Forcados do Cartaxo temem fim da atividade

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O Grupo de Forcados Amadores do Cartaxo pode estar em risco de ter de acabar. Disso mesmo foi dar conta aos eleitos na Câmara Municipal, na reunião de segunda-feira, 3 de fevereiro.

Segundo o cabo dos Forcados do Cartaxo, Bernardo Campino, a solução passaria pela introdução, no contrato de concessão da Praça de Toiros, de “uma cláusula que refira que a empresa concessionária deva privilegiar a relação com o grupo do Cartaxo, nomeadamente, para este indicar qual o grupo ou grupos de forcados com que partilhar os cartéis nas corridas na Praça do Cartaxo”, disse na reunião de Câmara de segunda-feira, 3 de fevereiro.

Aliás, questionou Bernardo Campino, “se a banda de música da nossa terra tem, e bem, uma cláusula protecionista, porque é que nós não podemos ter uma, também?”, ao mesmo tempo que referia que “nós nos sentimos como os renegados”, sem qualquer apoio financeiro e sem sede.

“Nós necessitamos dessa cláusula para podermos fazer permutas e, consequentemente, nos mantermos na Associação Nacional de Grupos de Forcados”, de que são pré-associados, embora em risco de expulsão, dado não terem conseguido fazer das corridas necessárias na última temporada tauromáquica, realçou.

“Sem esta cláusula é impossível a nossa sobrevivência”, finalizou Bernardo Campino.

O presidente da Câmara Municipal, Pedro Ribeiro, revelou que “sou sensível àquilo que vocês transmitem”, mas “é legítimo que eu não possa condicionar o empresário que fica com a Praça e que assume o risco a que alguém condicione os cartéis que vai fazer e os grupos que vai trazer”.

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O autarca recordou que os Forcados do Cartaxo já foram responsáveis pela gestão da Praça de Toiros, e que já não o são por decisão própria. Quanto à presença deste grupo nos espetáculos agendados, “eu acredito na palavra das pessoas”, referindo-se àquilo a que chamou ‘acordo de cavalheiros’ com o empresário, que terá garantido que vai sempre ouvir o grupo do Cartaxo para a montagem das corridas e arranjar-lhe corridas noutras praças.

A concessão da Praça de Toiros do Cartaxo à Junta da União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta foi, também, votada nesta reunião.

A concessão foi aprovada por maioria, com os votos contra dos dois vereadores da coligação Juntos Pela Mudança (PSD/NC), tal como tinha acontecido em 2018, por considerarem que o processo mais acertado seria a concessão “com base num concurso público que teria, também, como base um caderno de encargos que poderia, expressamente, salvaguardar as preocupações dos nossos forcados”, disse Jorge Gaspar, que acrescentou que “na verdade, o que nós temos hoje como proposta é o primeiro ato de um ajuste direto camuflado”, já que a gestão é da União de Freguesias, “mas todos nós já sabemos que quem vai gerir a Praça e organizar o calendário de corridas é um empresário privado. E isto chama-se ajuste direto”.

Resumindo, “isto parece-nos eivado de uma profunda ilegalidade”, concluiu.

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