que tudo fique na mesma.

Eu assumo publicamente que sou favorável por duas grandes razões; porque já vi muita morte indigna por obsessão médica, por querer manter o doente vivo a qualquer custo, mesmo que tal sirva apenas para manter mais uns meses o doente ligado à máquina, sem dor mas sem dignidade e na realidade já sem vida; e outra porque não aceito que perante uma doença mortal e estando em sofrimento não me seja dada a oportunidade de decidir se quero ficar como um vegetal sem dores ou se prefiro antecipar uma morte certa.

Misturar cuidados continuados, a grande prioridade, com o direito à morte digna é indecoroso e pouco sério. Todos somos a favor dos cuidados continuados, mas há sempre uma altura em que estes já não bastam e quem disser o contrário mente. A discussão deve pois iniciar-se pela base. Por exemplo, saber qual a diferença entre a Eutanásia e o suicídio assistido.

A Eutanásia é um ato através da qual se abrevia sem dor ou sofrimento a vida de um doente sem possibilidade de cura. É muitas vezes chamada de “morte misericordiosa”, em que uma pessoa, geralmente um profissional de saúde, põe termo à vida de outra pessoa em benefício do doente e a pedido do mesmo. O pedido tem de ser formulado quando o doente ainda está na posse das suas capacidades mentais e feito de forma informada, consciente e reiterada. A eutanásia pode ser praticada administrando, por exemplo, uma injeção letal (ativa ou positiva) ou retirando o tratamento que suporta a vida (passiva ou negativa).

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No suicídio assistido há a colaboração de uma pessoa, geralmente um profissional de saúde, que ajuda o próprio doente a pôr termo à vida, mas com uma participação indireta, já que o último gesto de tomar os fármacos letais tem de ser concretizado pelo próprio doente.

Devemos pois discutir este assunto, sem religiões, sem deturpações, sem mentiras, sem negócios à mistura.


 

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