Homenagem singela

Opinião de Frederico Guedes

Nascido no mês de Junho de 1845 na cidade inglesa de Southampton, Frederic George Howell viria a ser o responsável por hoje a minha pessoa ter esse mesmo nome de batismo dado pelos meus queridos pais,  pelo qual não poderia deixar de dedicar esta crónica mensal ao meu Bisavô.

Engenheiro civil de profissão, veio para o nosso País para ser um dos técnicos responsáveis pela construção do Aqueduto do Alviela, obra que, num total de 115 km (o maior de Portugal ainda nos dias de hoje), passou a permitir o abastecimento à cidade de Lisboa, tendo concluído os trabalhos em outubro de 1880, como transcrito pela sua assinatura em documento no Museu da Água.

Durante a sua estadia viria a adquirir um terreno na nossa cidade, o qual viria a ser baptizado de Quinta do Vapor, pois o mastro principal da sua casa aí edificada era de um barco a vapor vindo do seu País de origem. Ao casar com a minha bisavó Carolina Guedes, proprietária da casa sita na Rua Batalhoz, acabou por se instalar definitivamente no Cartaxo.

Nos tempos conturbados do final da Monarquia envolveu-se desde logo na Politica, tendo sido Presidente da Câmara entre 1908-1912, onde teve o condão de saber lidar com a queda da Monarquia e o nascimento da República. No regime Monárquico (com fotografias comprovativas e documentadas) inaugurou, em 14 de janeiro de 1904, com a presença do Rei D. Carlos I, a ainda hoje designada Ponte Rainha D. Amélia, de vital importância no plano estratégico financeiro para o nosso Concelho, pois iria proporcionar a ligação ferroviária à linha de Vendas Novas, no Alentejo, e à do Setil, na linha do Norte, bem como a ligação pedonal das duas margens.

Tornando-se num acérrimo Republicano, discursando em vários comícios (documento fotográfico com a Praça de Touros do Cartaxo repleta de gente), viria a inaugurar no seu mandato o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, mandando edificar junto a este um albergue e uma fonte de água potável (esta ainda lá existente), para que as pessoas mais pobres pudessem pernoitar, acompanhando os familiares que estivessem doentes.

Ao escrever estas linhas, não posso deixar de transmitir uma certa injustiça revoltante, por achar que o nosso poder Político se esqueceu sempre de uma homenagem a quem tanto fez pela história da nossa Cidade, assim como após o incêndio da Câmara, nos anos 70, nunca mais recolocaram a sua fotografia no devido lugar.

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Sem dúvida que tem sido muito mais importante irem batizando rotundas com nomes de cidades Romenas, o que tem refletido muito mais enaltecimento (?) à Terra a não ser o proporcionar passeios às respectivas comitivas e pouco mais, ou então talvez um dia se possa dar o nome de uma nova Circular ou Avenida a algum Chinês que queira por Cá investir…

 

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