Há 80 anos o sangue jorrou

"Nos 80 anos do dia D a matriz deveria ser a da Democracia, da Defesa dos Direitos e da Dignidade humana. E não a da destruição e da desesperança". Opinião - Invictamente, por João Fróis

João Fróis

Cumprem-se hoje 80 anos desde o dia que a história marcou como D. Do grande desembarque nas costas da Normandia e de decisivo no rumo da 2ª guerra mundial. As praias ventosas e frias do noroeste gaulês, ficaram marcadas a sangue nas páginas tenebrosas dos enormes conflitos mundiais. Tropas de jovens norte-americanos, canadianos e australianos, acompanhados de ingleses, deram literalmente o corpo às balas alemãs que varreram as costas onde as embarcações tentavam chegar. O massacre foi brutal e devemos a esses jovens heróis a liberdade que nos permitiu ser o que somos hoje. Foi há apenas 80 anos, a duração média de vida atualmente, que a Europa ainda imersa na loucura imperialista de Adolf Hitler, se tentou libertar deste jugo apertado e reconquistar a sua liberdade. Foram milhares os que não sendo sequer europeus, vieram morrer nas suas costas em nome de um bem maior que lhes foi negado. Não puderam escolher e tiveram de carregar as baionetas e tentar sobreviver às baterias alemãs, fortemente armadas e preparadas para escudar o projeto nazi até ás últimas consequências.

Ainda demoraram alguns longos meses até, após inúmeras batalhas, as tropas aliadas conseguirem vergar as hostes inimigas. A liberdade foi reconquistada a troco de milhares de vidas inocentes, que se juntaram a uma tenebrosa lista negra de mais de 6 milhões de mortes nos horrendos campos de concentração do regime nazi. A história da humanidade sempre foi escrita sob o peso insuportável das armas e de rios de sangue inocente. Após décadas da apelidada guerra fria e de tacticismos entre os blocos ocidental e soviético, com guerras absurdas no Afeganistão e Indochina e mais tarde no Iraque, e entre portas na desagregação sangrenta da ex-Jugoslávia, voltamos a ter a guerra na velha Europa, com a Ucrânia a ser atacada ferozmente por uma Rússia tirânica e saudosa dos tempos imperialistas. Para piorar Israel voltou aos conflitos terríveis com a Palestina entregue aos grupos terroristas. Em ambos os conflitos as vítimas civis são aos milhares e não se vislumbra um fim para esta tragédia humanitária.

Nos 80 anos do dia D a matriz deveria ser a da Democracia, da Defesa dos Direitos e da Dignidade humana. E não a da destruição e da desesperança.

O mundo parece não ter aprendido nada com a história. Em tempos complexos onde muitos põem tudo em causa, incluindo os acontecimentos que moldaram a civilização, urge olhar com a humildade dos sábios para os ensinamentos que as guerras e conflitos sempre nos trazem e tentar, a todo o custo, não repetir os erros tremendos que cometemos e que custaram milhões de vidas. Não honrar a história é cuspir na dignidade humana e no bem maior que a civilização almejou construir, da defesa dos direitos humanos, das liberdades e garantias que a tão atacada democracia vai tentando assegurar, num mundo caótico, polarizado e a derrapar para perigosos extremismos suicidários.

Nos 80 anos do dia D a matriz deveria ser a da Democracia, da Defesa dos Direitos e da Dignidade humana. E não a da destruição e da desesperança.

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Saibamos honrar quem por nós morreu. Sem essa humildade e gratidão, estaremos mais perto de padecer às mãos dos que estão do lado da guerra e não fomentam a paz. E sem paz não há futuro. Obrigado aos que por nós morreram! O mundo precisa de paz.

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