“Foi aberta a caça ao ecologista ativo”

José Louza, da Eco-Cartaxo, considerou que o Tejo está moribundo

A Eco-Cartaxo foi à reunião de Câmara de segunda-feira, 15 de janeiro, que se realizou em Vila Chã de Ourique, alertar, mais uma vez, para os problemas da água e da poluição do rio Tejo.

José Louza foi o porta-voz desta preocupação da associação ambientalista, começando por considerar que o Tejo está moribundo “e só lhe falta entrar em coma”, lamentando que “por mais que os nossos argumentos venham a público, sejam debatidos, passa-se aquilo que em psicologia se chama a dissonância cognitiva, ou seja, as pessoas não entendem os argumentos que não fazem parte da sua visão do mundo, e era altura que, de facto, nos metêssemos todos de acordo ou, pelo menos, que nos procurássemos aproximar, porque estas questões têm a ver com a sobrevivência, têm a ver com a vida”.

Dito isto, José Louza considera que “foi aberta a caça ao ecologista ativo”, referindo-se ao processo interposto a Arlindo Marques pela Celtejo, por difamação. “Mas não é só o Arlindo Marques. Há outros processos”, como o que foi interposto a um casal idoso por ter ido a uma Assembleia Municipal “dizer que não podia viver na casa em que habitava. O cheiro e o ar que se respirava eram intragáveis, tiveram de abandonar a casa, e a empresa pôs-lhes um processo por difamação”.

Assim, a Eco-Cartaxo solicitou à Câmara e à Assembleia Municipal que “aprovassem moções ou outras ações que pudessem ser feitas, em relação a todas estas pessoas”. “Eu acho que temos de fazer qualquer coisa, porque o art.º 66 da Constituição diz o seguinte: ‘todos têm o direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender'”, finalizou.

As preocupações com o Tejo fazem  eco em todo o executivo. Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal, considerou que “temos sempre de dar mais voz àqueles que lutam pela preservação, pela valorização do nosso rio e por aquilo que ele representa do ponto de vista ambiental, do ponto de vista social, do ponto de vista patrimonial, do ponto de vista da sua biodiversidade” e mostrou-se solidário com todos os que estão a ser alvo de processos judiciais.

A Eco-Cartaxo está, também, preocupada com a utilização de herbicidas. Ana Silva lembrou o recente comunicado da Câmara Municipal sobre a colocação de herbicidas na cidade, “começando por afirmar que não era perigoso para, no final do mesmo, advertir que fosse evitado o contacto com o mesmo”. Os herbicidas  “envenenam o ar, a água  e os solos, que é o mesmo que dizer que envenenam a vida”, sublinhou. A ambientalista lembrou que “o Estado e as Autarquias têm por incumbência agir para o bem comum, acrescentando-lhe qualidades no presente, salvaguardando o futuro, recorrendo aos recursos naturais, materiais e humanos mas, sobretudo, recorrendo ao conhecimento para dirigir a sua ação. O cidadão espera dos seus governantes a visão e o exemplo”.

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Pedro Ribeiro explicou que “as orientações que damos aos nossos serviços é a procura das melhores soluções, nomeadamente na utilização de produtos que estejam certificados pelas autoridades competentes”. “Sabemos que há outras formas de tratamento, umas mais eficazes outras menos eficazes, e estamos sempre abertos a estudarmos as melhores soluções, sustentáveis do ponto de vista financeiro, para cuidarmos do tratamento destas matérias”, concluiu.

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